26/09/2017

Especial Setembro Amarelo: O que você precisa saber sobre suicídio

Por Noelle Neves/Colaboradora em 26/09/2017 às 18:01

SETEMBRO AMARELO – Década de 70. Um jovem compra um Mustang amarelo e entra em um projeto de restauração do veículo. Durante os oito anos que passou trabalhando no carro, brincou que assim que terminasse, se mataria junto com o Mustang. Uma semana depois de pronto, ele realmente o fez. O ato gerou uma comoção na cidade onde vivia e a família criou uma “campanha” que incentivava a todas as pessoas que tivessem vontade de cometer o suicídio escreverem uma carta para alguém que confiasse.

Foi comprovado que com este gesto o número de suicídios diminuiu em 70%. Assim o psiquiatra Miguel Rezende começou sua explicação sobre os motivos que fazem o “falar sobre suicídio” tão importante.

O mês de setembro é conhecido mundialmente como ‘Setembro Amarelo’ e visa a prevenção ao suicídio. O #Santaportal preparou uma série especial para falar sobre o tema. Segundo Rezende, o comportamento tem maior frequência em pessoas com menos de 29 anos e em idosos e é possível que os sintomas sejam identificados antes do ato.

Além disso, o psicólogo Javert Júnior ressalta que a melhor forma de prevenir o suicídio é falar sobre ele. “Precisam promover palestras, atualizações para profissionais da saúde, precisam falar nas escolas desde sempre, tanto na infância como na adolescência, porque se acontecer um caso na escola, a professora precisa saber como lidar”, disse.

O que as pessoas precisam saber em relação ao suicídio:
– Suicídio não é uma doença, é um sintoma: Em 96.8% dos casos, doenças mentais são os maiores causados. Segundo o psiquiatra, mais de 70% dos casos é por conta depressão.

– O suicida dá sinais: Os maiores sintomas são perda de prazer básicos da vida, como se alimentar, fazer higiene pessoal e romper laços das relações interpessoais. A pessoa também não tem perspectiva de futuro, costuma falar em suicídio, se afasta e se despede das pessoas. “A pessoa tem muitas ideias negativas e de ruínas e isso vai alimentando a ideia”, comentou Rezende.

– Tem tratamento: O tratamento é feito em algumas etapas. Com antidepressivos na dose adequada para trazer a pessoa a realidade e com consultas psicoterápicas. “A intervenção de um psicólogo é verbal, o contato com a família também é fundamental. Precisamos entender os motivos”, explica o psicólogo Javert Júnior. Tanto ele quanto Miguel Rezende reforçam que, nesse momento, não existe mais o sigilo profissional e que a valorização da vida é o principal.

– Não é a única possibilidade de solução na vida: “Normalmente, nas consultas, é observado que a pessoa não enxerga saídas. Nós vemos que, no fundo, a pessoa não quer tirar a própria vida, apenas quer resolver o problema”, explicou Javert.

– Não precisa ter vergonha de buscar tratamento: De acordo com o psicólogo, o desejo suicida é um momento e passa. “Todos nós sofremos e cada um tem uma maneira de lidar com isso, mas ela também pode ser ajudada. Se a pessoa não quiser falar para a família, pode procurar um profissional e busque a ajuda que ela precisa”, destacou Javert Júnior.

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