Conheça a história da canoa havaiana, esporte que transformou a paisagem de Santos

Por Lara Flores em 24/04/2026 às 06:00

Reprodução / Instagram
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A canoa havaiana consolidou-se como uma das atividades que mais crescem em Santos e região. Além de proporcionar uma conexão profunda com a natureza e uma nova ótica sobre o mar, a modalidade é uma arte de movimentação do corpo. Mas você já se perguntou como esse esporte chegou ao Brasil?

A história confunde-se com a trajetória de Fábio Paiva. Filho de atletas da natação, Paiva sempre viveu no ambiente aquático. Aos 19 anos, enquanto cursava Engenharia, teve sua primeira experiência com um caiaque emprestado. A paixão foi imediata: comprou o próprio equipamento com o dinheiro do estágio e passou a remar incessantemente. O sucesso nas competições foi meteórico, tornando-se o primeiro campeão brasileiro de canoagem. Mais do que títulos, o remo trouxe a Fábio serenidade, contato com a natureza e novos valores, despertando nele o desejo de compartilhar essa sensação com o mundo.

Inovação santista na canoa havaiana

Foi durante uma viagem à Espanha, enquanto representava o Brasil em uma equipe de rafting, que Paiva conheceu a canoa havaiana através de uma transmissão de TV vinda do Havaí. Encantado, ele vislumbrou a possibilidade de trazer as embarcações para cá. No ano 2000, a primeira canoa chegou ao país e, a partir de então, passou a ser produzida em Santos.

Para popularizar o esporte, Fábio criou um modelo inovador: interessados podiam usar a canoa gratuitamente por seis meses, se gostassem, iniciavam o pagamento parcelado. Em 2001, ele fundou a Canoa Brasil (a primeira guardaria do país) no Clube de Regatas Santista. Hoje, o esporte movimenta cerca de 100 remadores em dias comuns e até 400 em sábados ensolarados.

Superando desafios logísticos

O início foi desafiador devido ao tamanho e peso das canoas, que exigiam transporte por carretas. Para viabilizar competições em locais como Brasília e Florianópolis, Fábio alugou carretas e criou provas com revezamentos.

Uma das maiores inovações surgiu de uma necessidade em Angra dos Reis: para facilitar o transporte em estradas sinuosas, Paiva decidiu serrar as canoas, tornando-as bipartidas. Embora tenha enfrentado resistência de puristas que diziam que isso “feria a alma” da embarcação, a ideia permitiu que os próprios remadores transportassem suas canoas sobre carros comuns, dando escala ao esporte.

Magia da volta ao Santo Amaro

Idealizada por Paiva, a Volta ao Santo Amaro (Guarujá) é a competição mais longa do Brasil, com 75 km de remada. Em março de 2026, o evento chegou à sua 22ª edição. A partir de 2024, a prova passou a ser bienal para garantir uma organização impecável e melhor preparação dos atletas, mantendo a “magia” que atrai remadores de todo o país para enfrentar o mar bravo e contemplar visuais incríveis.

Projetos sociais com canoa havaiana

Com o tempo, o foco de Fábio Paiva migrou das competições para a qualidade de vida e o impacto social. Atualmente, ele lidera dois projetos fundamentais:

Projeto Kaora

O termo Kaora vem de uma língua indígena e significa “vida”. O projeto atende 128 mulheres que enfrentaram ou enfrentam o câncer de mama. Além da remada (indoor e outdoor), oferece pilates, yoga e apoio psicológico e médico.

  • Celebração: No dia 10 de outubro, o projeto completa dez anos. Para comemorar, haverá um festival com as categorias Kaoras (sobreviventes) e Wahine (simpatizantes da causa).

Sahy Remando

Em São Sebastião, o projeto atende 90 alunos de 11 a 17 anos da comunidade. Mais do que técnica de remo, os jovens aprendem disciplina, respeito mútuo e educação ambiental. A iniciativa transforma a perspectiva de vida desses jovens, muitos dos quais tornam-se monitores e buscam o ingresso no ensino superior.

Saiba mais: Para acompanhar as ações, acesse os perfis no Instagram @Kaora e @Projetosahyremando, ou visite o site da Abracha, que reúne informações sobre os eventos e a história da canoagem havaiana no Brasil.

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