Nevasca deixa santistas presas em aeroporto da Turquia: “caótico e sem assistência"
Por Noelle Neves em 25/01/2022 às 15:19
O sonho que se tornou pesadelo. Assim pode ser definido o fim da viagem das jornalistas Beatriz Monteiro e Mariana Patricia para Dublin, na Irlanda. Após 14 dias no país, pegaram o voo de volta para o Brasil, com conexão em Istambul, na Turquia, e embora achassem que chegariam no Brasil na data prevista, na segunda-feira (24), foram impedidas por uma nevasca. A situação piorou com a falta de preparo e tratamento recebido no local.
“Não só o aeroporto, mas o país não estava preparado para essa nevasca. Havia alerta de que iria ocorrer, mas não se preparam. Chegamos por volta de 19h do horário local no dia 23. Por ser uma conexão de mais de 12 horas, oferecem hotel. Até então, foi tudo ótimo. Nosso voo estava marcado para 14h de ontem (24), passamos por todo o processo de maneira bem rápida. No saguão de embarque, percebemos que estava atrasado. Até que uma hora, ouvimos que foi cancelado. Ao olhar no painel, era isso mesmo. Foi aí que o caos começou”, explicou Beatriz em entrevista ao Santa Portal.
A razão pelos cancelamentos foi a tempestade de neve. “Se for parar para pensar, a neve batia na nossa canela. Entendemos esse cancelamento, porque seria arriscado voar nessa condição climática. O aeroporto de Istambul é um dos maiores, mas não existe logística. Dentro, até tem um hotel cinco estrelas, mas ficamos sabemos que estava lotado. Não que não mereçam, mas não ligaram para nós. As estradas estão fechadas e é inviável nos transportar para outro local, mas não nos informaram sobre o que fazer com as passagens e nem deram voucher de alimentação”, pontuou Mariana.
De acordo com as santistas, as passagens físicas foram recolhidas, o que as deixou preocupadas. Afinal, aquela era a prova de que tinham um voo agendado. A “sorte” era que, como tinham feito check-in pelo celular, poderiam mostrar, caso solicitado.
O próximo passo para elas foi buscar informações. Tiveram que passar por várias filas e procurar diferentes funcionários para obter orientações sobre o que fazer. “Primeiro, tínhamos que resolver a passagem. Depois, queríamos entender qual seria o suporte oferecido. Tinham muitos passageiros, de diversas nacionalidades, e as pessoas brigavam. Simplesmente, se você não vai atrás para comer e cobrar, as coisas não acontecem”, explicou Mariana.
“Quando chegamos ao balcão da companhia, ninguém nos dizia nada. Foi um caos. Ninguém sabia informar. Encontramos algumas pessoas que já tinham a nova passagem e percebemos que os passageiros estavam sendo divididos em dois voos diferentes. Quando fomos olhar, percebi que eu estava para um dia e a Mariana, para outro. Conseguimos mudar para voltarmos para o Brasil juntas. Agora nos unimos com os outros brasileiros para embarcarmos juntos e podermos nos apoiar”, falou Beatriz.
Processo
Tanto Mariana, quanto Beatriz pensam em processar a Turkish Airlines. “Falta suporte. Tivemos que brigar para conseguir os vouchers e não podíamos nem escolher. Era uma pizza, uma batata-frita e uma coca. Deram uma marmita, mas tivemos que ir buscar atrás do restaurante. Ao longo do dia, dão uma coisa ou outra, mas já arrastaram nossos lanches pelo chão e deram pão congelado. Provavelmente, era de estoque que ficou e não queriam desperdiçar”, relatou Mariana.
Todos estão dormindo no chão do saguão e com medo dos objetos pessoais serem furtados. “Passamos cadeado nas malas e nos revezamos para olhar. Não conseguimos descansar. Se você não vai atrás e briga, não recebe nada”, expôs Beatriz.
Pela falta de suporte, as jornalistas precisaram comprar itens básicos para passar os dias e também alimentos. Mas, segundo elas, estão guardando recibos, pois pretendem cobrar reembolso da companhia.
“Uma senhora viajou com os remédios da pressão contados. Corre risco do voo dela ser cancelado novamente. É um perigo. Estamos improvisando para manter a higiene. Tomamos banho de pia e estamos lidando com o frio, já que está – 2º C. Por sorte, tinha uma troca de roupa”, desabafou Mariana.
Conforme o relato das jornalistas, as informações só são obtidas através do Twitter. Dos voos programados, apenas dois conseguiram decolar. As pistas estão sendo limpas e o clima melhorou, já que a neve não está forte. Hoje (25), o cenário é outro e pouco a pouco, a movimentação está voltando.
“Os turcos não são receptivos e não falam muito bem o inglês. Você pede para repetir as coisas e não gostam. São grossos. Fizemos quatro amigos aqui que estão nos ajudando. A tempestade de neve foge do controle de qualquer um, mas havia previsão. Cobram Wi-fi, foi briga para conseguir comida… Quando perdemos um voo, temos arcar com as despesas. Deveria funcionar da mesma maneira. Temos as provas para o processo e vamos entrar com a ação”, disse Beatriz.
“Se a experiência para nós já é caótica, para quem é idoso ou está com crianças, é pior ainda. Ainda bem que estamos em segurança, longe do frio, recebendo comida. Mas ainda assim é um estresse. As pessoas só querem ir para casa”, concluiu Mariana.


