06/03/2026

Dólar e Bolsa caem com conflito no Oriente Médio e dados de emprego dos EUA; Petrobras dispara

Por Folhapress em 06/03/2026 às 15:52

O dólar reverteu os ganhos da manhã desta sexta-feira (6) e passou a operar em queda, ainda que o conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, no Oriente Médio, siga no radar dos investidores.

O ”payroll”, principal relatório de empregos dos Estados Unidos, também norteia as negociações.

Às 13h38, a moeda norte-americana caía 0,43, cotada a R$ 5,265. Já a Bolsa tinha variação negativa de 0,05%, a 180.371 pontos, reduzindo perdas em meio à disparada das ações da Petrobras.

O mercado de trabalho dos Estados Unidos surpreendeu negativamente analistas em fevereiro. No mês, foram fechadas 92 mil vagas de trabalho, informou o Departamento do Trabalho. Economistas consultados pela Reuters previam a criação de 59 mil vagas.

Além disso, houve uma revisão dos dados do mês de janeiro. Em vez de 130 mil vagas, como reportado anteriormente, foram criadas 126 mil. A taxa de desemprego subiu para 4,4% em fevereiro, de 4,3% em janeiro.

Os dados exercem pressão sobre o dólar por elevarem temores da economia norte-americana estar desacelerando. Isso pode reforçar a tendência do Fed (Federal Reserve), banco central dos EUA, a antecipar cortes de juros, o que desvaloriza a moeda americana.

“Esse ambiente cria um desafio relevante para o Fed e retoma um debate que vem ganhando força desde 2025: o aumento das incertezas em torno da economia e da moeda americana”, diz Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX.

O conflito no Oriente Médio também permanece no radar. Apesar do resultado do payroll, a guerra entre EUA e Israel contra o Irã continua impactando os preços.

“O cenário permanece marcado por elevada incerteza. A escalada do conflito envolvendo o Irã, com potencial impacto sobre preços de energia e inflação global, adiciona um novo elemento de risco ao ambiente macro, deixando o Fed diante de um quadro mais complexo”, diz Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

Principal catalisadora para as movimentações globais, a disparada do petróleo representa um risco de repique inflacionário. No Brasil, distribuidoras e refinarias começaram a repassar a alta de custos aos clientes.

O Irã responde por 3% da produção global da commodity, mas detém ainda mais influência sobre o mercado de energia por causa de sua posição estratégica às margens do estreito de Hormuz, via por onde passam 20% de todo petróleo e gás do mundo.

A campanha dos Estados Unidos e Israel contra o Irã tem se intensificado. Nesta manhã de sexta, Israel disse que 50 de seus caças destruíram o que havia sobrado do bunker de Ali Khamenei, ex-líder supremo do Irã, morto no último sábado (28). Foram lançadas cerca de cem bombas no local, que estava sendo usado por autoridades iranianas.

Na noite de quinta (5), o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, afirmou que “o poder de fogo sobre o Irã e Teerã está prestes a aumentar dramaticamente”.

Em paralelo, Trump afirmou que poderia enviar a Marinha para escoltar petroleiros pelo estreito de Hormuz. A retórica, porém, foi contestada pela Guarda Revolucionária do Irã, que disse que o país controla a passagem pelo canal. “Atualmente, o estreito de Hormuz está sob controle total da Marinha da República Islâmica”, disse na quarta.

O Qatar ainda suspendeu a produção de gás natural liquefeito, levando ao fechamento preventivo de instalações de petróleo e gás em todo o Oriente Médio. A produção do país representa cerca de 20% da oferta global.

O conflito, que tem ganhado cada vez mais contornos de guerra regional, respinga também em empresas do mercado de energia. Duas refinarias de petróleo na China e na Índia chegaram a fechar suas unidades de petróleo bruto após a interrupção no abastecimento, já que ambos os países dependem de importações do Oriente Médio.

As movimentações do mercado de energia valorizaram empresas ligadas ao setor na Bolsa brasileira, como Braskem, Prio e Brava. O destaque do dia, porém, é a Petrobras, em disparada de mais de 5% após divulgar o resultado do último trimestre do ano passado.

A estatal divulgou lucro líquido de R$ 110,1 bilhões em 2025, alta de 200,8% no comparativo anual, sustentado por aumentos de produção, vendas e exportações e maior eficiência operacional, e a despeito de uma queda dos preços do petróleo ante 2024, para uma média de US$ 70 por barril, de acordo com o balanço.

“Quem apostar contra a Petrobras vai perder”, comentou a presidente da companhia, Magda Chambriard.

Nos demais mercados globais, o movimento é de recuo. O índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, caiu 1,1%. Nos EUA, os três maiores índices também estavam em baixa, com Nasdaq registrando perda de 0,84%, Dow Jones, de 1,2%, e S&P 500, de 1,11%.

loading...

Este site usa cookies para personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Conheça a nossa Política de Cookies.