Desempregada há 7 anos, moradora de SV leva gata para vender balas no Gonzaga
Por Noelle Neves em 14/12/2021 às 12:03
“Por favor, me ajude comprando balas para que eu possa alimentar minha família e meus gatos”. Em uma cartolina rosa, a desempregada Fabiana Pereira Marques, 38 anos, decidiu fazer o pedido, na tentativa de tocar o coração de quem passava pela Avenida Mal. Floriano Peixoto, no Gonzaga, em Santos, no último último sábado (11).
A moradora de São Vicente chamou atenção não só pelo pedido, mas também por ter levado uma de suas gatas para vender balas junto com ela. De acordo com Fabiana, o animal gosta de rua e tudo começou quando ainda era filhote.
“A gata da minha avó deu cria. Nasceram 11 filhotes. Para não doar para meus vizinhos ou pessoas que eu sabia que não iam cuidar, decidi começar a andar com eles. Levei a mãe e os bebês, que ainda mamavam, para trabalhar comigo. Quando completaram dois meses, dez deles foram para lares amorosos e eu fiquei com uma dessa ninhada e já tinha outros dois, fora o cachorro”, contou.
Fabiana conta que quando os gatos a viam pegando a caixa, queriam entrar dentro e se mostravam animados com a possibilidade de sair de casa.
“Então fui acostumando. É uma oportunidade de verem o movimento, mas com segurança. Isso também fez com que mais pessoas comprassem as balinhas. Vou em um período tranquilo para não estressar e fico pouco tempo”, disse.
Mudança na vida por meio das balas
Antes, ela trabalhava com reciclagem, junto com o marido. Como não é alfabetizada, encontrou dificuldades para entrar no mercado de trabalho e assim, “encontrou sua própria maneira de sobreviver”.
“É minha oportunidade de serviços. Parei de estudar na segunda série, mas não aprendi nem a ler e nem a escrever. Sei escrever meu nome e agora entrei na escola novamente. Meu marido ganha muito pouco. Se eu não vendesse balas, nós morreríamos de fome”.
Além de morar de aluguel – preocupação constante devido ao medo de morar na rua, Fabiana tem muitos gastos com os animais e com as necessidades básicas do filho, Yuri. Ela também é mãe de uma menina, que mora com o pai em São Paulo.
Sua infância foi difícil e precisou aprender a ser independente. A mãe, usuária de drogas, começou a namorar um homem que a estuprou na adolescência.
“Comecei a me virar pela vida. Acabei não estudando, invertendo minhas prioridades e me envolvendo com pessoas erradas. Hoje, graças a Deus, tenho meus objetivos e corro atrás deles. Não deixo minha família ou meus animais passarem necessidade”, disse.
Por fim, quem quiser ajudá-la, pode entrar em contato através do Whatsapp (13) 98823-1715 para combinar a entrega de ração ou de balas para serem vendidas. Os que optarem por doar dinheiro, podem fazer um PIX para o número de celular.
