Veterinário quer adotar pitbull que atacou criança em Santos

Por #Santaportal em 10/08/2015 às 18:53

SANTOS – O pitbull que atacou a menina Yasmin Teixeira da Costa, de apenas um ano e nove meses, podeeá ser adotado. A história aconteceu no último dia 30 de junho, aonde o cão Kadaffi, que pertencia ao dono da casa onde a menina morava com a família, a atacou e logo após, a menina veio a falecer.

Desde então, o pitbull ficou sob a guarda da Prefeitura Municipal de Santos, na Coordenadoria de Proteção à Vida Animal (Codevida). Por acreditar que a fatalidade é resultado de maus tratos sofridos pelo animal, o médico veterinário e pós-graduado em Saúde Pública, Eduardo Filetti, quer adotar o pitbull e entrou com pedido há quase um mês no Codevida, sem ter qualquer resposta.

O veterinário acredita que é preciso fazer uma análise mais profunda sobre o animal. “Pelas reportagens, é possível ver que o dono do animal o deixava sozinho nesse imóvel, que, pelo que li, estava abandonado até a família se mudar para lá. Pelo nome do animal dado pelo dono, é possível vermos que o mesmo foi educado com violência, por isso reage com violência. É preciso fazer uma anamnese, ou seja, uma análise de comportamento antes de concluir que o animal é violento. Pesquisas internacionais mostram que é muito raro termos cães violentos, a não ser que sejam criados com violência”, pondera.

Filetti defende a ressocialização do animal e é contra a crença de que a raça pitbull é violenta. “Já falaram no passado o mesmo de dobermans. Não é verdade. Eu mesmo tenho três pitbulls e todos são bem dóceis”, conta. Ele ainda diz que já abrigou e arrumou novos lares para mais de 4 mil cães e gatos abandonados.

A experiência em ressocialização vem desde os anos 90, aonde na gestão do ex-prefeito Beto Mansur, um cachorro fila mordeu uma criança e foi recolhido pela Prefeitura, gerando muita polêmica na Cidade. O veterinário pediu ao ex-prefeito a guarda do animal, que foi ressocializado e anos depois, foi adotado por uma família.

O veterinário tem consciência de que este é um tema polêmico. “Claramente o animal causou a tragédia da perda de uma vida humana e o ser humano vai querer a morte do animal. Mas creio que assim como um ser humano que comete um crime, podemos também recuperar um cachorro envolvido em uma tragédia. Afinal, o cão não tem consciência das consequências de seus atos. E todo ser vivo merece uma segunda chance”, explica.

É necessário apuração em um processo investigativo para confirmar se realmente o animal sofria maus tratos. Se for comprovado, o dono do mesmo pode ficar de 1 a 3 anos preso e pagar multa, segundo a Lei de Crimes Ambientais (9.605/98), em seu artigo 32.

Filetti já procurou a secretária municipal de Meio Ambiente, Marise Cespedes para o pedido, que está sendo analisada pelo Codevida. “Espero que o Codevida resolva logo a situação. Não podemos compensar uma tragédia com outra, como a morte do cachorro, como já vi alguns santistas defenderem”.

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