Homenagem a Pagu marca Dia da Mulher em cemitério de Santos

Por Santa Portal em 09/03/2026 às 06:00

Henrique Teixeira/PMS
Henrique Teixeira/PMS

“Sonhe, tenha até pesadelo se necessário for, mas sonhe”. No Dia Internacional da Mulher, o nome de Patrícia Galvão, a Pagu (1910-1962), um dos maiores símbolos de resistência feminina no Brasil, passou a ocupar um jazigo horizontal próximo à entrada do Cemitério da Filosofia, no Saboó, em Santos, no litoral de São Paulo, neste domingo (8).

O jazigo, pertencente à Administração Municipal e construído em mármore, está localizado junto a uma área ajardinada logo na entrada do cemitério, o que amplia sua visibilidade e facilita a visitação do público.

No local, foi instalada uma placa de acrílico (40 x 60 centímetros), fixada com botões de inox, que traz a frase da escritora, além de fotografias e um QR Code que direciona para um hotsite com informações sobre sua trajetória.

Iniciativa

A iniciativa da Coordenadoria de Cemitérios, vinculada à Secretaria das Prefeituras Regionais, integra a programação do Mês da Mulher. O objetivo é valorizar a memória da escritora e ativista e reforçar sua importância histórica e cultural para a cidade.

O secretário das Prefeituras Regionais, Rivaldo Santos, destacou a contribuição significativa das mulheres na manutenção do cemitério de Santos, não apenas na zeladoria e cuidado das campas, mas também na preservação da memória afetiva de quem ali descansa. “Esse time feminino vem fazendo a diferença no cuidado com o cemitério de Santos, não só na zeladoria e no cuidado das campas, mas também trazendo a memória afetiva de tantas pessoas que passaram por aqui e deixaram sua história”, afirmou.

Para ele, a trajetória de Pagu simboliza esse espírito de força e inspiração. “Neste Dia Internacional da Mulher, podemos dizer que Pagu segue viva também na força e na dedicação de cada uma dessas mulheres”.

Cerimônia

Durante a cerimônia, que reuniu fãs, familiares e autoridades, foi ressaltada a importância de Pagu como uma das grandes intelectuais do século 20 e pioneira na luta pela liberdade e pelos direitos das mulheres. Nascida no interior de São Paulo, ela construiu uma forte relação com Santos, cidade que aprendeu a amar e onde desenvolveu parte importante de sua atuação cultural e jornalística. Militante política e escritora, Pagu foi a primeira mulher presa por motivos políticos no Brasil.

Como biógrafa oficial de Pagu e autora de quatro livros sobre a homenageada, a doutora Lúcia Teixeira destacou: “Ser mulher, ser livre para pensar, para falar, para exercer os direitos e para defender os direitos dos mais humildes, mulheres e homens, dar a volta ao mundo sozinha e querer o melhor para o Brasil: tentaram calar sua voz, mas não conseguiram. Mas, como ela falava, não gostava de caminhos fáceis. E as mulheres também não”.

Nora de Pagu, Leda Cintra destacou que o legado da escritora permanece atual. “A busca pela liberdade, pela cultura e pelo direito de ser. Mais do que conquistas individuais, sua trajetória representa o desejo de que mulheres possam viver com autonomia e dignidade, sendo quem são, sem precisar provar ou dever nada a ninguém”.

Veja a programação completa do Mês da Mulher no link.

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