Laudo de morte de menina em Santos constaria suspeita de Covid-19, mas sem exames; Estado contesta
Por Ted Sartori/#Santaportal em 04/06/2020 às 17:56
SANTOS – A família de Luana França de Carvalho não se conforma com a morte da menina, de 11 anos, que morava em Santos e tinha o sonho de ser jogadora de futebol. Ela estava internada no Hospital Guilherme Álvaro e morreu na madrugada de ontem, vítima de parada cardíaca decorrente de diabetes muito alta. A polêmica aconteceu porque, segundo os familiares, consta no laudo “suspeita de Covid-19” e não teriam sido feitos exames. A Saúde do Estado contesta, dizendo que houve coleta, que as fichas de óbitos considerados suspeitos contém sinalização de espera pelo resultado laboratorial e que o resultado, conhecido posteriormente, acabou sendo negativo.
“Ela deu entrada na UPA Central na sexta-feira (29) com dores abdominais. Mediram diabetes e estava 530. Na hora internaram e já pediram transferência para a UTI, dizendo que ela seria melhor assistida. E foi muito bem atendida no Guilherme Alvaro. Mas, no sábado, o quadro dela se agravou. Eles disseram que, quando diabetes subiu, também subiu o ácido do sangue e, assim, atingiu o cérebro. O caso dela foi só se agravando até ela vir a óbito”, conta a tia Geise Rodrigues.
Geise conta que a mãe e o pai se revezavam nos cuidados com Luana e em nenhum momento o médico cogitou a ideia de que pudesse ser Covid-19. “Eles chegaram a cogitar a ideia de se fazer um teste porque falaram que ela poderia ter o vírus porque o quadro dela evoluiu muito rápido”, conta a tia.
Kezia Laís Gonçalves de França, mãe de Luana, questionou que teriam que fazer o teste para identificar ou não a doença nela também, mas veio a negativa e que, caso tivesse de ser realizado, seria apenas na paciente, o que também acabou não acontecendo.
“Quando a Luana veio a ter a parada cardíaca, eles deixaram a mãe entrar e ficar 10 minutos para se despedir. Aí me questiono: se fosse Covid-19, a mãe não poderia acompanhar porque a menina estaria no isolamento e quando há morte por Covid eles não deixam se despedir. Simplesmente encaminham e pronto. E não nos deixaram fazer um velório e enterro dignos para minha sobrinha, mesmo sem nada provando que ela tinha o vírus”, comenta Geise.
Outro lado
A Secretaria de Saúde do Estado enviou a seguinte nota. Eis a íntegra:
“O Hospital Guilherme Álvaro informa que a paciente L.F.C deu entrada na unidade dia 29 de maio e foi devidamente atendida pela equipe médica, considerando o quadro clínico. Como medida preventiva, foi coletado o exame de Covid-19 da paciente. A Secretaria de Estado da Saúde esclarece que as fichas de mortes consideradas suspeitas contêm a informação do quadro sindrômico e a sinalização de espera pelo resultado laboratorial de Covid-19. A morte só é contabilizada como positiva para doença se o resultado confirmar o diagnóstico. Neste caso, o resultado foi negativo e, portanto, o caso não é contabilizado”.

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