Terapeuta desabafa sobre desafios de manter ONG para autistas em Praia Grande: “vontade de desistir”

Por Noelle Neves em 27/12/2021 às 06:04

“A administração não quer gastar com doenças mentais e nem pessoas com deficiência. Não há acessibilidade alguma”, assim definiu a terapeuta Vanessa Venâncio Martins, a postura de Praia Grande em relação a PCDs. Ela, que é fundadora de uma ONG e mãe de um menino com autismo, disse ter investigado as razões disso.

“Meu filho tem 21 anos e foi retirado da escola, pois as leis no município são inexistentes. Corri atrás para entender e descobri que os conselheiros tutelares são omissos e não levam as questões sobre saúde e educação sobre a doença. Além disso, as secretarias de Saúde e Educação vivem na ilusão e retiram crianças de graus severos dos tratamentos sem colocar em programas condizentes. Há uma fila interminável para o cadastro de gratificações mensais. Fora que o Conselho Municipal de Pessoas com Deficiência de Praia Grande, o Comped, não tem documentação, dizem eles. Ou seja, não têm autoridade”, contou ao Santa Portal.

De acordo com Vanessa, as secretarias da cidade foram fiscalizadas para entender para onde estão indo os benefícios de pessoas com deficiência e não teve resposta. Portanto, disse ter cobrado a prefeita Raquel Chini sobre as promessas de campanha.

“Às vezes, sinto vontade de desistir. Até mesmo, porque consegui tratamento e escola para meu filho através de uma Ação Civil Pública do Direito do Autista do Estado de São Paulo. Essa é uma tramitação demorada e pouco divulgada. Sempre procuro passar essas informações, porque muitas instituições e políticos querem acabar com ela”, disse.

Para tentar ajudar outros pais de pessoas com autismo, a terapeuta fundou uma ONG em novembro de 2019, com 100 membros em Praia Grande e São Paulo, onde também prestam serviços. “Funcionamos em um espaço de Igreja, porque em alguns lugares não nos deixam trabalhar. Já sofremos ameaças, represálias, mas não desistimos”, disse.

Em Praia Grande, os principais feitos incluem: abertura de sessão azul para os deficientes do município, já que anteriormente apenas um grupo seleto era atendido; também contribuiu para criaram assentos prioritários nos ônibus, virou lei.

“Nós temos departamento jurídico, psicóloga, neuropsicopedagoga especializada, professora de esportes aquáticos para pessoa com deficiência e outros profissionais voluntários. Apesar de equipe, não temos um espaço para atuar. Nosso trabalho é diversificado e dou liberdade para a equipe desenvolver novas atividades, até mesmo em espaços abertos”, contou.

A participação de pais é fundamental, por isso estão sempre incluídos nas ações. Segundo ela, a presença é importante porque permite uma aproximação ainda maior com os filhos e também a conhecer os direitos de uma pessoa com autismo.

“Temos parcerias que nos ajudam, mas no que diz respeito a Praia Grande… O trabalho é difícil. A prefeitura olha apenas para o turismo. Poderia ser uma ótima cidade, mas está um caos, porque a política e as drogas imperam”, opinou a terapeuta.

O Santa Portal entrou em contato com a administração solicitando a lista de ações voltadas para PCDs no município, mas não obteve resposta até o momento da publicação. Uma vez recebida a nota, será publicada integralmente neste espaço.

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