Bolsas despencam pelo mundo após Irã anunciar fechamento do estreito de Hormuz
Por Folha Press em 03/03/2026 às 15:12
O acirramento das tensões no Oriente Médio e o temor de uma interrupção no fluxo global de petróleo impactam as Bolsas em todo o mundo nesta terça-feira (3). Segundo analistas, a preocupação de que o conflito entre EUA e Israel contra o Irã tem aumentado a busca por ativos de segurança e gerado uma maior aversão ao risco.
O movimento tem como foco o anúncio, feito pelo Irã na segunda-feira (2), do fechamento do estreito de Hormuz, importante rota para o escoamento do petróleo mundial. A Guarda Revolucionária do país ameaçou incendiar navios que tentassem atravessá-lo.
O episódio abalou o otimismo dos mercados globais, com as Bolsas asiáticas acumulando perdas de até 7% e o índice de referência europeu, o Euro STOXX 600, registrando uma das maiores quedas em um ano. No Brasil, o Ibovespa, principal índice do mercado acionário, tomba mais de 3%.
Na China, os principais índices registraram os piores desempenhos em semanas ou meses.
O índice CSI300, que reúne as principais companhias listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 1,54%, e o índice SSEC, de Xangai, desvalorizou 1,43%. Foi o pior resultado de ambos desde 2 de fevereiro.
O índice ChiNext Composite, que reúne startups, caiu 2,57%. O índice STAR50 de Xangai, focado no setor de tecnologia, caiu 5,21%, registrando a pior sessão desde 10 de outubro.
Os mercados de outros países asiáticos também fecharam em queda: Tóquio (-3,1%), Seul (-7,24%), Hong Kong (-1,12%) e Taiwan (-2,2%).
“As pessoas estão reduzindo o risco”, disse Peter Schaffrik, estrategista macro global da RBC Capital Markets. “O mercado parece estar mentalmente fazendo a transição de uma guerra curta para uma guerra longa”.
Na Europa, as principais Bolsas caem mais de 3% nesta terça. O índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, recuava 3,87% às 11h06, a caminho de fechar no maior recuo desde abril do ano passado.
Na época, a Bolsa europeia registrou quedas diárias de mais de 4% em função do anúncio das tarifas comerciais de Donald Trump, presidente dos EUA.
Por volta das 11h, o movimento de queda também era observado nas Bolsas de Frankfurt (-4,03%), Londres (-2,85%), Paris (-3,14%), Madri (-4,91%) e Milão (-4,41%).
“É venda por pânico”, disse Emmanuel Cau, chefe de estratégia de ações europeias do Barclays. “O mercado estava complacente quanto à escala desta guerra [antes do fim de semana].”
As Bolsas dos EUA também estão em queda acentuada, mesmo antes da abertura dos mercados. Os futuros da Nasdaq estavam caindo 2,3% às 8h (horário de Brasília), a Dow Jones desvalorizava 1,76% e o S&P 500 perdia 1,84%.
No Brasil, o dólar disparava 1,74%, a R$ 5,254, enquanto o Ibovespa tombava 3,06%, a 183.513 pontos, às 10h30. A moeda também se valoriza no exterior, com o índice DXY, que mede o desempenho da divisa frente a outros seis pares fortes, subindo 0,73% no mesmo horário.
As tensões também impactam o mercado de commodities, com o petróleo registrando alta de 9% na máxima do dia. Na máxima do dia, o petróleo chegou a ser negociado a US$ 85,10 por volta das 8h, atingindo o maior valor desde 19 de julho de 2024, quando o barril Brent, referência mundial, alcançou US$ 85,35. Os preços do gás na Europa dispararam 36%.
Segundo Bruno Cordeiro, especialista de energia da StoneX, caso os conflitos se mantenham na região, a expectativa é de novas altas. “Os preços do petróleo seguirão avançando, com os consumidores buscando outros fornecedores capazes de suprir parte da sua demanda, encontrando esses no Leste Europeu (Rússia) e América Latina”, afirma.