Morador denuncia cheiro tóxico e suspeita de descarte irregular de óleo em São Vicente: “Acordo sufocado”

Por Santa Portal em 21/03/2026 às 18:00

Arquivo pessoal
Arquivo pessoal

Morador do bairro Gleba II, em São Vicente, no litoral de São Paulo, Everton Almeida, de 45 anos, relata uma rotina que tem tirado o sono, literalmente, de sua família. Segundo ele, todas as madrugadas são marcadas por um forte cheiro tóxico que invade a casa, causando mal-estar, irritação e até dificuldade para respirar.

“Praticamente quase todos os dias, depois da meia-noite, entre 1h e 2h da manhã, sobe um cheiro de amônia enorme do esgoto e da privada. Toma a casa inteira”, conta.

De acordo com Everton, o problema ocorre há meses e afeta diretamente sua esposa e os dois filhos pequenos. “Diversas vezes acordamos sufocados. Já tivemos que sair de casa de madrugada, abrir tudo e ficar esperando o cheiro tóxico sair. Tem noite que vai até 3h, 4h da manhã”, relata.

Ele afirma que, para amenizar a situação, a família recorre a medidas improvisadas. “A gente precisa jogar baldes e baldes de água no ralo e na privada para tentar empurrar esse cheiro de volta. Mesmo assim, demora para melhorar”.

Além do odor, o morador diz ter identificado sinais de possível contaminação na rede de esgoto da região. “Já vi óleo saindo da boca de lobo da rua e também de um suspiro ligado ao encanamento. É um óleo preto, viscoso, parece até petróleo”, descreve.

Segundo ele, o material apresenta cheiro químico intenso e, em alguns momentos, se mistura ao odor semelhante ao de amônia. “Quando está mais forte, se você chega perto do ralo, o olho lacrimeja na hora. Dá dor de cabeça imediata”.

Everton suspeita que empresas próximas, que atuam com coleta de óleo, possam estar descartando resíduos de forma irregular. “São duas empresas aqui perto. Não posso afirmar qual delas, mas é um cheiro químico, não é normal. E sempre acontece de madrugada, o que levanta suspeita”, diz.

Ele também aponta que, em dias de chuva, a situação se agrava. “O cheiro tóxico sai pelo canal, pela rua, pelas bocas de lobo e volta todo pelo encanamento para dentro das casas. Não acontece só comigo, outros vizinhos também sofrem”.

A preocupação, segundo o morador, vai além do desconforto. “É pela saúde da minha família e pelo impacto ambiental. Esse óleo está indo para o rio. Estão acabando com o rio e com a saúde de quem mora aqui”, afirma.

Apesar de já ter havido denúncias anteriores, Everton acredita que faltou aprofundamento na apuração. “Alguém denunciou uma vez, mas não foram a fundo. Isso aqui é visível. Não dá mais para viver assim. A gente não consegue dormir, as crianças passam mal. Alguém precisa fazer alguma coisa”.

Autoridades realizam vistoria

Procurada pelo Santa Portal, a Sabesp realizou uma vistoria no local, na última terça-feira (17), em conjunto com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, confirmando indícios de descarte irregular na rede de esgoto. No momento da inspeção, porém, não foram identificados vazamentos, e o sistema operava normalmente. A companhia afirmou que fará limpeza preventiva na rede.

Já a Prefeitura de São Vicente confirmou que analisou imagens apresentadas por moradores e identificou sinais de extravasamento de substâncias oleosas na rede de drenagem. A origem do material ainda está em investigação, e um relatório técnico será elaborado. Segundo a administração, medidas administrativas, incluindo autuações, poderão ser aplicadas conforme a legislação ambiental.

A reportagem também questionou a empresa American Oil, que já operou no local. No entanto, a empresa afirmou que não está atualmente instalada no endereço mencionado e que não exerce atividades no local citado. A companhia declarou ainda que atua em conformidade com a legislação e que não foi formalmente notificada, mas se colocou à disposição das autoridades.

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