Moradora de Praia Grande luta para conseguir ortopedista pediátrico para filho de oito meses

Por Noelle Neves em 31/12/2021 às 12:56

Rosicleide Nunes da Silva, de 27 anos, está há oito meses tentando oferecer a melhor qualidade de vida para Enzo Gabriel, seu filho. Ele nasceu com má formação nos braços e nas pernas e precisa de um especialista para orientar no melhor tratamento. No entanto, apesar do encaminhamento ter sido feito há algum tempo, ainda não foi chamada.

“Como ele precisa de um especialista com urgência, pagamos no particular. Sou casada e meu marido é quem arca com as despesas, já que não posso trabalhar por cuidar dele integralmente. Nem o postinho e nem o SUS nos posicionam do andamento das coisas”, desabafou em entrevista ao Santa Portal.

De acordo com ela, assim que nasceu, era preciso fazer tratamento com botas, o que não foi feito. “Meu filho nasceu no Hospital Irmã Dulce. Lá, só fizeram coisas erradas. A equipe da Neo não cumpriu com o dever e não ofereceu o tratamento necessário. Dessa maneira, ele desenvolveu trombose e sofreu um derrame, precisando ser intubado”, disse.

A criança recebeu alta, mas os cuidados constantes continuam. Ele passou por uma avaliação por um médico vascular, que prescreveu um medicamente específico. “O grande problema é que a farmacêutica da UPA Quietude não quer fornecer o remédio, porque a guia solicita por tempo indeterminado. Quer que eu vá todos os dias para fazer a aplicação, mas estamos no meio de uma epidemia de gripe e não posso arriscar a vida do meu filho”,

Sobre a medicação, a Secretaria de Saúde Pública (Sesap) de Praia Grande informou que a receita havia vencido, por isso houve a necessidade de passar em consulta com o pediatra, que solicitou novos exames para dar andamento no acompanhamento e tratamento da criança.

“Inclusive, consta no sistema três consultas recentes com o pediatra, nos dias 17, 20 e 27 de dezembro. Consta ainda uma falta em 16 de novembro, porém, a mãe justificou à unidade, em busca ativa realizada em 23 de novembro, ter levado a criança em consulta em convênio próprio. A Sesap destaca ainda que a recomendação médica quanto à medicação enoxaparina é que ela seja feita sob supervisão de profissional habilitado nas unidades de saúde”, diz a nota.

Sobre a vaga para ortopedista pediátrico, o encaminhamento foi inserido no sistema em 4 de novembro para agendamento junto ao DRS-IV, através do sistema CROSS, cuja regulação é feita pelo Estado.

A Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde (CROSS) informou que já foi viabilizada vaga em serviço de referência para o paciente E.G.N.L. para janeiro, cabendo ao serviço de origem mantê-la assistida conforme suas condições clínicas atuais.

“Importante esclarecer que a transferência de um paciente não depende exclusivamente de disponibilidade de vagas, mas também de quadro clínico estável que permita o deslocamento a outro serviço de saúde para sua própria segurança”, diz o comunicado.

A SPDM, responsável pela administração do Hospital Irmã Dulce, declarou que não tem autorização para divulgar informações clínicas e que, após o nascimento, o paciente E.G.N.L ficou internado por um período de cinco meses na unidade, onde recebeu toda a assistência multidisciplinar, de acordo com o quadro apresentado. “Com relação à necessidade ortopédica, como o uso de botas, o hospital informa que o procedimento deve ser realizado em regime ambulatorial, com acompanhamento das especialidades clínicas necessárias para o paciente após a alta”, afirmou.

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