Governo do Estado define: Cadeia Velha voltará a abrigar as Oficinas Pagu
Por #Santaportal em 15/01/2016 às 22:55
SANTOS – É o fim da polêmica: a Cadeia Velha de Santos voltará a sediar, no primeiro semestre deste ano, as Oficinas Culturais Pagu, do Governo do Estado. Fechado desde dezembro de 2011, o prédio, que abrigou Patrícia Galvão quando ela ficou presa em Santos e que já foi, também, a Prefeitura da Cidade, recebeu um investimento de R$ 10,6 milhões.
O uso do equipamento vinha sendo motivo de polêmica entre pelo menos dois grupos da Cidade, um que defendia a vocação histórica do equipamento – um centro de produção e criação cultural – e outro grupo que lutava para que o local passasse a abrigar um museu com a história da Cidade.
O desfecho pode ser considerado uma vitória de ambos os lados, já que o local também abrigará em uma de suas celas um espaço museológico que contará a história da própria Cadeia, que em 1931 abrigou a primeira mulher presa por razões políticas no Brasil – Patrícia Galvão – por ter apoiado a greve dos estivadores de Santos. O lugar, construído em 1869 e tombado nas esferas federal, estadual e municipal, foi ainda Casa de Câmara, Paço Municipal, hospital de emergência e fórum.
O anúncio dos planos para o equipamento foi feito hoje pelo Governo do Estado por meio de nota oficial. O espaço deverá promover atividades de formação nos mais diversos formatos e linguagens, com a previsão de projetos específicos de acordo com as demandas identificadas, em linhas como teatro, artes cênicas, dança, cinema, artes visuais, circo, literatura, música, cultura caiçara, economia criativa e cultura digital, além de programação continuada de residências artísticas, exposições e apresentações artísticas.
O diretor das Oficinas Culturais do Estado de São Paulo, Raul Christiano, comemora a decisão. “É literalmente um resgate. Desde a minha própria indicação para ser o Secretário Municipal de Cultura de Santos, em dezembro de 2012, vislumbrava esse prédio mais vivo do que nunca, exalando cultura, lapidando e formando talentos”.
Raul acredita que a Oficina Pagu volta à Cadeia Velha com aspirações de se tornar uma unidade de referência no Estado. “Inova, com um Conselho para um diálogo ainda maior entre comunidade, fazedores de arte, artistas, produtores e o poder público. Se torna um centro para integrar artes, história e a educação”, diz.
Com mais de 2 mil m² de área construída, todos os espaços, do térreo e do piso superior estão sendo recuperados, assim como fachadas, esquadrias e pinturas ornamentais. O edifício também está recebendo todas as adaptações de acessibilidade e cumprindo todos os requisitos de segurança e de proteção contra incêndio.
A novidade é mesmo, detalha Raul, o Conselho Consultivo Integrado, que contará com oito representantes, cinco deles da área cultural da Baixada Santista e três das secretarias estadual e municipal de Cultura. “O intuito é ampliar o diálogo permanente com quem faz a cultura da região. Nenhuma outra oficina tem esse conselho. Pretendemos implantar também na oficina Oswald de Andrade, em São Paulo”.
Lincon Spada, artista e jornalista que defendia a implantação de oficinas culturais, comemora a decisão do Estado. Segundo ele, se fosse construído apenas o museu, haveria a necessidade de cobrança de ingressos. Com o novo formato, além dos grupos artísticos serem beneficiados, toda a população aproveitará, pois a intenção é devolver para a região apresentações gratuitas ou com custo baixo, como contrapartida.
O jornalista e escritor Sergio Willians, um dos maiores defensores do museu se manifestou nas redes sociais. “Que seja um sucesso. Como cidadão, farei questão de frequenta-lo, prestigiá-lo e, até quem sabe, lançar um livro ou projeto de memória dentro de suas paredes. Como defensor do Museu Histórico de Santos, estou feliz por ver que esta pauta agora faz parte das demandas da cidade. É imperativo que a luta siga em frente. Há muitos espaços históricos que podem, e devem, ser resgatados para se tornarem úteis para a cultura”.
Lembrando que Santos respira história e que completará em breve 470 anos de trajetória, Willians ressalta o vanguardismo da Cidade, que é reconhecido nacionalmente. “Vamos conseguir, tenho fé, concretizar o sonho do Museu, com o apoio da classe artística da cidade. Porque cultura e educação sempre caminharam lado a lado. Que a Cadeia Velha seja libertadora do fazer cultural e que seus gestores tenham a sensibilidade de cuidar bem do espaço, que é um patrimônio de todos nós”.