09/02/2026

Ele nasceu no Acre e é um dos representantes do Brasil nos Jogos de Inverno

Por Alexandre Araujo/Folhapress em 09/02/2026 às 12:40

Reprodução/ANSA
Reprodução/ANSA

Nascido no Rio Branco, capital do Acre, Manex Silva é um dos integrantes da delegação do Brasil nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina. O atleta do esqui cross-country carrega também a história de um Estado que ainda busca maior representatividade nas Olimpíadas.

O ex-jogador de vôlei Carlão, ouro em 1992, e o goleiro Weverton, do Grêmio, ouro em 2016, são os únicos medalhistas olímpicos que têm origem no Acre.

Manex -nome de origem basca -está nos Jogos pela segunda vez, após estrear na edição de Pequim-2022.

“Acho que chego aos Jogos mais preparado em relação a Pequim. Desde então, muitas coisas mudaram na minha vida e tudo se profissionalizou bastante. Consegui treinar bem ao longo desses quatro anos, sem contratempo. Sinto que estou mais forte do que nunca”, disse Manex, ao UOL.

Mas como o acreano foi parar no esqui cross-country e nas Olimpíadas de Inverno? A explicação não é difícil. Manex é filho de mãe brasileira e pai do País Basco, região localizada no norte da Espanha e sudoeste da França.

O atleta nasceu no Brasil, mas mudou-se para a região de origem do pai quando tinha apenas dois anos. Lá, ainda na infância, deu os primeiros passos nesta modalidade que ainda é bem distante para os brasileiros.

Minha mãe é de Rio Branco e meu pai é do País Basco. O motivo pelo qual eles se conheceram foi que minha mãe tinha um amigo do País Basco, que trabalhava com ela em Rio Branco. Certa vez, ela decidiu viajar para o País Basco para visitar esse amigo durante as férias, e foi lá que conheceu meu pai. Depois, meu pai acabou indo para Rio Branco para trabalhar junto com a minha mãe.

Quando eu tinha oito anos, por causa do trabalho do meu pai, que é professor, nos mudamos para uma região mais ao norte, que é cercada por montanhas e, no inverno, neva. Foi aí que, como atividade extraescolar, comecei a praticar esqui cross-country no clube da região, junto com meus amigos, e foi assim que comecei a competir.

Com a opção de competir pela Espanha ou pelo Brasil, a escolha pelo verde e amarelo aconteceu meio ao acaso, admite Manex, mas ele garante que não se arrepende.

Desde pequeno, as culturas que conviveram na minha vida foram a brasileira e a basca, não tanto a espanhola, porque na região onde eu vivia existe uma cultura própria. A decisão de representar o Brasil aconteceu um pouco sem que eu estivesse buscando isso. Um dia, encontrei uma mulher que estava esquiando com roupas do Brasil e, junto com meu pai, decidimos conversar com ela. Isso acabou nos colocando em contato com a confederação brasileira, e foi assim que tudo começou. Hoje em dia, estou muito feliz por ter tomado essa decisão, porque acredito que foi a escolha certa.

A esquiadora que, mesmo indiretamente, deu um empurrãozinho para Manex defender o Brasil foi ninguém menos que Mirlene Piccin, a Mika, um dos grandes nomes do esporte de neve brasileiro. Com diversas conquistas no currículo, a atleta se tornou até personagem da “Turma da Mônica”.

Apesar de estar na Europa desde pequeno, Manex tem a língua portuguesa presente no dia a dia. E, quando visita o país natal, aproveita para fazer uma espécie de tour gastronômico.

O que eu mais gosto quando vou ao Brasil é aproveitar a comida, porque há várias coisas -como a tapioca, o açaí, o pão de queijo e diferentes tipos de sucos- que não consigo encontrar na Espanha. Também costumo ouvir muita música brasileira e, em casa, falamos português entre todos, por isso sempre me senti muito ligado à cultura brasileira.

Manex já defendeu o Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude Lausanne-2020 e foi o melhor sul-americano em todas as provas disputadas, batendo todos os recordes brasileiros de pontos FIS nos Jogos Olímpicos da Juventude.

Ele foi ainda o primeiro brasileiro a disputar quatro provas nos mesmos Jogos Olímpicos de Inverno, em Pequim-2022., e melhor pontuação FIS da história do Brasil entre os homens: 81.36 na Copa do Mundo de Oberhof, em 2026.

O que mais ele falou?

Quais as expectativas para Milão-Cortina?

“A verdade é que não tenho um resultado específico em mente, porque acredito que ainda não estou no nível dos melhores do mundo. Mas acho que estamos no caminho certo e gostaria de não ficar muito longe dos 40 primeiros colocados”.

Como é sua rotina de treinos atualmente?

“Hoje em dia, a minha rotina de treinos mudou bastante em relação àquela época. Atualmente, treino todos os dias, geralmente — ou quase sempre — de manhã e à tarde. Normalmente combino uma sessão de esqui pela manhã e, à tarde, duas ou três vezes por semana, faço um treino de força na academia. Nos outros dias, a sessão da tarde pode ser um treino de esqui mais leve ou uma corrida leve. No verão, usamos muito os rollerskis e também a bicicleta, para conseguir acumular mais horas de treinamento”.

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