Justiça nega exame de insanidade mental a fisiculturista acusado de espancar namorada

Por Santa Portal em 26/05/2026 às 05:00

Reprodução
Reprodução

A Justiça de São Paulo rejeitou o pedido da defesa do fisiculturista Pedro Camilo Garcia Castro para que ele fosse submetido a um exame de insanidade mental no processo em que responde por tentativa de feminicídio contra a namorada. O crime ocorreu no ano passado dentro de um apartamento alugado na capital paulista e Pedro foi preso após fugir para a Baixada Santista.

A agressão aconteceu no dia 14 de julho, data em que a vítima comemorava aniversário. Durante o episódio, Samira sofreu ferimentos graves, incluindo fratura no crânio, diversas lesões na face e perda de aproximadamente metade da visão de um dos olhos.

A violência foi interrompida após um vizinho ouvir pedidos de socorro e acionar a polícia. Após as agressões, Pedro deixou o local e foi localizado posteriormente em Santos, onde acabou preso. De acordo com o processo, a intensidade das agressões fez com que o próprio fisiculturista sofresse uma fratura em um dos ossos da mão.

Pedro confessou o crime e permanece detido até o momento. A defesa dele solicitou à Justiça a abertura de um incidente de insanidade mental, mecanismo utilizado para avaliar se um réu tinha capacidade de compreender os próprios atos no momento do crime.

Os advogados alegaram que o acusado teria a saúde mental comprometida em razão do uso excessivo de anabolizantes, medicamentos controlados e também por sofrer de bulimia nervosa. Um parecer médico apresentado pela defesa apontava suposta redução da capacidade de autodeterminação do fisiculturista.

O pedido, no entanto, foi negado pela Justiça. Na decisão, o magistrado entendeu que o uso de substâncias ou eventual dependência química, por si só, não comprovam incapacidade mental. O juiz também afirmou que não foram apresentados elementos suficientes que demonstrassem que o acusado não tinha discernimento sobre os atos praticados no momento da agressão.

Em nota, a advogada de Samira, Gabriela Manssur, afirmou que a decisão reconhece a inexistência de provas concretas de incapacidade mental do acusado. Segundo ela, o uso de anabolizantes e medicamentos não pode ser utilizado automaticamente como justificativa para afastar a responsabilidade penal em casos de violência contra a mulher.

A defesa da vítima também declarou que considera preocupante a utilização de teses que tentam associar escolhas pessoais e uso voluntário de substâncias à relativização de crimes graves. Ainda conforme a nota, o Judiciário apontou que o acusado demonstrou clareza e coerência durante os atos processuais.

O advogado de Pedro Camilo, Eugênio Malavasi, não emitiu posicionamento oficial sobre a decisão. O espaço segue aberto para manifestações.

loading...

Este site usa cookies para personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Conheça a nossa Política de Cookies.