Após grave lesão nos Jogos em Paris, santista campeão paralímpico mira o Mundial
Por Santa Portal em 17/09/2025 às 08:41
Há pouco mais de um ano, mais precisamente no dia 30 de agosto de 2024, os brasileiros que acompanhavam os Jogos Paralímpicos de Paris assistiram uma triste e marcante cena. O taekwondista que representa Santos Nathan Torquato (Fupes/Unisanta) disputava a semifinal da competição e ficava mais perto do bicampeonato paralímpico. Depois de vencer o iraniano por 20 a 10 na primeira luta, ele chegou a abrir 10 a 6 no placar contra o lutador turco, mas uma grave lesão no joelho acabou com o sonho do paratleta, que tem o nome marcado na história do esporte.
Não é exagero, o parataekwondo estreou nos Jogos Paralímpicos na edição de 2021, em Tóquio, e Nathan foi o primeiro campeão da história da modalidade. Mas, dessa vez, as imagens dele correndo com a Bandeira do Brasil deram lugar a cenas de muita dor e sofrimento, precisando inclusive ser carregado para fora da área de luta e impedido de disputar a medalha de bronze paralímpica.
Mas, se no início, as imagens marcantes eram difíceis de ver, hoje ele sente tranquilidade. “Consegui ressignificar este momento difícil, que vai me tornar um atleta mais forte e ainda melhor”, afirmou Nathan, que operou o joelho no mês de dezembro, após o que definiu como um ótimo pré-operatório.
De volta ao mundial
Há cerca de dois meses, ele retornou aos treinamentos e já está focado na disputa do Campeonato Mundial, que será realizado no final de novembro, em local ainda não definido. O retorno é um frio na barriga extra para a disputa. “Porque foram longos meses tratando, muita fisioterapia, focado na recuperação. Mas estou muito animado e feliz por poder voltar para os tatames, vou em busca de resultado, mas principalmente me sentir bem, seguro e sem sentir medo por conta da lesão”.
O campeão paralímpico ressalta que brigará por medalhas. “Já conquistei duas medalhas de bronze em mundiais, quem sabe não consigo dessa vez pintar de ouro”. Sobre os Jogos de Los Angeles, em 2028, ele nem titubeia. “Muito animado e com muita sede de vitória, vai ser difícil tirar esse ouro de mim”.
Reviravoltas na carreira
A participação em um Mundial neste ano após cirurgia realizada em dezembro representa uma trajetória esportiva marcada por reviravoltas, então a briga pelo pódio nunca pode ser descartada quando Nathan entra em ação. Destas reviravoltas da sua carreira, nenhuma mais emblemática do que contar o começo da sua história. Ele nasceu com malformação congênita no braço esquerdo, conheceu o taekwondo aos 3 anos e logo se apaixonou.
O talento era tanto que ele se destacou no taekwondo convencional, se tornando líder do ranking brasileiro e garantindo vaga para o Mundial Cadete no Azerbaijão, viajando após muita luta e dificuldade para poder custear a viagem.
Lá, ele foi impedido de lutar pela organização da competição. Nunca um paratleta tinha chegado tão longe. E quis o destino que no mesmo país, no Azerbaijão, em 2023, ele fosse recebido pelo presidente e a nata da modalidade, sendo premiado como o melhor atleta paralímpico de taekwondo, após a performance em Tóquio.
Representando Santos
Depois da frustração no Mundial, Nathan conheceu o mestre e professor da Fundação Pró-Esporte de Santos (Fupes) Rodney Saraiva, e se ‘jogou’ no recém-criado parataekwondo, de onde nunca saiu da lista dos melhores do mundo. São inúmeras medalhas em Grand Prix por todos os continentes, bronze no Mundial (Istambul/2021 e México/2023), além do bicampeonato nos Jogos Papapan-Americanos (Lima-2019 e Santiago 2023) e no Pan-Americano (2020 – Costa Rica, 2022 – Rio de Janeiro).
Desde o início de sua trajetória paralímpica, ele representa a cidade de Santos, com momentos memoráveis como a chegada no caminhão do Corpo de Bombeiros, carregando a bandeira da Cidade, após o ouro paralímpico e, recentemente, ao assumir uma vaga no Conselho Municipal de Esportes (Comesp), representando e tornando-se a voz dos atletas do Município.
Participou também do programa ‘Campeão na Escola’ da Fupes, em parceria com as secretarias municipais de Educação e Esportes, levando sua história e proporcionando a vivência do esporte para alunos da rede municipal de Ensino.
Psicológico forte
A maturidade de Nathan já é conhecida por todos. No seu maior período afastado longe do esporte, voltou para a faculdade de Administração na Universidade Santa Cecília (Unisanta), leu livros e deu palestras. Teve até participação na abertura do remake Vale Tudo na TV Globo.
Em uma navegada pelas suas redes sociais é possível ver muito mais do que Nathan em pódios, mas passando seus conhecimentos, seus aprendizados e mostrando também sua solidariedade com campanhas de arrecadações.
Próximo do retorno, Nathan expressa gratidão ao diretor médico do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Hésojy Vital da Silva, responsável pela cirurgia, e os fisioterapeutas Marco Antônio Ferreira Alves e Elisa Pilarski. Também agradeceu a Fupes pelo suporte desde o início da carreira paralímpica, o Bolsa Pódio do Governo Federal, Time SP, Empresa Bagagem e Blue Med Saúde.