Corinthians estima obter R$ 118 mi com vendas nesta janela, mas impõe regra
Por Fábio Lázaro / UOL/Folhapress em 17/05/2026 às 13:47
O Corinthians trabalha com a necessidade clara de realizar vendas na próxima janela de transferências. Internamente, a expectativa é arrecadar ao menos 20 milhões de euros (R$ 118 milhões) com negociações de jogadores no meio do ano.
Isso, porém, não significa que o clube esteja disposto a negociar atletas a qualquer custo. A diretoria busca conciliar a necessidade financeira com a manutenção da competitividade esportiva do elenco.
GANGORRA CORINTIANA
O técnico Fernando Diniz já deixou claro nos bastidores que, embora reconheça as limitações do grupo, acredita na possibilidade de conquistar objetivos importantes com o elenco atual. O entendimento interno é que o projeto esportivo passa diretamente pela manutenção da base considerada titular.
Por isso, apesar de admitir a possibilidade de negociar atletas valorizados, o Corinthians tenta priorizar saídas consideradas menos prejudiciais esportivamente. Jogadores como Hugo Souza, Matheuzinho e Yuri Alberto, por exemplo, são vistos internamente como peças de reposição mais complexas no elenco atual. Os três já receberam sondagens do mercado internacional.
Neste momento, André e Breno Bidon aparecem como os principais candidatos a uma eventual negociação. Apesar da pouca idade, ambos são considerados atletas com possibilidade de reposição dentro do próprio elenco. Além disso, o perfil jovem é visto justamente como um atrativo relevante para clubes do exterior.
Ainda assim, o Corinthians trabalha com valores estipulados para todos os atletas do elenco. Internamente, a avaliação é de que qualquer proposta que atinja os números definidos poderá resultar em negócio, inclusive por jogadores cuja venda não seja tratada como prioridade.
PENSAMENTO EM REPOSIÇÃO
Caso alguma saída seja concretizada, a ideia do Corinthians é reinvestir no elenco, ainda que por meio de jogadores sem custos de transferência. A avaliação da diretoria é que as negociações também podem aliviar a folha salarial, permitindo a chegada de atletas do mesmo setor e características, mas com custo inferior ao dos jogadores negociados.
O clube também tenta viabilizar negociações envolvendo atletas de segunda e terceira prateleira, principalmente em mercados alternativos. Para isso, o Corinthians contratou recentemente o analista Gabriel Correa, com a missão de ampliar a exposição de ativos do clube no mercado internacional.
PRESSÃO POLÍTICA
Paralelamente, existem alas políticas com forte influência sobre o presidente Osmar Stabile que defendem um corte mais agressivo nos custos do departamento de futebol para equilibrar as finanças no médio e longo prazo. Internamente, há quem considere necessária uma redução de gastos mesmo que isso impacte diretamente no projeto esportivo.
Também existe preocupação em relação ao déficit de R$ 131 milhões registrado no primeiro trimestre, muito em função da ausência de vendas de jogadores. Por isso, o clube admite a possibilidade de ampliar a meta de arrecadação com transferências na revisão orçamentária prevista para o meio do ano.
Atualmente, o planejamento prevê arrecadação de R$ 151 milhões com negociações de atletas na temporada 2026. Nos bastidores, porém, já existe a possibilidade desse montante praticamente dobrar e chegar próximo de R$ 300 milhões.
Caso isso aconteça, a diretoria entende que o cumprimento da meta deixará de depender de uma única venda de grande impacto. Para atingir o valor, serão necessárias duas a três negociações relevantes na próxima janela.