Com redução de 66,6%, Santos tem uma das menores taxas de câncer de colo de útero do País
Por Santa Portal em 11/03/2026 às 20:00
Santos apresenta uma das menores taxas de câncer de colo de útero da Baixada Santista, São Paulo e Brasil. Segundo o DataSUS, entre 2005 e 2009, a cada cem mil mulheres em Santos, 10 a 18 tinham contraído essa doença. Hoje, a taxa diminuiu em 66,6%.
Esta e outras informações marcaram o Seminário HPV: Uma Experiência Exitosa no Município de Santos, terça-feira (10), fruto de parceria da Secretaria de Saúde e o Rotary Clube de Santos Boqueirão, integrando a campanha Março Lilás (conscientização sobre o câncer de colo de útero).
De acordo com a Secretaria de Saúde do Município, a principal estratégia por trás do resultado santista é a boa cobertura vacinal contra o HPV, nos últimos anos. Em 2023, 98,31% das crianças e jovens de 10 a 14 anos foram vacinados; em 2024, 97%.
Em 2025, a Cidade superou a cobertura vacinal brasileira contra o HPV. Dados preliminares do Ministério da Saúde mostram que 82% de meninas foram vacinadas, enquanto os meninos somaram 67% no território nacional. Em Santos, a cobertura vacinal, ainda com dados provisórios, aponta a aplicação da dose em 89,4% das meninas e 82,7% dos meninos.
Parceria
A parceria entre as secretarias de Saúde e Educação, por meio do Programa Saúde na Escola, é fundamental para a consolidação desses números. Desde 2023, a vacinação em ambiente escolar é rotina, após sensibilização dos pais e responsáveis, que assinam termo de autorização.
A secretária de Educação e vice-Prefeita, Audrey Kleys, reforça a importância de levar a informação para as famílias de forma clara, científica e com responsabilidade para salvar vidas. “É importante chegar por meio de técnicos que se comprometeram a estudar para que a gente possa gerar a boa ação, como acontece com o programa Saúde na Escola”.
Ana Paula Valeiras, diretora do Departamento de Vigilância em Saúde, apresentou a evolução da vacina no SUS, que iniciou em 2014, mesmo com a relutância da população no início. “Podemos vacinar após o início da vida sexualmente ativa do jovem. Porém, o quanto antes esses adolescentes se vacinarem, haverá garantia maior de prevenção”, declarou, acrescentando que os impactos incluem redução de infecções, queda de verrugas genitais, prevenção de câncer e imunidade coletiva.
O secretário de Saúde de Santos, Fábio Lopez, destaca os resultados positivos da vacinação quando feita em ações pontuais, como os postos itinerantes, e a importância de criar atividades para ir ao encontro da sociedade. “Quantas vezes falamos de óbitos por câncer e quanto a gente anseia por uma vacina contra essa doença. Que nós possamos cada vez mais ampliar a conscientização da sociedade, e com isso ampliar os imunizados e a prevenção efetivamente”.
História
Com o objetivo de disseminar informação sobre o vírus junto a crianças e jovens, o Rotary Clube de Santos Boqueirão criou o Projeto HPV em 2007, quando a vacina não estava ainda disponível no SUS. Na iniciativa, representantes do clube visitam as escolas, distribuem materiais educativos, apresentam vídeos e tiram dúvidas dos estudantes.
“É um movimento de conscientização, informação e, acima de tudo, proteção para nossos jovens e crianças. Cada vacina aplicada representa um passo concreto na construção de um futuro com menos sofrimento e com mais oportunidades de uma vida saudável”, declara Maria Silva Haick, presidente da instituição.
A médica Giselle Cid Perez, coordenadora do projeto, discorreu sobre a luta contra a doença no ensino fundamental. Já a médica oncologista Marta Reinisch Perdicaris recebeu homenagem por ter idealizado a iniciativa. Também participou do seminário o governador do distrito 4.420 do Rotary International, Luiz Antônio Pirolla.
Vacina para todos
Uma pesquisa realizada no Brasil em 2017 mostrou que 50% dos participantes, homens e mulheres maiores de 16 anos, tinham se infectado com algum tipo de HPV. O alerta veio da palestra do pediatra infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações.
Segundo ele, a principal meta da prevenção primária, a vacina, é prevenir o câncer de colo de útero, já que a principal causa dessa doença é a infecção pelo HPV. Porém, a vacina ainda previne os cânceres de vagina, vulva, pênis, cavidade anal e orofaringe.

Foto: Arquivo/Prefeitura de Santos
O médico ainda lamentou os problemas de fake news. “A vacina, que previne uma doença sexualmente transmissível, não busca induzir a iniciativa de uma vida sexualmente ativa aos jovens, e sim uma resposta e resultado mais eficiente no organismo do imunizado antes do jovem ser exposto a essas relações”, explicou, ressaltando estudos de países europeus que acompanharam, por 12 anos, mulheres que tomaram a vacina e continuam protegidas contra a doença.
Expectativa
Atualmente, a vacina contra o HPV disponibilizada pelo SUS protege de quatro cepas do vírus, as que causam verrugas e cânceres. No entanto, já está em estudo a adoção da vacina nonavalente, que protege contra nove tipos, incluindo as lesões precursoras.
A informação foi antecipada por Kfouri, que destacou a transferência de tecnologia realizada por um laboratório alemão ao Instituto Butantan para a produção da nova vacina, que será futuramente distribuída pelo SUS. Atualmente, o imunizante está disponível apenas em clínicas privadas.
Sábado tem posto de vacinação no Novo Quebra-Mar
Dentro do Março Lilás, no sábado (14) Santos terá posto de vacinação itinerante das 10h às 15h, no Novo Quebra-Mar (José Menino).
O objetivo é intensificar a vacinação contra o HPV das crianças e jovens de 9 a 14 anos, além da busca daqueles de 15 a 19 anos que não se vacinaram, mas que neste momento estão elegíveis.
No entanto, todas as vacinas do calendário estarão disponíveis (exceto BCG) para a atualização da carteirinha de toda a família.