Congresso Brasileiro de Medicina Física e Reabilitação vai até domingo em Santos

Por Santa Portal em 17/04/2026 às 16:00

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Médicos fisiatras referências no Brasil e no exterior estão reunidos no 30º Congresso Brasileiro de Medicina Física e Reabilitação, que começou nesta sexta-feira (17) e será realizado até domingo (19), em Santos, no litoral de São Paulo.

Em seu primeiro dia, nesta sexta, o evento reservou a conferência sobre a polilaminina, em que as pesquisadoras à frente do estudo, a bióloga Tatiana Lobo Coelho de Sampaio e a médica fisiatra Denise Xerez, abordaram para um auditório lotado as perspectivas de regeneração em trauma raquimedular com o uso desta forma polimerizada da laminina.

Organizado pela Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação (ABMFR), entidade representativa dos médicos fisiatras no Brasil, o Congresso reúne palestras, cursos, simpósios e workshops, abordando os diversos aspectos da área, com a presença de grandes nomes da medicina nacional e internacional, além de profissionais de equipes multidisciplinares envolvidas na reabilitação no Brasil.

Pesquisadora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), dra. Tatiana atua diretamente no estudo básico e translacional do composto, liderando o desenvolvimento científico da polilaminina e sua aplicação em modelos experimentais.

Professora aposentada da Faculdade de Medicina da UFRJ, dra. Denise é referência em reabilitação de lesões medulares, AVC e uso de toxina botulínica. No estudo da polilaminina, está envolvida na interface clínica, contribuindo para a análise dos desdobramentos terapêuticos e das possibilidades de aplicação em pacientes, além de participar ativamente das discussões sobre protocolos e segurança.

Para o presidente da Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação (ABMFR), o médico fisiatra Celso Vilella Matos, a conferência foi oportunidade única para as pesquisadoras exporem com mais detalhes o estudo, seguido de discussão com os médicos fisiatras do Brasil e de outros países.

“Está interação permitiu que todos tivéssemos uma análise crítica, multidisciplinar e internacional sobre o uso da polilaminina, que se mostra uma das abordagens mais inovadoras no tratamento do trauma raquimedular, e os caminhos da medicina regenerativa aplicada à reabilitação”, afirmou dr. Celso.

O trauma raquimedular afeta cerca de 15 mil brasileiros por ano e mais de 250 mil pessoas vivem com sequelas no país, segundo estimativas epidemiológicas recentes.

A polilaminina é uma versão reorganizada em laboratório da laminina, proteína presente no corpo humano e importante na organização dos tecidos e no desenvolvimento do sistema nervoso. A proposta é que, aplicada diretamente na área lesionada da medula durante cirurgia de descompressão, funcione como uma estrutura de suporte para orientar o crescimento dos neurônios e facilitar a reconexão das vias nervosas.

Os protocolos divulgados envolvem lesões medulares torácicas agudas classificadas como completas (ASIA A), ocorridas há menos de 72 horas. Nesses casos, há ausência de função sensitiva e motora abaixo do nível da lesão. Casos incompletos (ASIA B, C ou D) têm maior probabilidade de recuperação espontânea parcial, o que tornaria ainda mais difícil medir eventual efeito adicional da substância.

Para o tratamento com a polilaminina ser comprovado é necessário que o estudo passe por três fase. A Anvisa autorizou a fase 1, quando os pesquisadores avaliam segurança e possíveis efeitos adversos. A eficácia será testada formalmente nas fases 2 e 3, com número maior de pacientes e comparação com tratamento ouro padrão. É necessário, portanto, seja realizado ensaio clínico randomizado, controlado e revisado por pares demonstrando eficácia em humanos para a aprovação de uso por pacientes.

Realizado no Santos Convention Center, o Congresso reúne outros temas de grande relevância para a reabilitação dos milhões de brasileiros com deficiência, como:

• Terapias com Cannabis aplicadas à reabilitação
• Distúrbios de movimentos
• Reabilitação neurológica, com foco em lesões encefálicas e medulares
• Espasticidade e uso de toxina botulínica pós AVC
• Dor crônica e procedimentos minimamente invasivos
• Reabilitação musculoesquelética e esportiva
• Doenças raras e condições neuromusculares
• Reabilitação geriátrica e sarcopenia
• Reabilitação oncológica e cuidados integrados
• Neurofisiologia clínica e neuromodulação
• Tecnologias emergentes, como robótica e telerreabilitação

A programação também enfatiza o papel crescente da inovação tecnológica na prática clínica, com destaque para o uso de exoesqueletos, inteligência aplicada à reabilitação e ferramentas de diagnóstico funcional avançado — tendências que vêm transformando a abordagem terapêutica e ampliando a funcionalidade dos pacientes.

Um dos diferenciais do congresso é a forte presença de equipes multidisciplinares, reunindo não apenas médicos fisiatras, mas também fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos e outros profissionais envolvidos no cuidado reabilitacional.

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