Família acusa hospital e plano de saúde de negligência após morte de parrillero em Santos
Por Santa Portal em 03/02/2026 às 05:00
A família de Cristiano Silveira, de 33 anos, acusa a Sociedade Portuguesa de Beneficência, em Santos, no litoral de São Paulo, e o plano Trasmontano Saúde de negligência médica após a morte do paciente. Segundo parentes, houve negativa de internação em UTI mesmo diante de um quadro classificado como grave, com risco iminente de morte.
Cristiano, que trabalhava como parrillero em uma churrascaria tradicional da cidade, deu entrada no pronto-socorro do hospital por volta das 17h30 de 27 de dezembro, apresentando taquicardia supraventricular, dor torácica intensa, falta de ar e desmaios, de acordo com registros médicos obtidos pela família. Ele permaneceu por horas na sala de emergência, medicado, sem evolução clínica significativa.
Os familiares afirmam que o hospital dispunha de vaga em UTI pelo SUS, mas a internação não foi autorizada. Ainda segundo o relato, a família se ofereceu para arcar com os custos de uma internação particular, o que também teria sido recusado pela administração do hospital, sem apresentação de justificativa.
O plano de saúde Trasmontano negou a cobertura da internação sob a alegação de carência contratual. A família contesta a decisão e cita a Lei nº 9.656/98, que obriga os planos de saúde a garantir atendimento integral em situações de urgência e emergência, quando há risco imediato de morte, independentemente de carência.
Por volta das 22h, Cristiano foi transferido de ambulância para a UPA de Santos, sem autorização da família, segundo os parentes. Ele chegou à unidade às 22h08 e sofreu parada cardíaca sete minutos depois. Apesar das tentativas de reanimação, teve o óbito confirmado às 22h48.
“Nosso irmão poderia estar vivo hoje. O hospital tinha vaga de UTI e o convênio, por lei, deveria garantir a internação em emergência. Ambos negaram e ainda transferiram sem nossa autorização, agravando a parada cardíaca. Isso não pode ficar impune”, declarou um familiar, que preferiu não ser identificado.
A família contratou um escritório de advocacia, que prepara ações judiciais contra o hospital e o plano de saúde. O relatório médico foi retirado na última segunda-feira (26) e deve integrar o processo. Um boletim de ocorrência também foi registrado.
Em nota, o Trasmontano Saúde afirmou que “toda a assistência em caráter de urgência, durante as primeiras 12 horas, foi autorizada”, mas que a internação não pôde ser liberada “em razão de carência contratual vigente”. Procurada, a Sociedade Portuguesa de Beneficência não respondeu até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.
Homenagem
Em publicação nas redes sociais, a churrascaria Dona Nice lamentou a morte de Cristiano e destacou a importância do parrilleiro para a história da casa. “Hoje o fogo da parrilla acendeu diferente. Mais silencioso. Mais pesado”, diz o texto publicado em 28 de dezembro.
Segundo a equipe, Cristiano fazia parte do restaurante desde o primeiro dia, quando o negócio ainda era um projeto. “O Cris tinha um dom raro: transformar trabalho duro em alegria diária. Chegava sorrindo, trabalhava sorrindo, ia embora sorrindo”, afirmou o estabelecimento.
A homenagem destaca ainda que a equipe perdeu mais do que um colaborador. “Perdemos risadas no meio do calor da parrilla, conversas rápidas entre um corte e outro, uma presença que fazia diferença todos os dias”, diz a nota. “Você fez parte do começo e vai fazer parte de nós para sempre”.