Atores veem copo meio cheio após 'O Agente Secreto' voltar de mãos vazias do Oscar
Por Vitor Moreno/Folhapress em 18/03/2026 às 09:30
Bruna Marquezine, Antonio Fagundes e Sophie Charlotte estão entre os artistas que celebraram o cinema brasileiro em uma festa realizada nesta terça-feira (17) no icônico edifício Capanema, no centro do Rio. O Oscar do último domingo (15), claro, era um dos principais assuntos nas rodas de conversa.
Mesmo que “O Agente Secreto” tenha voltado de mãos vazias, a percepção geral era de copo meio cheio. Afinal, foram quatro indicações para o representante brasileiro na premiação de Hollywood (sem contar com o paulistano Adolpho Veloso, que concorreu a melhor fotografia por “Sonhos de Trem”).
Para Fagundes, o fato de o filme não ter vencido não significa uma derrota para o cinema nacional. “Eu acho que nós levamos, só de chegar lá nós já levamos”, avalia. O ator, que neste ano estreia “Deus Ainda É Brasileiro”, comenta que a visibilidade internacional é importante, mas que a prioridade da indústria deve ser outra.
“Acho que a gente tem que se preocupar um pouco também de conquistar o público aqui dentro do Brasil, né? Para que a gente não dependa tanto do reconhecimento lá fora para para a gente saber que a gente é bom”, afirma.
Regina Casé, que em 2015 foi uma das vencedoras do prêmio de melhor atriz no festival de Sundance, diz que faz um balanço positivo da campanha de “O Agente Secreto” no Oscar. “A educação audiovisual do brasileiro é impressionante”, comenta.
“O cinema brasileiro é uma vocação e uma paixão, assim como a música música como futebol”, compara. “Eu acho que quanto mais tiver filmes nacionais contando histórias da gente, as pessoas se vendo ali e o cinema sendo possível para todo mundo o que agora também ficou por causa do streaming e tudo isso, ele vai virar música, ele vai virar futebol e o mundo inteiro vai entender o tamanho, a importância do cinema nacional.”
Bárbara Paz, que tentou uma vaga no Oscar de 2021 com o documentário “Babenco”, classificou a campanha como “magnífica”. “Tanto Ainda Estou Aqui como O Agente Secreto fizeram campanhas incríveis porque não adianta só a gente escolher o melhor, a gente tem que ter uma política de como você vai competir”, explica. “Precisa de muito dinheiro e de muita boas boas conexões.”
Com vários trabalhos em Hollywood no currículo, Alice Braga disse que está feliz com a receptividade que os filmes brasileiros estão tendo. “É muito emocionante ver que as pessoas estão curiosas por nossa vida”, afirma.
Ela diz que percebe uma abertura maior das pessoas para a nossa cultura “e o nosso axé”. “A forma que a gente traz, o jeito de atuar, é diferente, porque somos o Brasil, a gente traz um país com a gente”, analisa. “A gente tem que se transformar para mudar ao outro.”
Sophie Charlotte é outra que está animada com o momento do cinema brasileiro. “Meus aplausos para O Agente Secreto, campanha histórica, muitas indicações, uma visibilidade, né, para nossa cultura, para a potência do cinema, da nossa brasilidade”, elogia. Perguntada se gostaria de um dia representar o Brasil no Oscar, ela conta que tem outros sonhos, como roteirizar e dirigir um filme.
Vinicius de Oliveira, que estreou em “Central do Brasil” e viu como funciona uma campanha de perto, lembra que o filme dele não venceu e segue entre os mais importantes do país. “O importante é a gente estar mostrando e exibindo os nossos filmes pro mundo”, diz.
“São dois anos seguidos que a gente está lá, dois anos seguidos que o Brasil acumulou sete indicações, levou um Oscar, o que é maravilhoso”, analisa. “Não é todo o país que leva dois filmes ao Oscars em anos consecutivos.”
Bruna Marquezine, que neste ano acompanhou o Oscar como convidada pela segunda vez, conta como foi ver de perto a festa feita pela delegação brasileira. “Ter o Brasil representado lá já é uma alegria”, diz. “Era muito gostoso olhar em volta e ver vários vários rostos conhecidos brasileiros em todos os cantinhos da festa.”
*O jornalista viajou a convite da Elo