02/05/2026

Campeão de roubos e furtos em SP, Pinheiros tem 23 celulares levados por bandidos todos os dias

Por Leandro Machado e Marina Pinhoni/Folhapress em 02/05/2026 às 17:13

Divulgação/SSP
Divulgação/SSP

O bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, é novamente o campeão de roubos e furtos de celulares na cidade nos três primeiros meses de 2026. Foram registradas 2.061 ocorrências desses crimes na delegacia local, o que representa uma média de 23 casos por dia. Trata-se de uma alta de 8% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados são da SSP (Secretaria da Segurança Pública).

A explosão desses crimes na capital se tornou um dos principais focos de críticas à gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tentará a reeleição em outubro. Embora 25 distritos da cidade tenham registrado aumento de casos, como Pinheiros e Consolação— os dois primeiros do ranking—, o número total da cidade teve queda de 9% no trimestre.

No alvo de ladrões de bicicleta ou moto algumas vezes armados, moradores, comerciantes e frequentadores de Pinheiros relatam uma rotina de violência nas ruas do bairro. Também dizem viver em preocupação e vigilância constantes para não entrar nas estatísticas oficiais da criminalidade.

“Precisamos mudar o ‘mindset’ e aceitar que Pinheiros é perigoso mesmo. Estou sempre pensando que alguém vai tentar levar alguma coisa”, diz Marcello Palladini, 57, dono de um restaurante na rua Fradique Coutinho. Nos últimos meses, ele percebeu uma mudança no comportamento dos pedestres. “As pessoas entram no restaurante, respondem uma ou outra mensagem, guardam o celular de novo e vão embora”, diz.

Na terça passada, por exemplo, dois motoqueiros tentaram furtar seu celular na calçada da frente, mas ele conseguiu se safar a tempo. “O zelador do prédio do lado gritou: ‘Marcello, olha o celular. Eu coloquei no bolso, e os motoqueiros passaram voando”, disse. Dias antes, um morador do prédio também foi vítima de um assalto com motoqueiros armados.

No início da tarde desta sexta-feira (1º), feriado do Dia do Trabalho, as calçadas do bairro estavam lotadas de clientes de bares e restaurantes. Vias mais movimentadas, como a rua dos Pinheiros e a Artur de Azevedo, também tinham seguranças particulares nas calçadas. “A gente orienta os clientes a não usarem o celular”, diz uma funcionária de uma sorveteria, que preferiu não se identificar.

Já o taxista Aparecido Rafaldini, 77, é testemunha frequente dos assaltos na rua Artur de Azevedo. Quando alguém é roubado perto de seu ponto, costuma pedir ajuda a ele. “Na semana passada foram dois aqui, sempre de motoqueiros. Uma moradora até usou meu celular para ligar para o pai. Ela tinha acabado de comprar o iPhone nos Estados Unidos”, conta.

Bairro com prédios de alto padrão e restaurantes famosos, Pinheiros vem liderando seguidamente o ranking de roubos e furtos na cidade. No primeiro trimestre do ano passado, também ocupou a primeira posição, assim como no balanço do ano completo de 2025.

Em toda a cidade, segundo a Secretaria da Segurança Pública, foram registrados 37.216 ocorrências de roubos e furtos de celulares no primeiro trimestre deste ano, sendo 24.183 furtos e 13.033 roubos.

A análise da reportagem considera os dados de boletins de ocorrência disponibilizados pela pasta na última quinta-feira, com remoção de duplicatas. Como é possível que mais de um celular tenha sido subtraído na mesma ocorrência, o número de aparelhos pode ser mais alto que o número final de registros.

Números à parte, o governo Tarcísio tem tentado reagir à repercussão desse tipo de crime na cidade. Há duas semanas, a Folha de S.Paulo mostrou que jovens de uma gangue estavam gravando os ataques e expondo os vídeos nas redes sociais.

Nas últimas semanas, a Polícia Militar realizou duas operações para tentar coibir os crimes patrimoniais. A última ação ocorreu na sexta-feira, véspera do feriado com grande movimento de veículos nas avenidas da cidade.

Segundo a PM, o objetivo era combater o tráfico de drogas e quadrilhas que quebram as janelas dos carros para roubar os ocupantes. Mais de 900 policiais foram às ruas. Um balanço divulgado na sexta informou que 33 pessoas foram presas, sendo nove procuradas pela Justiça. Seis quilos de droga e 25 veículos foram apreendidos, além de uma arma de fogo.

Segundo o capitão Leonardo Simões, porta-voz da PM, a corporação “está intensificando o combate aos crimes patrimoniais com uma maior presença de viaturas em áreas de grande circulação”. O bairro de Pinheiros, diz ele, costuma ser alvo por causa de seu “público flutuante”, formado por turistas e clientes de bares e restaurantes.

Precisamos mudar o ‘mindset’ e aceitar que Pinheiros é perigoso mesmo. Estou sempre pensando que alguém vai tentar levar alguma coisa

dono de um restaurante na rua Fradique Coutinho

“Bairros como Pinheiros e Consolação têm uma atividade e vida noturna muito ativas, e isso infelizmente acaba atraindo a atenção de criminosos. O crime vai estar aonde as pessoas estão. Nós estamos olhando os dados, vendo essas machas criminais para desenvolver ações de combate. Obviamente, a polícia não consegue estar em todos os lugares o tempo todo. Uma viatura pode passar dez vezes em uma rua, e o criminoso pode atuar quando ela não está passando”, diz Simões, em entrevista à Folha de S.Paulo, nesta sexta-feira.

O capitão também citou o SP Mobile como uma das medidas de combate ao crime. O programa estadual cruza dados de operadoras com boletins de ocorrência para rastrear e recuperar aparelhos roubados. Segundo Simões, cerca de 34% dos celulares rastreados na primeira etapa do programa foram devolvidos aos donos.

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