Duo santista 2RD mostra importância de inclusão através da música

Por Noelle Neves em 26/10/2021 às 15:56

De companheiros de equipe de Basquete sobre Rodas de Santos a parceiros em uma banda. Dan e Guido mostram todos os dias que a música é uma mensagem universal e a limitação física, apenas um detalhe. A 2RD tem trabalhos autorais lançados em todas as plataformas digitais e faz shows por todo o Brasil, sempre colocando em evidência a importância da inclusão.

O pricing de Comex, Danilo Oliva, de 38 anos, estava começando a carreira em São Paulo, no emprego dos sonhos. Certo dia, no entanto, um desnível de pista fez com que o carro em que estava, com mais quatro pessoas, capotasse. Por estar no volante, se feriu gravemente e se tornou tetraplégico.

“A recuperação foi bem difícil, mas só tinha um caminho: seguir em frente. Com muitos desafios a cada dia, eu tive que reaprender tudo. Nesse processo que pude contar com os amigos e o esporte adaptado”, contou.

Já o profissional da área de Tecnologia da Informação, Rodrigo Cesar Morais, de 39 anos, tornou-se deficiente aos 14 anos, após um angioma medular. Uma manhã sentiu dor nas costas, foi medicado, mas as pernas pararam de responder. Apesar das dúvidas e incertezas, especialmente pelos médicos duvidarem de sua recuperação, a esperança o movia.

“Tudo ocorreu de forma lenta e dolorosa. Por ser uma doença rara, passei por uma série de erros e acertos por parte dos médicos, mas acredito qu,e pelo fato de estar na adolescência, que é uma fase naturalmente de descobertas, ficou mais fácil entender minha condição e me adaptar a uma nova realidade”, explicou.

O destino dos dois se cruzou em 2003 por meio do esporte. Juntos, disputaram vários campeonatos e enfrentaram adversidades sofridas pela falta de apoio. Com a amizade já consolidada, Dan, que já tocava na noite com alguns amigos por diversão, decidiu convidar Guido para “tirar um som”. O que era uma brincadeira se profissionalizou e começaram a ser convidados para tocar em bares da Cidade.

A banda se construiu no improviso. Violão, pasta com poucas músicas, aparelhagem emprestada e muita coragem.  Mas pouco a pouco, ganhou espaço e assim nasceu a 2RD, que trabalha como duo ou banda completa, de acordo com a necessidade da casa.  Para eles, as apresentações fazem com que os proprietários e frequentadores olhem a inclusão com outros olhos, além de colocar em evidência a importância da acessibilidade para PCDs.

Nos shows, tocam muitas de autoria própria e covers. “Meu amor pela música vem de família. Meus pais sempre escutaram vários estilos e isso despertou o amor em mim. No começo, tudo aconteceu de maneira despretensiosa, mas agora levo a sério demais. Já tivemos grandes momentos, podendo tocar no Sesc, Ação do coração, Reatech, Mobity & Show, Para todos, Festival Bike Brasil. Também fomos repostados pelo Paralamas do Sucesso”, contou Dan.

O caso de Guido também foi parecido. A família ama música e por isso, começou a tocar violão já com 15 anos. O apoio de quem está a volta é ainda maior. “Muitas pessoas comentam com a gente que servimos de inspiração. É de extrema necessidade que, independente da sua condição, você siga o que acredita e deseja”, concluiu.

Conheça o nome de algumas músicas autorais da 2RD:

1-No Meu Mundo

 2-To na Liberdade

 3-Constante de Prazer

 4- Em Qualquer Lugar

Confira as letras.

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