Baixada tem sete variantes, mas cepa de Manaus é a que mais preocupa, diz especialista
Por Rodrigo Martins em 23/06/2021 às 17:31
A Baixada Santista conta com sete das 20 cepas da covid-19 presentes no Estado de São Paulo. Segundo o infectologista Marcos Caseiro, o percentual de disseminação do coronavírus pela cepa de Manaus é mais preocupante no momento do que o número de variantes da doença.
“Se olharmos mais para trás, temos dados desde abril que apontam a presença dessas variantes. No entanto, o que me chama mais atenção é que essa cepa de Manaus é responsável atualmente por 83% dos casos. Ela surgiu no final do ano passado na região norte do país e engoliu as outras cepas. Para se ter ideia, ela é responsável por 95% dos casos no Brasil”, disse Caseiro em entrevista exclusiva ao #Santaportal.
Para o especialista, esse alto índice de transmissão da variante de Manaus deve causar maior preocupação nas prefeituras da região. “Essa é a situação que mais chama a atenção e não deve mudar muita coisa até termos um avanço maior da campanha de vacinação. Das cepas que circulam pela Baixada Santista no momento, é muito preocupante que tenhamos esse índice alto envolvendo a variante de Manaus, que tem uma enorme capacidade de transmissão”, afirmou.
As cepas que circulam na Baixada Santista são: Manaus, Reino Unido, África do Sul, B1128 e a B1133 (ambas provenientes da Itália), uma do Rio de Janeiro e outra do Peru.
Caseiro ressaltou que, além da variante encontrada no Amazonas, essas outras cepas presentes na região são menos transmissíveis. “Aqui no Brasil, tivemos a entrada da covid-19 no início da pandemia com a B.1128 e B.1133, que tiveram origem na Europa, mais especificamente na Itália. Tivemos a P2, identificada no Rio de Janeiro, mas que não se alastrou com tanta intensidade e não causa grandes preocupações. Ela praticamente desapareceu. Também tivemos as variantes britânica e sul-africana”, lembrou.
Já sobre a cepa peruana, que também está presente dentre os casos registrados na Baixada Santista, o infectologista diz que ela não deve ser considerada motivo de preocupação. “É interessante que ela surgiu na região da Cordilheira dos Andes. Podemos considerá-la uma cepa de ‘interesse’, ela tem se disseminado, mas não pode ser considerada como uma variante com maior poder de transmissão e que cause maiores preocupações”, explicou.