Edgar Morin foi o humanismo em pessoa, diz Emmanuel Macron
Por Henrique Artuni/Folha Press em 30/05/2026 às 13:15
Morreu, na sexta-feira, um dos maiores pensadores do século 20, o francês Edgar Morin, que se tornou mundialmente famoso como filósofo, sociólogo e autor de cerca de 70 livros. Ao longo da madrugada, conforme amanhecia na França e a notícia se espalhava pelos principais veículos do país, Morin foi celebrado por importantes autoridades, a começar pelo presidente Emmanuel Macron.
“Soldado da Resistência, militante e libertado, escritor e pensador do século, defensor da natureza e dos povos, Edgar Morin era o humanismo em pessoa”, escreveu o governante nas redes sociais, junto de uma foto com o pensador. “Com sua benevolência, sua curiosidade, ele não parava de nos iluminar. Pensamento complexo, vida fecunda, espírito universal. Dirijo aos seus entes queridos as condolências da nação.” A ministra da Cultura, Catherine Pégard, por sua vez, descreveu Morin como um “combatente incansável da liberdade”.
O ex-presidente francês François Hollande também afirmou que Morin o iluminou ao longo do século passado. “Buscou durante toda a sua vida para onde ia a humanidade, fornecendo-lhe as chaves para a compreensão de sua evolução. Ele construiu suas reflexões ao tomar emprestado de todas as disciplinas científicas”, escreveu.
O ex-ministro da Educação Jean-Michel Blanquer, que escreveu com Morin a obra “Quelle École Voulons-nous?” -que escola queremos?-, em 2020, afirmou que o filósofo confrontava suas ideias com o que era diferente em discussões que podiam demorar horas.
O diplomata Dominique de Villepin, que foi premiê francês entre 2005 e 2007, lembrou ainda legado intelectual do autor. “A morte de Edgar Morin nos deixa órfãos de uma voz rara: a de um homem que nunca renunciou a pensar a humanidade em toda a sua complexidade. Ele nos lega a esperança de uma política de civilização capaz de reconstruir um mundo desmoronado”, escreveu. “Seu pensamento nos abre o caminho. Sua voz, tão amigável e fraterna, nos acompanhará por longo tempo.”
Já Jean-Luc Mélenchon, do França Insubmissa, líder da esquerda radical no país, lembrou dele como um “antifascista, resistente, teórico da complexidade” e que “lúcido, benevolente, pensador, aos 102 anos, tomou parte nos protestos contra o massacre dos palestinos em Gaza.”