Santista relata história de superação de três cânceres: “somos finitos, é preciso valorizar a vida”

Por Noelle Neves em 27/12/2021 às 11:29

A relações públicas Sandra de Souza Silva, de 54 anos, tem um grande apreço pela vida. Tem seus amores, profissão consolidada, filhas… E depois de vencer três cânceres, a paixão por aproveitar cada momento em máxima intensidade aumentou ainda mais.

“Tive um câncer de mama e dois linfomas não Hodgkin (LNH), com origem no sistema linfático. Receber as notícias foi violento, como um chão que se abre aos seus pés e você mergulha em uma nova existência, quase como uma vida paralela. No entanto, nunca pensei que iria morrer”, disse em entrevista ao Santa Portal.

Os diagnósticos dos cânceres vieram acompanhados de uma pitada extra de positividade e embarcou em uma jornada espiritual, dando tudo de si, sem nunca lamentar. “Não que eu me sinta onipotente, mas eu amo viver. Segui trabalhando, treinando e cuidando tanto do meu bem-estar quanto da minha aparência”, disse.

Para ela, não foi fácil perder os cabelos três vezes e muito menos lidar com outros efeitos da quimioterapia. “Seguir com isso, talvez, seja uma tarefa para espíritos muito fortes ou com grande necessidade de evolução. Na mama direita, fiz quadrantectomia, ou seja, retirei 1/4 da mama em que o nódulo estava localizado, também fiz sete sessões de quimioterapia e 30 dias de radioterapia”, relatou.

No primeiro linfoma, precisou de um transplante autólogo, porque não encontrou um doador de medula óssea compatível. Um ano depois, a doença voltou de maneira mais agressiva e não respondia aos protocolos de tratamento. Com isso, precisou ir até Cleveland, em Ohio, nos Estados Unidos, realizar um tratamento que ainda não existia no Brasil, o Car T Cell (receptor de antígeno quimérico).  O método inovador é feito com células de defesa reprogramadas do próprio paciente.

Sandra está curada do câncer de mama há 10 anos e dos linfomas, há dois. Mas os cuidados com a saúde não param. “Faço exames periódicos para acompanhamento e um procedimento, que é uma infusão de imunoglobulina de dois em dois meses para ajudar com a minha imunidade, que é mais frágil do que o normal”, explicou

A santista ressalta que uma doença como essa serve para sinalizar de uma maneira nada suave sobre a vulnerabilidade da vida. “ A fragilidade está estampada na nossa cara. A vida é só essa. Somos finitos. Passei a valorizar muito mais algo que parecia automático e que não é, como passar tempo com as minhas filhas, Manuela, de 21 anos, e Isadora, de 19”.

As datas comemorativas são ainda mais especiais. Após o Natal e tão próximo do Réveillon, Sandra orgulha-se da força que teve de enfrentar e servir de inspiração, mostrando que a cura é realmente possível.

“Não entreguei os pontos. Enxerguei quem estava ao meu redor, ao meu lado. Sou muito grata e fico feliz com a postura que adotei. Nunca me coloquei como vítima ou questionei. Segui com otimismo, espiritualidade em elevação e muita dedicação aos tratamentos”, pontuou.

Ela se sente cada dia mais forte e as marcas deixadas são motivos para lembrar de uma trajetória árdua e vitoriosa. “Ainda tenho o que viver, aprender e evoluir. Toda a vez que vejo a cicatriz do cateter no meu corpo, me orgulho de ter enfrentado e vencido três cânceres”.

Hoje, Sandra usa o Instagram de sua marca para compartilhar sua história com a doença. “Minha marca é feminina, então decidi fazer diversos vídeos sobre o assunto para informar mulheres, que agora me consideram uma inspiração”, concluiu.

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