Pai ajuda a fazer parto do próprio filho em Santos: "a situação mais especial"

Por Marcela Ferreira/#Santaportal em 10/04/2021 às 08:09

SANTOS – Letícia Ferreira Lara, que sonhava em ter seu filho, Théo, por parto normal acabou tendo uma história ainda mais emocionante para contar. Isso porque ela e o pai da criança, Silvio Luis Bastos Siqueira Junior fizeram o parto do bebê no banheiro de casa, em Santos. Ela relata que os sinais de que o bebê chegaria surgiram muito rápido, e antes do previsto.

Letícia conta que seu plano era ter uma doula e uma enfermeira obstetra para estar ao lado dela durante o trabalho de parto e ir ao hospital somente quando necessário. “O parto ocorreria no Hospital dos Estivadores. A doula faria seu trabalho me dando um suporte emocional, e a enfermeira acompanharia o bem estar do bebê, e quando seria o momento certo de ir ao hospital. Na fase do hospital, estariam comigo meu namorado e a doula, e o parto seria finalizado pela equipe de plantão do hospital”, conta Letícia sobre seus planos para o parto.

Na última quarta-feira (7), a mãe já estava com 40 semanas de gestação, e o bebê, Théo, havia mexido apenas uma vez. Letícia teria apenas consultas de rotina e iria ao hospital dia sim, dia não para acompanhar a situação.

“Fiz o cardiotoco e o Théo estava ótimo, eu não tinha nenhum sinal que algumas mulheres têm dias antes do parto, como pródromos que podem durar dias, perda do tampão, eu não tinha nada”, relata.

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Chegando em casa após a consulta, ela começou a sentir os primeiros sinais de que entraria em trabalho de parto. Mas como os sintomas eram atípicos, não parecia a hora certa para Théo chegar ao mundo.

“Às 21h30 eu comecei a ter cólicas leves. Por volta das 22h as cólicas começaram a ficar mais fortes. Porém, as dores de contração acontecem quatro dedos abaixo do seio e irradiam pela barriga, a minha estava somente embaixo da barriga e no cóccix. Então, entramos em contato com a enfermeira e a doula. Ela disseram que provavelmente eram pródromos, e que eu deveria tomar um remédio e deitar na cama para cronometrar as contrações, e ver se diminuíam ou não, para saber se de fato eu estava em trabalho de parto”, diz.

Letícia conta que as contrações não eram normais e ritmadas, mas muito próximas umas das outras, depois espaçadas, às vezes longas, e às vezes curtas. “Fui ao banheiro em meio à contração, só estava com a respiração mais ofegante, e comecei a gritar, falei que ele ia nascer. Meu namorado falou para eu me acalmar, e nisso saiu um pouco de sangue”.

Enquanto isso, a doula e enfermeira estavam ao telefone acompanhando a situação e indo ao encontro de Letícia.

Exatos nove minutos depois, o Théo nasceu, pelas mãos do próprio pai. “Eu senti uma outra contração, então já tive certeza de que era ele. Na segunda, meu namorado viu a cabeça. Eu estava sentada no vaso, ele segurou a cabeça, veio a segunda contração e saíram as costas, e na terceira contração os pés”.

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Depois do nascimento, a família conseguiu acionar o Samu. Um dos socorristas cortou o cordão umbilical do bebê. A enfermeira chegou em seguida, e a família foi ao encontro da doula no hospital. Ao contrário do desejo da mãe, não foi possível ir até o Hospital dos Estivadores, e por isso eles foram levados à maternidade Silvério Fontes. A mãe e o bebê passam bem, e devem ter alta neste sábado, após os exames.

Emoção

“Foi um momento único de nós três. Não consigo imaginar uma situação na vida mais especial do que essa. Nós juntos fazendo o parto do nosso filho!”, diz a mãe emocionada. Ela ainda relata que o pai da criança até agora está sem acreditar no que conseguiu fazer. 

“Ele [Théo] estava chorando bastante, e cantei ‘De janeiro a janeiro’, que é uma música que eu já cantava para ele na barriga. Ele foi se acalmando, e a nossa ficha está caindo só agora”, finaliza.

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