Casal recolhe alimentos não utilizados na feira e doa para desabrigados em PG

Por Noelle Neves em 22/07/2021 às 12:27

Alex Sandro Barros Gonçalves da Silva, de 38 anos, e Karine Silva Gama, de 22 anos, decidiram mudar a vida de pessoas em situação de rua com uma simples ação: recolhendo alimentos bons descartados nas feiras livres e fazendo entregas em Praia Grande.

De acordo com Karine, tudo começou quando o marido começou a trabalhar nas feiras. No dia a dia, observou que frutas e legumes eram deixados de lado, mesmo sendo boas para o consumo, então decidiu levar para casa.

“Nossa vida é difícil. Não temos muito em casa. Improvisamos um armário com uma mesa antiga. À princípio, os alimentos eram só para nós. Mas me sensibilizo por quem não tem onde morar e precisa enfrentar frio e fome. Como vivemos a dificuldade, entendemos. Então, higienizo tudo e separo o que há de melhor”, contou em entrevista ao Santa Portal.

Além dos itens da feira, o casal procura doar pão, roupas e outros itens necessários para a população de rua. No entanto, como os dois não têm ajuda, as entregas são limitadas. “Apesar da grande repercussão, principalmente porque em abril o Alex salvou um bebê engasgado, somos só nós. Eu e meu marido estamos desempregados no momento, então buscamos ajuda para poder agregar na vida de mais pessoas”, disse.

Os interessados em participar das ações ou ajudar Karine e Alex de outras maneiras podem entrar em contato através do Whatsapp (13) 99684-7403.

Bebê engasgado

Em abril deste ano, enquanto trabalhava como gari, Alex salvou um bebê engasgado na Vila Tupi, em Praia Grande. Na ocasião, ele ouviu a mãe gritando desesperada para que alguém salvasse o filho e ajudou.

Alex relata que estava limpando a Rua Javaés após a feira livre, quando ouviu os gritos da mãe. “Ela estava gritando no meio da rua desesperada, com a criança no braço, balançando, e pedindo pelo amor de Deus. Aquilo me chamou a atenção, foi por instinto, né? Parei o que eu estava fazendo, fui lá e peguei a criança”.

De acordo com ele, o bebê devia ter, no máximo, três meses de vida. “Era uma criança bem pequena. Peguei ela, virei de bruços, e coloquei os dedos para poder liberar as vias aéreas dela, e dei umas dez palmadinhas nas costas, na décima vez vi que saiu um líquido da boca dela, provavelmente ela engasgou com o leite”.

Aliviado, o gari disse ter se sentido bem por ter estado no lugar certo, na hora certa, para poder ajudar a criança.

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