Homem que matou ex-mulher e introduziu cartão na vagina é achado morto na cela
Por Eduardo Velozo Fuccia/Vade News em 08/04/2026 às 10:40
O homem que matou a ex-mulher, introduziu um cartão de crédito em sua vagina e espalhou moedas ao redor do corpo, por não aceitar o fim do relacionamento, foi achado morto na cadeia. A descoberta do feminicídio aconteceu em 20 de janeiro de 2026, no apartamento da vítima, em São Vicente. Manoel Ferro de Melo, de 38 anos, se entregou à polícia dois dias depois e confessou o crime. Ele supostamente se enforcou na prisão.
Apesar de o feminicídio ter ocorrido na Baixada Santista, Manoel encontrava-se na Penitenciária de Tupi Paulista, cidade que fica a 673 quilômetros da Capital, no extremo oeste do Estado, próximo à divisa com Mato Grosso do Sul. Com capacidade para 841 presos, mas abrigando 1.501, conforme contagem de ontem (7), a unidade destinava uma cela exclusivamente para o autor confesso do feminicídio.
A morte de Manoel foi constatada na última sexta-feira (3), sendo comunicada no plantão da Delegacia Seccional de Dracena, município vizinho a Tupi Paulista. Dois policiais penais da unidade prisional relataram que o detento se encontrava sozinho no xadrez e foi achado “enforcado”. O delegado Raimundo Farias de Oliveira registrou o caso como “morte suspeita” e requereu a realização de perícia na cela.
Por meio de nota, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou que abriu procedimento apuratório para esclarecer as circunstâncias da morte do preso, “que foi localizado sem vida na cela que habitava sozinho”. Conforme o comunicado, a direção da unidade adotou as medidas que lhe competia de imediato, como avisar familiares do detento e registrar boletim de ocorrência.
Crueldade
A constatação de que um cartão de crédito havia sido introduzido na genitália da vítima ocorreu durante a perícia no local do crime – um conjunto habitacional na Rua Luiz Ferreira Saturnino, no bairro Samaritá. Proprietária de uma clínica de bronzeamento artificial em São Vicente e mãe de um adolescente, que é filho de Manoel, Bárbara Denise Folha de Oliveira, de 34 anos, foi morta por asfixia mecânica, mediante esganadura.
O corpo da mulher foi encontrado despido e em posição de decúbito dorsal (com as costas para o chão) no único quarto do apartamento. Com 33 anos de carreira, o perito criminal Roberto Ferreira Patella ficou chocado com os requintes de crueldade do crime: “Quando parece que não há mais nada para acontecer, surge uma nova ocorrência que surpreende, causa indignação e choca pela perversidade”.
Em um laudo de 11 páginas, ilustrado com 26 fotografias, Patella descreveu em detalhes a cena do feminicídio. Além de marcas no pescoço compatíveis com esganadura, a empresária apresentava um arroxeado no rosto característico de soco. Próximo ao corpo havia um saco plástico amarelo com manchas de sangue, que pode ter sido usado para acelerar o processo de asfixia, conforme assinalou o perito.
Sempre no radar
Com vasta ficha criminal, Manoel entrou de imediato no radar das investigações. Essa suspeita aumentou após a Polícia Civil apurar que em seu desfavor havia sido decretada medida protetiva da Lei Maria da Penha. Ele devia se manter distante de Bárbara, porque a agrediu e a ameaçava. Na madrugada de 22 de janeiro, o homem se entregou no 49º DP (São Mateus), na Zona Leste da Capital, sendo cumprida a sua prisão temporária.
“Familiares e testemunhas que estavam no local, no dia em que aconteceu o crime, já nos direcionaram ao Manoel, que era o ex-marido dessa vítima, a Bárbara. Acontece que o Manoel tinha um relacionamento muito conturbado com a vítima, ele era adepto da vida criminosa”, informou à época o delegado assistente da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São Vicente, Rogério Nunes Pezzuol.
Responsável pelo inquérito do feminicídio, cuja pena varia de 20 a 40 anos de reclusão, Pezzuol acrescentou: “Ele já foi preso, tinha sido condenado a 19 anos de prisão por diversos crimes, dentre eles roubo à mão armada, porte de arma de fogo. A Bárbara não queria mais relacionamento com ele justamente por esses motivos, mas ele não aceitava o término. O Manoel já havia dito a ela que, caso terminassem, ele a mataria”.*
*Texto por Eduardo Velozo Fuccia/Vade News