Cachorro da raça pug morre após sofrer hipertermia em hotel para pets em Santos

Por Santa Portal em 15/01/2026 às 05:00

Arquivo pessoal
Arquivo pessoal

Um cachorro da raça pug morreu, nesta segunda-feira (12), após sofrer um quadro grave de hipertermia enquanto estava hospedado no Hotel Clube Auau, localizado no bairro Paquetá, em Santos, no litoral de São Paulo. O animal, chamado Bucky, tinha seis anos, era vacinado e considerado saudável pela família e morreu trinta minutos depois de dar entrada em uma clínica veterinária, com temperatura corporal em torno de 41 °C.

Em entrevista à Santa Cecília TV, a tutora, Rosana Gemignani Cardoso, afirma que o cão ficou cerca de cinco horas no Hotel Clube Auau, período em que ela se deslocou para São Paulo, de onde embarcaria em um avião.

“Se eu soubesse que estava levando meu cachorro para a morte, jamais teria deixado ali. Ele era o para-raio de todo mundo, especialmente da minha filha neurodivergente, que o usava como apoio emocional. Ela não consegue compreender a dor que está sentindo. As pessoas não conheciam a tutora Rosana, mas conheciam o pug Bucky. Hoje tenho medo de sair na rua e dizer às pessoas que o amavam que ele não está mais comigo”, desabafa.

Rosana conta que esta foi a primeira vez que precisou deixar Bucky em um hotel para cães. Até então, o animal sempre ficava com familiares, mas uma situação de saúde impediu essa alternativa. “Pesquisei muito. Conversei com outros tutores, procurei avaliações na internet e nas redes sociais. Queria um lugar onde ele ficasse solto, em segurança e bem cuidado”, relata.

De acordo com a tutora, Bucky, que completaria sete anos no próximo dia 27, era acompanhado regularmente por veterinários. Frederico Dias/Santa Cecília TV

Antes da hospedagem definitiva, que custou R$ 2 mil, Bucky passou por um dia de adaptação, em 8 de janeiro. Ele permaneceu no local das 8h às 17h30 e, segundo a tutora, recebeu um relatório positivo. “Disseram que ele estava muito bem, que fez amigos. Aquilo me tranquilizou”, afirma.

Rosana reforça que sempre deixou claro que o pug exigia cuidados especiais, tendo em vista que a raça é conhecida por sua alta vulnerabilidade ao calor por conta da anatomia braquicefálica. “Pug não pode ser exposto a temperaturas acima de 26, 30 graus. Eu sempre andava com ele de madrugada ou à noite. Em casa, o ar-condicionado já ficava ligado esperando por ele”, explica.

Ela diz ter questionado repetidamente o hotel sobre como lidavam com cães braquicefálicos em dias quentes. “Perguntei se havia áreas climatizadas, ar-condicionado, ventilação adequada. Até reforçei que podia molhar, mas precisa secar as dobrinhas para evitar fungos. Até pedi desculpas por tantas perguntas que fiz”, relembra.

No dia da internação, a família deixou Bucky no hotel por volta de 12h. Nas primeiras horas, o estabelecimento enviou fotos do animal, mas a preocupação começou por volta das 17h30, quando Rosana recebeu um áudio informando que o cachorro “não estava passando bem”.

“Estava no aeroporto, mas tive que voltar. Disseram que ele estava molinho, espumando pela boca. Isso nunca aconteceu antes. Perguntei na hora se estava no ar-condicionado. Disseram que tinham colocado uma toalha gelada”, relata.

Quadro irreversível ao chegar à clínica

Bucky deu entrada na Clínica Veterinária Ana Carla Perri, onde chegou em estado gravíssimo. O laudo apontou rebaixamento de consciência, decúbito lateral, ausência de reflexos motores, taquicardia, taquipneia, náuseas com mímica de vômito, temperatura corporal elevada (40,7ºC), cianose de mucosas, abdômen distendido por aerofagia e pressão arterial sistólica de 80 mmHG.

A avaliação inicial, realizada pela médica veterinária Bruna Cristina, foi compatível com internação (hipertemia grave por falência do mecanismo de termorregulação). Foram prontamente iniciadas medidas de suporte intensivo, incluindo resfriamento ativo controlado, oxigenoterapia, medicação antiemética e suporte sintomático. “A veterinária foi excelente, fez tudo o que podia, mas o quadro era irreversível”, afirma Rosana.

Bucky durante atendimento, com temperatura corporal elevada. Frederico Dias/Santa Cecília TV

No entanto, apesar dos esforços institucionais e da rápida intervenção, o paciente evoluiu uma parada cardiorrespiratória às 18h20. De acordo com o laudo manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP) foram iniciadas imediatamente, mas não houve retorno da circulação espontânea, culminando no óbito.

A clínica destaca que a raça, por suas características anatômicas, apresenta maior risco de desenvolver quadros graves de internação, que trata-se de uma condição emergencial e muitas vezes fatal, mesmo sob suporte médico intensivo. “O paciente Bucky recebeu todos os cuidados cabíveis no momento da admissão, e lamentamos profundamente a perda”, finaliza o relatório.

Ausência de explicações

Segundo Rosana, o proprietário do hotel entrou em contato apenas no dia do ocorrido e, desde então, não procurou mais a família. “Nunca nos enviou imagens, nunca explicou o que aconteceu. Apenas publicou uma nota. Quem viu ele passar mal? Que horas isso aconteceu? Quanto tempo se passou? Não tenho nenhuma resposta”. Veja mais abaixo.

Ela também afirma que comentários negativos feitos por familiares e amigos nas redes sociais do estabelecimento foram apagados. “As avaliações caíram e depois subiram de novo. Os comentários foram cerceados para manter a review lá em cima”.

Outro ponto levantado pela tutora é a existência de um contrato de nove páginas, enviado após a morte do animal, sem sua assinatura e diferente do apresentado no período de adaptação. “Esse outro documento fala sobre cuidados especiais com cães braquicefálicos no período das 11h às 16h, mas eu nunca vi esse contrato antes”.

Rosana afirma que pretende buscar responsabilização legal para evitar que outros animais passem pelo mesmo sofrimento. “Eu confiei. Avisei. Fiz tudo o que estava ao meu alcance. Quero Justiça e quero que locais assim não continuem operando da mesma forma”.

Ela também defende mudanças na legislação para hotéis e creches de pets. “As temperaturas estão cada vez mais extremas. Esses locais precisam estar preparados. Precisa haver exigência de primeiros socorros, climatização adequada e fiscalização”, clama.

Outro lado

Por meio de nota publicada em perfil nas redes sociais, o Clube Auau diz que “ontem vivemos um dos momentos mais difíceis em nossos mais de 20 anos de história”.

“Um pet que estava sob nossos cuidados veio a óbito, e essa perda nos causa uma dor profunda e sincera. Nos solidarizamos com a família e compartilhamos desse sentimento com muito respeito e empatia”, afirma o hotel para pets.

O Clube Auau ressalta que, desde o primeiro sinal de intercorrência, toda a equipe seguiu rigorosamente os protocolos de atendimento, realizando os primeiros socorros e prestando todo o suporte necessário, incluindo cuidados veterinários.

“Tudo foi conduzido com atenção, responsabilidade e zelo. Estamos apurando cuidadosamente todos os fatos, com seriedade, transparência e respeito, como sempre pautou a nossa atuação ao longo de todos esses anos”, diz.

“Reforçamos que o bem-estar, a segurança e o cuidado com cada aumigo sempre foram, e continuarão sendo, a nossa prioridade absoluta. Esse compromisso é o que sustenta a nossa história, construída com confiança, amor e dedicação aos pets e às suas famílias”, acrescenta.

“Nosso time segue à disposição para qualquer esclarecimento, mantendo o respeito a todos os envolvidos e o cuidado que esse momento exige”, completa o Clube Auau.

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