Acusado de tentar matar supervisor um dia após demissão vai a júri nesta quinta em Cubatão; VÍDEO
Por Santa Portal em 26/03/2026 às 05:00
O Tribunal do Júri de Cubatão, no litoral de São Paulo, realiza, nesta quinta-feira (26), a partir das 9h, o julgamento do soldador Ricardo da Silva, acusado de participação em uma tentativa de homicídio contra o próprio supervisor. O caso ocorreu em agosto de 2024, um dia após o desligamento do trabalhador.
Ricardo foi preso em flagrante sob a acusação de ser coautor do crime, apontado como o motorista do veículo utilizado na fuga e por incentivar o atirador durante a ação. Veja no vídeo abaixo.
O crime aconteceu na manhã de 9 de agosto de 2024. A vítima, que atuava como supervisor, havia participado da decisão de desligamento do soldador, de 43 anos, no dia anterior, por determinação da empresa. Segundo relato, a medida foi tomada porque o funcionário “não respeitava a hierarquia, prejudicando o bom andamento do serviço”.
Na ocasião, o supervisor e colegas deixavam o alojamento onde estavam hospedados, na Rua João Damaso, no Parque São Jorge, e seguiam em direção à Refinaria Presidente Bernardes, da Petrobras, quando foram surpreendidos por um homem encapuzado e armado.
O suspeito efetuou um disparo, que não atingiu a vítima. Em seguida, abriu a porta do automóvel, gritou para a vítima “vou te matar” e a agrediu com duas coronhadas no rosto. O supervisor acertou um chute no desconhecido, que começou a correr.
Durante a fuga, oesse autor virou-se para trás, apontou a arma para a vítima e acionou o gatilho duas vezes, mas o armamento falhou. Ele correu até um Fiat Toro branco estacionado do outro lado da rua.
O supervisor e os seus colegas se aproximaram do carro e reconheceram Ricardo como o seu motorista. Antes de o soldador acelerar o veículo e fugir em alta velocidade, conforme a vítima e as testemunhas, ele ordenou ao comparsa armado: “vai, atira, atira”. Contudo, o automóvel arrancou do local sem que fossem efetuados outros disparos.
Acusado de tentar matar supervisor um dia após demissão vai a júri nesta quinta em Cubatão
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Os colegas do supervisor o levaram ao Hospital Ana Costa, onde ele foi submetido a curativos no rosto lesionado pelas coronhadas. Em seguida, vítima e testemunhas compareceram ao 1º DP de Cubatão e relataram os fatos à equipe do investigador Eduardo dos Santos Araújo. Enquanto a vítima permanecia no distrito, o policial soube de um acidente de trânsito sem vítimas envolvendo um Fiat Toro branco.
Essa ocorrência aconteceu na esquina das ruas Bahia e Ceará e, inicialmente, foi atendida por policiais militares, que ignoravam a tentativa de homicídio cometida momentos antes. O investigador entrou em contato com os PMs e pediu para que eles conduzissem os ocupantes do carro ao distrito. Ricardo dirigia o veículo e não havia passageiros, sendo levado até o 1º DP de Cubatão.
O soldador foi reconhecido na repartição policial pelo supervisor e pelas testemunhas como a pessoa que deu fuga ao encapuzado armado e ainda o instigou a atirar na vítima. Para o delegado Fábio Szabo Guerra, à época, havia prova da materialidade do delito e “indícios robustos de autoria”, apesar de Ricardo negar participação no atentado.
O Fiat Toro e o celular do autuado foram apreendidos à época. O processo trata de tentativa de homicídio qualificado. A Justiça também determinou a intimação de testemunhas para a sessão do júri.
Defesa sustenta inocência
Em nota, a defesa de Ricardo, representada pelos advogados João Carlos de Jesus Nogueira e Rodrigo Santos Cruz, afirma que o acusado se declara inocente e que pretende demonstrar sua versão dos fatos durante o julgamento.
Segundo os advogados, a expectativa é de que a análise das provas, sob o contraditório e a ampla defesa, leve à absolvição do réu.