São Vicente registra queda de 18% dos casos de sífilis nos últimos cinco anos
Por Santa Portal em 29/01/2026 às 16:00
São Vicente reduziu significativamente os casos de sífilis adquirida e congênita nos últimos cinco anos. De 2020 a 2025, as reduções foram de 16% (sífilis adquirida) e 44% (sífilis congênita), totalizando uma queda de 18%. Os dados foram fornecidos pela Secretaria da Saúde (Sesau).
Segundo a Administração Municipal, o “resultado é fruto de uma série de políticas públicas e projetos de conscientização desenvolvidos, incluindo campanhas de orientação em escolas, vias públicas e locais com alto índice de vulnerabilidade”.
Testagens rápidas, incentivo ao uso de preservativos, revisão de protocolos e monitoramento de todas as gestantes que realizam o pré-natal na rede municipal são algumas das estratégias adotadas pela Prefeitura no enfrentamento da doença.
O Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) desempenha papel fundamental nesse processo, oferecendo testagem para todos os munícipes e encaminhamento para o tratamento adequado. Ambos os serviços estão disponíveis em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e nas Estratégias de Saúde da Família (ESFs). O tratamento da sífilis adquirida é realizado por meio do uso de penicilina benzatina. O atendimento ocorre no próprio local da testagem, seja em uma ESF, UBS ou no CTA.
Além das ações de testagem e tratamento, a redução da sífilis congênita – infecção grave transmitida da mãe para o bebê durante a gestação – é atribuída a um esforço coordenado entre diversas diretorias e profissionais da saúde. O Município conta com um comitê especializado, envolvendo a Atenção Primária, o Programa de Aids, a Maternidade, a Vigilância Epidemiológica, entre outros setores. Juntos, os profissionais discutem e implementam estratégias específicas para a redução da sífilis, criando um sistema de acompanhamento contínuo e integrado.
A gestante realiza o pré-natal nas 26 UBSs da cidade, passo imprescindível para garantir que o diagnóstico seja feito a tempo e que o tratamento adequado seja iniciado, visando à saúde da mãe e do bebê. Durante o pré-natal, são realizados testes de sífilis no primeiro e no terceiro trimestre. Caso o resultado seja positivo, inicia-se o tratamento com Penicilina Benzatina ou Benzetacil, a única medicação que ultrapassa a placenta e trata tanto a mãe quanto o bebê. O tratamento durante o pré-natal é essencial para evitar a sífilis congênita e, quanto mais cedo for iniciado, melhores serão os resultados para a saúde de ambos.
Além disso, a gestante é monitorada para garantir que o tratamento esteja sendo realizado corretamente, acompanhamento que também ocorre na maternidade. Todas as gestantes realizam o teste de sífilis na maternidade.
Se o diagnóstico for positivo, a mãe inicia o tratamento na unidade. No entanto, a criança poderá nascer com sífilis congênita caso a infecção não tenha sido tratada adequadamente durante a gestação. Todas essas informações são acompanhadas pelo comitê por meio de uma planilha de controle, na qual são registrados dados sobre diagnóstico e tratamento.
As Unidades Básicas de Saúde (UBSs) alimentam essa planilha, que é compartilhada com a Vigilância Epidemiológica e a Maternidade. Essa equipe monitora de perto o progresso do tratamento, garantindo a adesão e evitando a transmissão para o bebê. “Esse controle contínuo e a integração entre as diferentes áreas da saúde são essenciais para assegurar que as gestantes cumpram o tratamento e protejam a saúde do bebê”, afirma Samantha Barros Agria Theodósio, coordenadora do Programa Municipal de IST/Aids.
Contudo, caso ocorra a transmissão para o recém-nascido, o tratamento é realizado na maternidade. O bebê passa por exames específicos e permanece internado por dez dias para tratamento com penicilina cristalina, que se diferencia da penicilina benzatina pelo tempo de ação e por ser indicada para casos mais graves, como a sífilis congênita.
“É um esforço coletivo e contínuo, com a participação de toda a rede de saúde, que inclui a Atenção Primária, as maternidades, os serviços de Vigilância Epidemiológica e os centros de testagem”, destacou a médica Maria Luisa David, diretora da Unidade de Saúde da Mulher de São Vicente. “O objetivo é prevenir a transmissão vertical da sífilis, garantindo a saúde tanto da mãe quanto do bebê.”
Projetos e capacitações
Profissionais da rede de saúde passam por capacitações contínuas, garantindo que estejam sempre atualizados sobre as melhores práticas para prevenir tanto a sífilis adquirida quanto a transmissão vertical.
Além disso, a retomada de ações externas, como o Saúde nas Escolas, tem sido fundamental. O projeto realiza atividades de conscientização nas escolas públicas, ampliando o alcance das informações e ajudando a reduzir os casos de sífilis na comunidade. Outro projeto essencial para a redução dos números surgiu da colaboração entre a secretária de Saúde, Michelle Santos, e a instituição de ensino Albert Einstein. Nesse contexto, o trabalho do Município é avaliado e, a partir disso, é traçado um diagnóstico com posterior implementação de melhorias no serviço.
Esse trabalho permite acompanhar se as gestantes estão recebendo o tratamento adequado e se exames periódicos estão sendo realizados para verificar a eficácia do tratamento. Caso necessário, um novo ciclo de tratamento é iniciado, podendo envolver também o parceiro da gestante, caso esteja infectado.
“Esse esforço contínuo visa garantir que as gestantes com sífilis recebam o acompanhamento necessário, prevenindo a sífilis congênita nos bebês. As ações incluem um monitoramento rigoroso e medidas para proteger a saúde da mãe e do bebê, evitando a transmissão da doença durante a gestação”, disse a secretária de Saúde.
Serviços disponíveis
• Distribuição de preservativos em todas as unidades de saúde;
• Testes rápidos de HIV e sífilis, disponíveis nas UBSs e ESFs, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. No CTA (Avenida Quintino Bocaiúva, 1.261, sala 22 – Centro), o atendimento é por demanda livre, de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h. É necessário apresentar documento oficial com foto;
• PrEP: medicamento de uso diário para prevenção do HIV, indicado antes da exposição ao vírus. Disponível no CTA, mediante apresentação de documento oficial com foto;
• PEP: medicamento indicado para pessoas com possível exposição ao HIV nas últimas 72 horas, também disponível no CTA, mediante apresentação de documento oficial com foto.