Casal de Santos com dois filhos pequenos é despejado em meio à tempestade

Por Fabiana Stelina/#Santaportal em 04/11/2018 às 21:26

SOLIDARIDADE – A forte chuva e ventania que chegou à região da Baixada Santista no início da noite deste sábado (04) trouxeram momentos de angústia para a professora do curso de Direito da Unisanta, Patrícia Gorisch.

Ela estava no carro com o marido e o filho quando uma cena cortou seu coração. No meio da rua, ela viu um carrinheiro com coisas até o topo, inclusive uma geladeira. Ele tentava manobrar a sua pesada carroça. Ao lado, dois cachorrinhos o acompanhavam. “Meu coração gelou ainda mais quando eu vi a próxima cena: uma moça com dois bebês de colo, uma menina de dois anos e meio e um menino de apenas cinco meses. Ela saiu da carroça e tentou em vão abrir o guarda-chuva. Ela chorou. As crianças choravam. Não dava para nós assistirmos de camarote, no nosso carro sequinho e confortável”.

A professora conta que o marido encostou o carro e ela saiu com outro guarda-chuva, mas até chegar a família o desespero era geral. “Em poucos metros, eu já estava encharcada. As crianças, tremendo de frio e medo, berravam. Vilson, o pai das crianças, pede pra que eu as leve no carro até o posto mais próximo. Elas entram e o cachorro tentou pular dentro do veículo”. Ela conta que parecia que o fiel escudeiro achava que as crianças iriam sumir.

Ao chegarem ao posto, a desolação era imensa. Karen, a mãe das crianças, disse que eles acabaram de ser despejados de uma casinha que viviam no canal 4.

Gorich contou que os funcionários do posto Ipiranga da Avenida Pedro Lessa esquina com a Rua São José, encaminharam a mãe e as crianças para um cantinho do posto que os protegia da chuva e do vento. “Não tinha casaco e nem toalha no carro, mas lembrei que de manhã havia comprado no semáforo panos de chão. Não era o ideal, mas pelo menos secava os bebês e os esquentava”.

Logo depois, o pai, Vilson chegou com a sua casa nas costas. “Tudo o que eles tinham de material estava em cima daquele carrinho…geladeira, fogão, roupas…tudo encharcado pelo temporal”.

Vilson fala que faz de tudo: é servente de pedreiro, já trabalhou em restaurante, mas que se encontra desempregado e que cata latinhas. Karen não trabalha, pois cuida das crianças”.

Post

Comovida com a situação da família, a professora escreveu um post relatando tudo o que aconteceu e pediu ajudar para arrumar um emprego ao pai da família. O post do Facebook teve mais de 1,2 mil compartilhamentos e causou uma grande solidariedade.

A professora conta que várias pessoas fizeram parte da corrente do bem. “ Teve gente que ficou com eles até de madrugada. Uberistas ofereceram ajuda para levar a família até o hotel. Um homem prontificou o seu estacionamento para que a família ficasse em uma casa improvisada até que o barraco seja improvisado.

No entanto, em meio a tanta solidariedade, Gorisch disse que particularmente uma a emocionou muito. Uma aposentada que mora em uma favela, disse que recebia um salário mínimo, mas que se prontificava a ajudar com R$ 20 por mês. “ Isso me emocionou muito. É o óbulo da viúva, caridade de verdade”, conta emocionada.

Além do post, Gorish criou uma Vakinha virtual com a intenção de arredar dinheiro e ajudar a família. Um grupo de WhatsApp também foi criado para arrecadar mantimentos e roupas aos quatro. Durante este domingo, a família ficou em hotel, onde a estadia paga foi fruto de arrecadações. Agora a família pretende reformar o barraco que vivia de forma sub-humana no Dique da Vila Gilda.

Quer ajudar? Entre no https://www.vakinha.com.br/vaquinha/todos-pela-familia-de-santos   e faça seu depósito para ajudar na compra de material de construção. Roupas, fraldas, produtos de higiene pessoal e mantimentos podem ser doados no estacionamento na Rua Arabutan, 69, em Santos.

 

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