Após prejuízos milionários, setor privado pede para assumir dragagem do Porto de Santos
Por #Santaportal em 22/07/2017 às 13:30
PORTO – Navios de grande porte não estão conseguindo entrar no porto de Santos devido à profundidade do cais santista, o que está causando prejuízos milionários. Nesta sexta-feira (21), representantes do Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp) anunciaram uma solução para esse problema.
De acordo com os operadores portuários da região, o impasse acontece porque a Codesp não faz a dragagem de manutenção, que é a retirada de areia do fundo do mar de forma contínua. Eles querem que o serviço passe a ser feito pela iniciativa privada, por uma entidade sem fins lucrativos, já que a falta de profundidade está impedindo a entrada das embarcações.
Cada navio que exporta grãos, por exemplo, deixa de embarcar 10 mil toneladas. Segundo as entidades que atuam no sistema portuário, o prejuízo é de quase R$ 5 milhões por dia. “Neste momento está calculado que os prejuízos aqui em Santos, só para os terminais, estão em torno dos R$ 35 milhões por semana, e estamos há três semanas assim. Não vislumbramos uma solução a curto prazo”, explica o CEO do Brasil Terminal Portuário (BTP) e da Associção Brasileira de Terminal de Contêineres (Abratec) Antonio Passaro.
Ainda de acordo com Passaro, além das grandes empresas, o consumidor também será prejudicado com o problema. “O que mais me preocupa é a mão de obra portuária e o usuário final, aquele que paga a mercadoria nas lojas porque os preços vão aumentar e esses custos alguém vai ter que pagar”, conlcui o CEO.
Atualmente o calado é de aproximadamente 14 metros, e a cada dia que passa essa altura fica ainda menor. Com a movimentação da água aumento o acúmulo de sedimentos no fundo do mar, e em alguns pontos a profundidade diminui em 90 centímetros. O ideal, ainda segundo os operadores portuários, é que a profundidade ficasse em 15,40 metros.
A proposta das entidades deve ser encaminhada para o Governo Federal dentro de alguns dias, mas será necessária uma medida provisória que altere a lei 12.815.
A Codesp afirmou que não seria impossível se posicionar sobre o assunto porque os membros da diretoria estão em viagem.