Ativista brasileiro detido em Israel relata tortura após captura em flotilha para Gaza
Por Folhapress em 02/05/2026 às 16:43
O ativista brasileiro Thiago Ávila, detido na quarta-feira (29) em uma flotilha a caminho da Faixa de Gaza, relatou ter sido torturado e espancado em um barco da Marinha israelense, segundo informações da Global Sumud Flotilla.
Thiago e outros três brasileiros que participavam de uma flotilha levando ajuda humanitária à Faixa de Gaza foram capturados pelas forças de Israel em águas internacionais, nas proximidades da ilha de Creta, na Grécia. No total, 175 pessoas, de várias nacionalidades, foram detidas.
De acordo com informações da Global Sumud Flotilla, Ávila e o ativista Saif Abu Keshek foram transferidos para a prisão de Shikma, em Ashkelon, ao norte de Gaza. Ele recebeu uma visita de representantes da Embaixada do Brasil em Israel.
Na sexta-feira (1º), autoridades israelenses informaram que interrogariam Ávila e Abu Keshek, enquanto outros ativistas capturados foram liberados e levados a um porto em Creta.
Em comunicado, a Global Sumud Flotilla disse que membros da embaixada do Brasil em Israel foram proibidos de estar com celulares durante uma visita consular a Ávila.
Aos representantes da embaixada, segundo a organização, Ávila relatou ter sido arrastado de bruços e desmaiado duas vezes por espancamento. Estava com marcas visíveis de violência no rosto e se queixando de dores, principalmente no ombro. Ele relatou também ter sido mantido vendado e em isolamento por mais de dois dias e atualmente está em cela sem janelas.
Ainda segundo a organização, a advogada que participou da visita disse que ele está com o olho esquerdo fechado em virtude do inchaço dos machucados.
Ávila já havia sido preso duas vezes anteriores em flotilhas. Em outra ocasião, os familiares também relataram que ele sofria maus-tratos, ameaças e confinamento em solitária.
Em comunicado, a Global Sumud Flotilla disse que essa prisão é diferente porque Thiago “não enfrenta somente leis imigratórias, mas está sendo ameaçado de acusações inseridas no ordenamento penal israelense”.
O Ministério de Relações Exteriores de Israel escreveu em publicação no X que Thiago Ávila é “suspeito de atividade ilegal”, sem fornecer mais detalhes, e Abu Keshek, “suspeito de filiação a uma organização terrorista”. “Israel não permitirá a violação do bloqueio naval legal a Gaza”, publicou a pasta.
Segundo a Global Sumud Flotilla, Ávila poderá permanecer preso por tempo indeterminado se for formalmente acusado.
Ávila relatou à embaixada que foi interrogado pelo Shin Bet, a agência de inteligência interna israelense, e que disseram a ele que seria interrogado pelo Mossad por suspeita de ligação com organização terrorista. A embaixada do Brasil não foi informada oficialmente sobre as acusações, apesar de suspeitas divulgadas por autoridades israelenses.
O Itamaraty divulgou uma nota conjunta com o governo espanhol condenando o que classificou de “sequestro de dois de seus cidadãos em águas internacionais por parte do governo de Israel” e exigindo o retorno imediato de Ávila e Abu Keshek com garantias de segurança.
“Esta ação flagrantemente ilegal das autoridades de Israel, fora de sua jurisdição, é uma afronta ao direito internacional, acionável em cortes internacionais, e configura delito em nossas respectivas jurisdições”, afirma a nota.