Bad Bunny utilizou bandeira de Porto Rico proibida pelos EUA em 1948 no Super Bowl
Por Folha Press em 10/02/2026 às 17:29
A bandeira que Bad Bunny carregou durante o show de intervalo do Super Bowl não é a bandeira oficial de Porto Rico, território em que nasceu e que pertence aos Estados Unidos, mas uma versão azul clara e que remete ao movimento revolucionário da população. Inspirada por manifestações cubanas e desenvolvida no século 19, a bandeira foi proibida em 1948, quando se tornaram ilegais críticas ao governo americano.
Depois, o tom de azul da bandeira foi trocado por um mais forte, igual ao utilizado na bandeira americana, para simbolizar o controle dos Estados Unidos sobre a região. Na canção “La Mudanza”, Bad Bunny pede para ser enterrado com a bandeira azul clara, pela qual, como ele também afirma, muitos foram mortos.
O detalhe é outro simbolismo da apresentação, a mais vista do evento americano, que defende a cultura latina e denuncia a intervenção americana e recentes políticas anti-imigração num contexto marcado, ainda, pelas ações do ICE, serviço americano que vem perseguindo imigrantes com violência dos EUA.
Sobre os bastidores, inclusive, produtores do show revelaram outros detalhes sobre a realização. Um deles, por exemplo, diz respeito ao gramado que o cantor montou para remeter às paisagens de Porto Rico. Diante da proibição da NFL, organizadora que vetou o uso de mais de 25 carrinhos no estádio da partida, a solução encontrada foi utilizar cerca de 380 pessoas fantasiadas como pedaços de grama.
A apresentação, que também reuniu artistas como Lady Gaga e Ricky Martin, trouxe diversos momentos que exigiram grande planejamento, como quando Bad Bunny escalou um poste sem usar equipamentos de segurança, quando o cantor caiu pelo telhado de uma casa numa transmissão sincronizada a um vídeo gravado previamente, que mostra o artista dentro do espaço em questão, um casamento real e a entrega de um dos Grammys do cantor para um garoto que representava a versão jovem de si mesmo.
“Sinto que este é um momento cultural monumental. Nasci e cresci em Porto Rico e tudo o que eles fizeram culturalmente, sinto que eles captaram perfeitamente”, disse Chris, um dos dançarinos de apoio do show ao portal TMZ. Segundo ele, Bad Bunny acompanhou de perto todos os ensaios.
“Tive a sorte de participar de algo que ficará para a história. Para todas as pessoas que querem fazer coisas depois de mim, sinto que isso foi um marco histórico, mostrando que vocês também podem”, acrescentou Chris.