29/06/2021

Educador físico atravessa maior praia do mundo e narra experiência em livro: “corri risco de vida”

Por Noelle Neves em 29/06/2021 às 10:44

O educador físico, escritor e ex-aluno da Unisanta, Gustavo Sbrana Sciotti, de 31 anos, passou por uma experiência transformadora no início de 2019: durante 10 dias, carregou 27 kg, em uma jornada para cruzar a praia do Cassino, considerada pelo Guinness Book, a maior do mundo.

Os 220 km de travessia do Rio Grande a Barra do Chuí mudaram a vida de Sciotti e o inspiraram a escrever um livro intitulado “Abismo Horizontal”, onde narra a expedição dolorosa e gratificante vivida.

Amor por aventuras e natureza

Gustavo não se lembra exatamente quando o amor pelo mundo natural começou, mas se precisasse datar, poderia dizer que “desde sempre”. Apesar de estar o tempo todo em trilhas, viagens e buscando as mais diversas aventuras, só em 2012, começou a compreender o quão rica é a natureza do Brasil e quantos locais incríveis e pouco conhecidos existiam para serem explorado.

Na ocasião, estava no Jalapão, em Tocantins, e se apaixonou pelas belezas naturais. E após a experiência, decidiu que iria viajar com mais frequência, especialmente no Brasil.

“Embora eu já tenha visitado alguns países e essa vontade também seja muito grande, sempre tive um interesse maior em conhecer primeiro o Brasil. Minhas viagens são minuciosamente estudadas. Tenho uma preferência por locais menos conhecidos e estruturados, pois costumam ser mais preservados (ao menos em teoria). Gosto muito de desafios. Quanto mais distante e de mais difícil acesso for, mais me instiga a conhecê-lo”, contou o educador físico ao Santa Portal.

Foto: Arquivo Pessoal

Maior praia do mundo

Duas tentativas foram necessárias para que Gustavo conseguisse atravessar a maior praia do mundo. Na primeira vez, percorreu apenas 130 km. De acordo com ele, os elementos da natureza, alguns traumas psicológicos e o estado físico o forçaram a desistir.

“Ali eu vi que, por mais preparo físico que eu tivesse (e de fato treinei bastante), era minha mente que precisava estar treinada e blindada para suportar tudo ao qual seria exposto”, explicou.

Na segunda tentativa, no início de 2019, foi muito diferente. “Além de percorrer os 220 km da praia, ainda explorei a Reserva do Taim, que faz paralelo com a praia, e na Lagoa Mangueira. No total, essa jornada deu 240 km”, contou.

A vontade de realizar a expedição na Praia do Cassino veio após realizar uma longa viagem pelo Brasil. Gustavo precisou enfrentar diversas situações adversas, mas, estranhamente, o fez buscar por um desafio maior.

Segundo ele, as jornadas com “perrengue” têm mais representatividade e significado forte. Com isso, iniciou a preparação para enfrentar o percurso que colocou sua vida em risco.

“Treinei o físico e a mente. Estava pronto para suportar até o pior dos infernos na luta por aquela tão sonhada conquista. Tive ferimentos terríveis nos pés e nos ombros. Passei por situações críticas sem poder pedir ajuda correndo, inclusive, risco de vida. Mas ao mesmo tempo, aprendi lições e tive momentos incríveis”, definiu.

Para ele, a experiência foi transcendental e capaz de mudar sua vida. Independente dos percalços, pareceu um retiro espiritual e de autoconhecimento. A expedição o ensinou sobre força, gratidão e resiliência, o que aplica no cotidiano.

Experiência do educador físico foi imortalizada

De acordo com o ex-aluno da Unisanta, a Travessia da Praia do Cassino até a Barra do Chuí é incomparável. Um lugar ermo e extremo onde tudo parece ser mais intenso. Onde as coisas mudam em questão de segundos numa imprevisibilidade que impressiona.

“O cenário é muito parecido em boa parte do trajeto: mar de um lado e dunas do outro. E isso mexe muito com a cabeça, pois por mais que você se esforce, parece mal ter saído do lugar. É preciso muito foco e força de vontade para progredir. Embora tenha ares de deserto, a praia surpreende com sua biodiversidade”, descreveu.

Diversos animais podem ser vistos, até porque, em paralelo à faixa de areia, existe uma área de alagados conhecida como “Pantanal Gaúcho”. Facilmente se vê capivaras, diversas aves, cachorros do mato e roedores menores. Com sorte, é possível ver também cobras e jacarés. E no mar, lobos e leões marinhos, assim como botos e, com muita sorte, uma ou outra baleia. ”É um clima de extremos, condizente com sua localização, no extremo sul do Brasil”, disse.

Além de admirar de perto a natureza, ainda revela ter tido o prazer de conhecer pessoas incríveis. “Claro que há perigo, é preciso estar atento e preparado. Em diversos momentos você se vê num local demasiado distante da civilização, isolado e sem sinal de celular. E nunca se sabe quem pode aparecer pelo caminho”.

Tudo o que viveu só poderia resultar em uma coisa: um livro.

Foto: Arquivo Pessoal

Abismo Horizontal

A ideia de escrever um livro já existia na cabeça do educador físico há alguns anos. Como viveu muitas experiências viajando de mochila pelo Brasil, queria compartilhá-las com o mundo. Assim, aliou a bagagem na estrada e na natureza, com o fato de gostar de escrever, e assim nasceu o “Abismo Horizontal”.

“Uma trama que fala sobre aventura, mas vai muito além do diário de bordo de um viajante solitário. Trago uma história de superação, falo sobre a luta por um sonho, sobre não desistir mesmo nas piores circunstâncias imagináveis e, acima de tudo, sobre o poder incrível da nossa mente”, resumiu o autor.

 A ideia do livro é proporcionar uma leitura agradável e, principalmente, trazer inspiração. Além, é claro, de mostrar esse pedaço tão incrível quanto pouco conhecido do nosso país.

O livro está sendo vendido no Brasil e em Portugal, tanto em formato físico, quanto em formato digital. Pode ser encontrado na Martins Fontes, Cultura e Amazon, além de outras livrarias espalhadas no país.

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