Biólogo explica por que baleias têm aparecido mortas em praias da Baixada Santista
Por Marcela Ferreira em 14/08/2021 às 06:20
Nos últimos meses, as baleias jubarte têm aparecido nas praias da Baixada Santista, seja vivas, nadando e encantando banhistas, ou mortas, nas areias da região. O fenômeno não é raro nesta época do ano, que é quando acontece a migração da espécie, que tem a Baixada Santista como parte da rota até Abrolhos, na Bahia.
Segundo o biólogo marinho Eric Comin, as jubartes utilizam a costa brasileira como rota migratória no inverno, em busca de águas mais quentes. “Elas saem do Polo Sul, onde as águas congelam, e elas sobem. Vão até a região de Abrolhos, no sul da Bahia, e um pouquinho mais para cima”, conta.
De abril a setembro é a época de migração das baleias. “Em setembro elas começam descer. Então, elas sobem para ter seus filhotes e fazerem o acasalamento em águas mais calmas, mais tranquilo, onde elas vão conseguir também amamentar os seus filhotes. No Sul elas não conseguiriam por conta da água estar congelando.
Ele explica que, há 30 anos, a população de baleias jubarte era de aproximadamente 200 mil, e houve queda neste número devido a diversos fatores ambientais e ação humana. “Com todo o projeto de conservação, de trabalho, de pesquisa, hoje nós temos uma população de aproximadamente 20 mil baleias”.
O aumento da população de jubartes nesta época, de reprodução, faz com que, naturalmente, outras baleias acabem morrendo. “Como está aumentando a população de jubartes significativamente, o número de mortalidade aumentou também. São 20 mil baleias, e é natural a ocorrência de mortes. Como nós estamos em uma época de mar um pouco mais agitado, o mar acaba jogando essas carcaças nas praias, e isso faz parte de um ciclo natural.”
Esses animais que morrem entram na cadeia alimentar de diversos outros seres marinhos, segundo explica o biólogo.
A causa das mortes pode variar, desde as mais naturais àquelas que têm interação com seres humanos. “Muitas vezes não são naturais, é algo relacionado a ação antrópica. Nós temos o lixo, a acidificação dos oceanos, toda questão de poluição. Um outro fator também são as redes de emalhe, redes de pesca, e isso é uma coisa que prejudica muito os animais que ficam enroscados”, diz o especialista.
Comin conta que as redes de pesca possuem âncoras que ficam agarradas ao fundo, então muitos animais podem ficar presos. “A maioria do pessoal que tem embarcação desconhece as normas, muitas vezes o pessoal joga embarcação com motor ligado em cima do animal, podendo machucar, podendo feri-los.”
O biólogo também afirma que, em casos de avistagem de uma baleia jubarte por navegantes, o correto seria acionar as autoridades para controlar a passagem dos barcos, sem cruzar a rota do animal, prevenindo acidentes.
“Existe algumas normas para fazer a avistagem desses animais. Não se pode cruzar a rota do animal, você tem que deixar o animal seguir seu curso, e a avistagem é feita pela lateral do animal, com distância de cem metros, com o motor ligado, mas muitas vezes desengatado. Duas embarcações de cada vez e período de no máximo meia hora. Depois, é só deixar o animal seguir seu caminho”, explica.
Para Eric Comin, a melhor forma de conscientização da população sobre a situação das baleias e preservação da espécie, hoje em dia, é o turismo. “Existe hoje no Brasil o turismo de observação de baleias, que é muito importante para a conservação marinha e para a conservação desses animais”, finaliza.