CAPS-SV está com falta de atendimento há cinco meses
Por Laila Aguiar em 25/07/2022 às 12:00
O autismo é um transtorno neurológico que gera mudanças no comportamento, alterações na comunicação e dificuldade (ou ausência) de interação social. Para que a criança com espectro autista tenha qualidade de vida é importante ter acompanhamento médico, apoio psicológico e atividades com terapeutas comportamentais e ocupacionais.
O problema é que os autistas, menores de 10 anos, de São Vicente não estão tendo esse apoio. O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) responsável por esses casos, está sem atendimento há cinco meses. Segundo Regiane Bichierov, presidente da ONG Almadem e mãe de autista, o profissional que fazia o atendimento se machucou e, desde então, o CAPS está sem médico.
Além de representante das diversas mães que procuram o serviço na cidade e não encontram, a presidente da ONG vive de perto o drama que essas mães sofrem. O filho, Luiz Miguel Gomes Bichierov Ferreira, 10 anos, foi diagnosticado com autismo com quatro anos, desde então, foi acompanhado por especialistas.
Segundo Regiane, não tem agenda para os médicos que atendem autistas de outras idade e os funcionários do local tentam pegar a receita do medicamento sem o atendimento. “O medicamento do meu filho precisa ser revisto, o remédio está deixando ele gago, sendo que meu filho não é gago”, relata.
Luiz Miguel era atendido no Hospital Guilherme Álvaro, em Santos, mas a mãe decidiu que tiraria o filho do hospital, já que no CAPS em São Vicente, cidade onde mora, o atendimento estava acontecendo. Porém, o menino só contou com alguns meses de atendimento. A mãe chegou a solicitar a volta do menino para o Guilherme Álvaro, mas foi informada que não seria possível, já que ainda consta no sistema que existe médico no CAPS.
Assim como ela, diversas mães sofrem com a falta de atendimento para seus filhos. A presidente da ONG conta que já cansou de reclamar sobre essa situação, de expor para os órgãos público e de ter reuniões com políticos. “Tudo em São Vicente é pela metade, isso já está péssimo. Meu filho não está tendo os direitos dele. É um direito dele, por ser uma criança especial, de ter terapia, medicação, consultas e isso está sendo rompido”.
Procuramos o Ministério da Saúde, mas até o momento não recebemos respostas. Assim que o órgão se posicionar, atualizaremos o texto.
O que diz a prefeitura de São Vicente
A Prefeitura de São Vicente, por meio da Secretaria de Saúde (Sesau), informa que o menino Luiz Miguel Gomes Bichierov Ferreira, de 10 anos, é paciente do Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil II (CAPS II IJ), e que neste ano (2022) passou por consulta com psiquiatra em 6 de janeiro e em 9 de março, com retorno agendado para 12 de agosto, seguindo o esquema terapêutico, conforme consta na evolução clínica registrada no prontuário. Mesmo com o retorno agendado, a Sesau marcou uma reavaliação para a próxima sexta- feira (29), às 13h30.
A Sesau esclarece que a criança foi acompanhada pela equipe multiprofissional do serviço até janeiro de 2021, quando a mãe informou que começaria a trabalhar e não teria como levar a criança às terapias. A Coordenação de Saúde Mental destaca que o serviço continuou disponível ao paciente, e que essa informação consta no prontuário da criança, na unidade.
Sobre o atendimento psicológico, a Sesau informa que o profissional que atende no Caps II IJ está afastado por motivo de doença, sem previsão de retorno. Os casos mais graves estão sendo remanejados para outros psiquiatras que atendem no serviço, de acordo com a avaliação da equipe multiprofissional e com a gravidade do caso. Vale lembrar que pacientes em crise devem ser conduzidos à rede de Urgência/Emergência (Unidades de Pronto Atendimento Parque das Bandeiras e Humaitá, na Área Continental, e Crei, na Área Insular).
O atendimento multiprofissional, incluindo o psicológico, se avaliado como necessário, está disponível no CAPS II IJ.
Vale esclarecer que cada paciente tem um projeto terapêutico singular, que consta no plano de trabalho da equipe.
Sobre o atendimento nas escolas, a Secretaria de Educação (SEDUC) informa que o atendimento nas escolas para o aluno com deficiência é feito na Sala de Recursos Multifuncional com o AEE (Atendimento Educacional Especializado) no contraturno. De acordo com a especificidade de cada aluno, é avaliada a necessidade de disponibilizar, ou não, o profissional especializado, pensando sempre na real inclusão da criança.