Baixada Santista já foi palco de crimes horríveis que marcaram gerações; veja lista!

Por Laura Andrade em 02/01/2026 às 11:00

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Pouca gente sabe, mas a Baixada Santista já foi palco de crimes sombrios que marcaram a época. Entre maníacos, assassinos e figuras que chocaram a região com atos ardilosos, muitos desses casos permanecem vivos apenas na memória de antigos moradores.

Agora, com o crescimento do interesse por histórias criminais, ainda mais com a fama da série da Prime Vídeo Tremembé que fala sobre os casos criminais mais famosos do Brasil, e claro, pela curiosidade do público, reunimos alguns dos episódios casos mais impactantes que já ocorreram aqui, para lembrar um pouco mais da nossa própria história.

Maria Féa: o caso da mala

Em 28 de outubro de 1928, Maria Féa, de 22 anos, casada com Giuseppe Pistone, descobriu que seu marido planejava furtar o próprio primo, para que pudesse ficar com os negócios da família. Com isso, decidiu escrever uma carta à sua sogra, contando tudo o que estava acontecendo.

Porém, antes da carta ser enviada, Giuseppe descobriu o que sua esposa tinha feito. Ao confrontá-la, a conversa se transformou em uma discussão violenta, o que levou o marido a agredi-la de forma brutal, e sufocando ela até a morte, tudo isso enquanto ela estava grávida de seis meses.

Em seguida, para ocultar o crime, Giuseppe esquartejou o corpo da esposa e o colocou dentro de uma mala, junto com algumas roupas dela, objetos pessoais e a arma usada no crime. Com documentos falsos, despachou a mala para a França, tentando evitar qualquer suspeita. O envio foi realizado no Porto de Santos.

No entanto, o peso da mala fez com que ocasionalmente ela se rompesse, fazendo que o sangue vazasse e liberasse um forte odor. Funcionários do porto sentiram o cheiro e acionaram a polícia. Quando a mala foi aberta, o corpo de Maria Féa foi encontrado completamente deformado.

A descoberta chocou a todos e ganhou grande repercussão, e investigações foram iniciadas imediatamente e pouco tempo depois, ligaram o crime a Giuseppe. Em seu primeiro depoimento, ele alegou que Maria teria morrido de mal súbito após uma briga. Com a autópsia desmentindo essa versão, ele mudou sua alegação, dizendo que encontrou Maria com um amante no apartamento deles.

Ele foi condenado a 31 anos de prisão pelos crimes de homicídio, latrocínio e ocultação de cadáver, porém sua pena posteriormente foi reduzida para 20 anos. Ele morreu em 1956, aos 62 anos de idade.

Maria Féa está enterrada no Cemitério da Filosofia, em Santos, e seu túmulo ainda é visitado por muitas pessoas, atraídas pela trágica história.

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O Maníaco da Peruca

Entre 2014 e 2015, o dentista Flávio do Nascimento Graça, de 46 anos, ficou conhecido como ‘maníaco da peruca’ por atacar as vítimas usando uma peruca como disfarce. Ele tinha dois consultórios odontológicos, que faliram. Segundo informações, isso aconteceu após perderem clientes para uma rede de clínicas odontológicas concorrente, que fazia muito sucesso.

Motivado por inveja e ciúmes, o maníaco da peruca cometeu seu primeiro crime em dezembro de 2014, quando atacou o dono da Clínica Americana, Agilson Correia de Carvalho, atingido ele com um disparo certeiro na cabeça, enquanto o mesmo saía de seu próprio estabelecimento.

Em julho de 2015, o criminoso percebeu que a clínica seguia em funcionamento e decidiu atacar os irmãos de sua primeira vítima, Aldacy Correia de Carvalho e Arnaldo Correia de Carvalho, e o sobrinho deles, Alex Macedo de Carvalho, que administravam o local. Quando os três deixavam uma das unidades da clínica no Centro de Santos, ele armou uma emboscada.

Disfarçado com uma peruca black power, o assassino abriu fogo contra o grupo. Aldacy morreu no local, Arnaldo perdeu a vida quatro meses depois por complicações pós atentado. Por fim, Alex escapou pois foi baleado de raspão no rosto.

Em setembro de 2015, o serial killer passou a observar Sônia Cristina Saboya, funcionária da Clínica Americana na época dos crimes. Usando uma peruca loira como disfarce, o maníaco da peruca repetiu o mesmo padrão de sempre, atirando duas vezes contra Sônia e fugindo em seguida. Felizmente, ela sobreviveu.

Por meio das imagens de câmeras de segurança, os policiais rapidamente chegaram ao nome de Flávio do Nascimento Graça, e iniciaram as buscas. Ele ficou quatro anos foragido até ser localizado e preso em 2018. Após a captura, ele foi encaminhado para a Penitenciária José A. C. Salgado, a P-II de Tremembé.

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Serial Killer das Crianças

O serial killer Douglas Baptista, de 72 anos, foi acusado de ter matado oito crianças, com idades entre cinco e 12 anos. A maioria dos ataques ocorreu entre 1992 e 2003, mas ele foi capturado somente em dezembro de 2015.

Ao todo suas vítimas foram sete meninas e um menino, sendo que a maioria dos casos ocorreu em São Vicente, onde ele amarrava os braços e as pernas deles, e os jogava em rios e mangues para que se afogassem. Dentre as crianças assassinadas, uma delas era sua própria enteada.

Na época, a polícia concluiu que o sequestrador conhecia todas as vítimas e se tornou amigo de todas as famílias para facilitar a sua ação. Segundo informações da polícia, Baptista foi abordado quando deixava um imóvel localizado no bairro Quietude. Quando o suspeito avistou o carro da Polícia Militar que fazia patrulhamento pelo local, ele tentou fugir, mas foi abordado pelos policiais.

Um dos casos mais famosos de Douglas Baptista ocorreu no Natal de 2003. Nathaly Jennifer Ribeiro e Najila de Jesus, ambas de cinco anos, foram levadas em frente a casa delas, no bairro Jardim Sambaiatuba.

Após cometer esses assassinatos, o serial killer morou em Porto Alegre durante algum tempo. Depois disso, foi preso e ficou na Penitenciária de São Vicente, mas recebeu alvará de soltura e respondeu em liberdade.

Atualmente, Baptista confessou às autoridades que teria matado pelo menos outras sete crianças com o mesmo modus operandi. O delegado que acompanhou o caso disse, no inquérito policial, que o assasino admitiu sentir prazer ao ver as crianças se debatendo na água até morrer.

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A era das chacinas de MCs

Entre 2010 e 2012, quatro MCs e um DJ foram assassinados em uma onda de ataques contra artistas da Baixada Santista. A Justiça não descobriu a autoria de todos os crimes, ou se eles têm alguma ligação, mesmo que todos tenham acontecido no mês de abril.

Os primeiros homicídios ocorreram no dia 10 de abril de 2010, quando Felipe Wellington da Silva Cruz, o MC Felipe Boladão, e Felipe da Silva Gomes, o DJ Felipe da Praia Grande, estavam na Praia Grande se preparando para ir para Guarulhos, onde fariam uma apresentação.

Eles estavam aguardando uma carona em frente a uma casa no Jardim Glória, quando um homem desceu de uma moto e atirou nos dois. Eles chegaram a ser levados ao pronto-socorro, mas não resistiram aos ferimentos.

No dia 12 de abril de 2011, exatamente um ano depois do outro incidente, Eduardo Antônio Lara, o MC Duda do Marapé, foi assassinado no Centro de Santos. Conforme as testemunhas que estavam no local, homens de moto passaram sob o elevado da rodoviária, onde estava Duda, e atiraram nove tiros nele. O caso foi classificado como homicídio com autoria desconhecida.

No dia 19 de abril de 2012, novamente um ano depois do último homicídio, Jadielson da Silva Almeida, o MC Primo, estava com seus filhos, que na época tinham cinco e nove anos, quando foi morto por um homem que estava em um Fiat Uno branco, em São Vicente. Ele recebeu 11 tiros e morreu na hora.

Depois de uma investigação feita pela Polícia Civil, em 2022, foi identificado que a arma utilizada no homicídio era de posse da Polícia Militar. Quem a portava no momento do crime era o cabo Anderson de Oliveira Freitas

Em 28 de abril de 2012, Cristiano Carlos Martins, conhecido na época como MC Careca, foi assassinado com 15 tiros no Conjunto Habitacional Dale Coutinho, em Santos. Ele trabalhava em um salão de cabeleireiro durante o dia, e à noite cantava em casa de shows.

Careca, que estava no auge da carreira, retratava em suas canções a realidade das comunidades da Baixada Santista.

Um dos principais nomes do funk durante os anos 2000, MC Neguinho do Kaxeta sobreviveu a um ataque, em São Vicente. Ao todo, foram 11 tiros, três ficaram na porta do carro de Kaxeta, três atingiram o cantor de raspão e o quarto o acertou em cheio.

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O caso da Andreia Amaral

Em março de 1994, antes mesmo da repercussão nacional do caso Richthofen, ocorrido oito anos depois, Santos passou por um caso parecido. Andréia Gomes Pereira Amaral, de 20 anos, estudante de Direito na Universidade Católica de Santos, matou os próprios pais com a ajuda do namorado.

Segundo a polícia, o crime vinha sendo planejado havia cerca de um mês. Andréia teria relatado sofrer maus tratos do pai, que não aceitava o namoro dela. O pai, Antônio Silva Amaral, era comerciante português e dono de cerca de 50 imóveis na cidade. Andréia desejava herdar os bens dele.

Em 26 de março, ela dopou os pais com diazepam, e o plano seria matar o pai com um revólver enquanto dormia, mas acabou não dando certo porque o pai acordou antes do previsto. Naquele dia decidiram abortar o plano.

Três dias depois, em 29 de março de 1994, o casal decidiu fazer novamente. Andréia escondeu o namorado debaixo da sua cama, até os pais dormirem. No momento, desistiu de matar eles com um revólver, e optou por utilizar uma faca. 

Primeiro, assassinou seu pai. Depois desceu até a sala de estar, onde a mãe, Deolinda Gomes Pereira Amaral, dormia no sofá e também a matou. Inicialmente, a mãe não estava nos planos, mas foi morta para evitar testemunhas. O irmão da Andréia, que era um bebê, foi o único poupado.

Depois do crime, o casal colocou os corpos em sacos e levou até uma área de mata na divisa entre Santos e Cubatão. Com a ajuda de um amigo do namorado, os cadáveres foram enterrados na região da Alemoa.

No dia seguinte, Andréia procurou duas tias e alegou suspeitar de que o pai teria matado a mãe e fugido. A família registrou ocorrência com essa versão, e a polícia chegou a emitir um mandado de busca para Antônio.

Entretanto, os indícios começaram a ruir quando uma das tias decidiu ir até o apartamento e encontrou o imóvel com marcas de sangue por vários cômodos.

Na sexta-feira, um telefonema anônimo informou à polícia que o namorado da jovem havia sido visto com o carro dela no período do desaparecimento dos pais. Localizado em casa, o adolescente confessou o crime. Confrontada com o depoimento do namorado, Andréia também admitiu participação.

A estudante teve a prisão temporária decretada e foi encaminhada ao presídio feminino de Santos. O namorado, por ser menor de idade, foi levado à Febem.

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Mathias Costa: a morte do marido da Ana Costa

Mathias Costa, português radicado em Santos, era casado com Ana Costa, nome que mais tarde batizaria uma das principais avenidas da cidade. Mathias saiu na manhã de 8 de maio de 1889 para acompanhar as obras da futura via, que ligaria a Vila Mathias à orla.

Durante a visita, ele encontrou os irmãos Olívio e Antônio Batista de Lima, de uma influente família santista. Um deles atirou em Mathias, que morreu horas depois. Embora o disparo fosse de Antônio, Olívio, que tinha problemas mentais e havia sido internado recentemente, Olívio assumiu o crime. 

Mathias tinha 35 anos e deixou a esposa e cinco filhos, causando grande comoção na cidade.

A notícia parou a cidade, já que Mathias Costa era conhecido como um homem empreendedor, arrojado e enérgico. Morreu logo após ter acordado com a prefeitura que a nova avenida seria batizada de Ana Costa, em homenagem à esposa.

O julgamento dos irmãos Lima aconteceu no dia 1º de junho, na Casa de Câmara e Cadeia, na Praça dos Andradas (atual Cadeia Velha), com a absolvição da dupla, pelo advogado Cesário Bastos. O caso repercutiu negativamente em todo o país. No Diário Mercantil de SP, a manchete “Foram absolvidos os homens que com uma bala de revólver despedaçaram o crânio de um homem, o coração de uma senhora e o futuro de cinco crianças”.

E no final, ao passar do tempo, a Dona Ana Costa se casou novamente e voltou para o Rio.

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O sanduíche de carne humana

Na manhã de 6 de outubro de 1987, um morador de Santos se deparou com uma cena macabra a poucos metros de sua residência. Ao abrir três sacolas plásticas abandonadas na via pública, encontrou partes do corpo de uma mulher. A polícia foi acionada e confirmou o esquartejamento.

Para identificar a vítima, as autoridades tomaram uma medida drástica: publicaram a foto do rosto da jovem, sem censura, nos jornais locais com o apelo: “Quem conhece essa mulher?”. O impacto foi imediato. Em menos de 24 horas, a vítima foi identificada como Antônia de Lourdes Basílio, de 21 anos.

As investigações revelaram que Antônia estava grávida de seis semanas e buscou Maria da Paz Cavalcante, de 33 anos, para realizar um aborto clandestino no dia 3 de outubro. Após o procedimento, a jovem sentiu-se mal e retornou à casa de Maria no dia seguinte.

Temendo que Antônia buscasse socorro hospitalar e denunciasse a prática ilegal, Maria da Paz ofereceu-lhe um chá. Pouco depois de ingerir a bebida, a jovem faleceu. O laudo do IML, realizado após a análise do tórax da vítima, confirmou que a morte foi causada por uma hemorragia interna uterina decorrente da perfuração sofrida durante o aborto.

Para ocultar o cadáver, Maria da Paz contou com a cumplicidade de Maria Bernadete da Silva, uma ex-açougueira. O esquartejamento ocorreu no banheiro da residência, na presença da filha de apenas um ano de Bernadete.

As partes do corpo foram separadas em sacolas. Maria da Paz contratou um taxista de confiança, conhecido como “Goiabão”, para transportar os restos mortais até o Morro do José Menino. O motorista realizou o serviço sem saber o que carregava.

Inicialmente, a polícia não localizou uma das coxas e uma das pernas de Antônia. Os membros só foram encontrados após a confissão de Maria Bernadete: estavam escondidos em um freezer, junto a alimentos, em seu estabelecimento comercial. Bernadete era proprietária de um carrinho de lanches na orla da praia, próximo ao Canal 4 e à Igreja do Embaré.

A localização dos restos mortais deu origem a um dos maiores mitos urbanos da região. Devido ao passado de Bernadete como açougueira, espalhou-se o boato de que a carne humana seria utilizada nos sanduíches vendidos na praia.

Entretanto, a hipótese nunca foi confirmada. O delegado responsável pelo caso, Dr. Barazal, afirmou que os insumos do carrinho estavam lacrados e que as partes do corpo encontradas não apresentavam sinais de preparo para consumo. Segundo as criminosas, a intenção era apenas descartar o restante do corpo posteriormente. A investigação foi encerrada em quatro dias, concluindo que o boato da “carne humana no lanche” foi fruto do imaginário popular, alimentado pela macabra coincidência entre o crime e a profissão da cúmplice.

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