Especial Setembro Amarelo: Com número de suicídios crescendo, Brasil analisa projetos de prevenção

Por Isabella Chiaradia/Colaboradora em 29/09/2017 às 18:45

SETEMBRO AMARELO – Números não têm pai, mãe, filhos, amigos ou alma. Mas ser humano, hoje, significa fazer parte de uma matemática: a estatística. O Ministério da Saúde divulgou na quinta-feira (21), o primeiro Boletim Epidemiológico de Tentativas e óbitos por Suicídio no Brasil. Na averiguação consta que, em média, quase 2 mil pessoas colocam fim à vida todos os dias. Para dar mais força ainda aos registros, a Organização Mundial de Saúde (OMS) apresenta que, a cada 40 segundos, uma pessoa se suicida no mundo e uma a cada 45 minutos no Brasil.

Conforme o diagnóstico inédito, o Ministério da Saúde vai orientar a expansão e qualificação da assistência em saúde mental no País. A partir da base na agenda estratégica para atingir a meta da OMS, o Ministério da Saúde irá trabalhar para reduzir em até pelo menos 10% dos óbitos por suicídio até 2020.

Nessa análise o que também chama a atenção é o alto índice de crescimento de mortes entre jovens, principalmente homens, e indígenas. Todos os números fazem parte dos registros entre 2011 e 2016, que no total representam quase 70 mil mortes por suicídio, a maioria (62%) por enforcamento.

Assistência
Instituído pelo Conselho Federal de Medicina e a Associação Brasileira de Psiquiatria, o mês de setembro ganhou a cor amarela para que fossem realizadas campanhas de alerta a população sobre a prevenção do suicídio.

No entanto, foi a partir de 2015, com a campanha ‘Falar é a melhor solução’, que a divulgação da ação ganhou novas projeções.

Entre as ações do Plano Nacional de Prevenção do Suicídio, a principal, conforme o Ministério da Saúde, é a capacitação de profissionais para a expansão da rede de assistência em saúde mental nas áreas de maior risco e monitoramento anual dos casos no Brasil.

Com isso, a psicóloga Luciana Cescon apresentou hoje (29), em uma segunda audiência pública na Câmara Municipal, o projeto de prevenção do suicídio nas escolas. Este projeto foi criado pela profissional no ano passado, a partir de um trabalho desenvolvido na Saúde Mental Infanto-Juvenil.

“O estudo visa sensibilizar e capacitar educadores para identificar sinais de depressão, automutilação e risco de suicídio entre os alunos, uma vez que boa parte destes não chega aos serviços de saúde. Através da identificação e acolhimento, os pais podem ser orientados a procurar o serviço especializado”, explicou a psicóloga.

O projeto foi criado pela psicóloga em 2016, a partir do trabalho desenvoldido na Saúde Mental infanto-juvenil “visa sensibilizar e capacitar educadores para identificar sinais de depressão, automutilação e risco de suicídio entre os alunos, uma vez que boa parte destres não chega aos serviços de saúde” através da identificação e acolhimento, os pais podem ser orientados a procurar o serviço especializado.

Luciana, que faz parte do colegiado das audiências realizadas em prol a prevenção do suicídio, nota que, até o momento, o poder público não tem feito avanços, mas que existem propostas sendo estudas para que os avanços saiam do papel.

Portanto, até 2020, àqueles que estiverem precisando de uma assistência podem contar com o apoio de instituições como a CVV, clínicas de Psicologia de faculdades (Caps), grupos de apoio como a Abrata e também com a boa conscientização de profissionais que abrem espaço em suas agendas para fazerem atendimentos a preços simbólicos.

O perfil
No diagnóstico total de óbitos registrados pelo Ministério da Saúde, é possível dizer que homens concretizaram o ato mais do que as mulheres, sendo 79% dos casos. No boletim, o perfil dos que mais morreram por suicídio (60,4%) se concentra entre os solteiros, viúvos e divorciados. Na comparação entre raça/cor, a maior incidência é na população indígena. A taxa de mortalidade entre os índios é quase três vezes maior (15,2) do que o registrado entre os brancos (5,9) e negros (4,7).

Na faixa etária de 15 a 29 anos, o suicídio é maior entre os homens, cuja taxa é de 9 mortes por 100 mil habitantes. Entre as mulheres, o índice é quase quatro vezes menor (2,4 por 100 mil). Na população indígena, a faixa etária de 10 a 19 anos concentra 44,8% dos óbitos.

As tentativas
O boletim também analisou as tentativas de suicídio, e, ao contrário da mortalidade, foram as mulheres que atentaram mais contra a própria vida. Foram 69% do total registrado, sendo que uma em cada 3 mulheres o fizeram mais de uma vez.


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