SPA firma parceria para monitoramento do leito marítimo do Porto de Santos
Por Santa Portal em 09/12/2021 às 17:15
A Santos Port Authority (SPA), a Wilson Sons e a DockTech assinaram nesta quinta-feira (9) um acordo de cooperação técnica para aperfeiçoamento e uso de tecnologia inédita de monitoramento do leito marítimo no Porto de Santos. O acordo formaliza parceria que visa o estudo e colaboração entre as três empresas para aperfeiçoamento de solução de monitoramento em tempo real da profundidade operacional do canal de navegação e acesso aos berços de atracação do Porto de Santos.
Desenvolvida pela startup israelense DockTech, a solução consegue mapear em tempo real a profundidade do canal de navegação e é capaz de entender o padrão de assoreamento dos portos, prevendo como as variações no leito afetam a segurança da navegação e o transporte de cargas.
“Essa parceria ela é um avanço tecnológico sem precedentes para o Porto de Santos porque vai permite monitorar em tempo real as variações de calado. Nós podemos avaliar, com base nessa coleta de informações e de forma online, se há alguma variação, algum assoreamento e com isso nós podemos tomar decisões mais rápidas em relação a dragagem. O canal de navegação é o nosso principal ativo, então essa tecnologia vai contribuir muito para que a gente possa, não só agir de forma mais rápida, mas também para garantir a segurança e transmitir maior tranquilidade principalmente para os armadores que utilizam o nosso canal”, disse o diretor-presidente da SPA, Fernando Biral.
Ele destaca ainda que a iniciativa integra a estratégia da SPA de unir esforços com a comunidade portuária e agentes públicos e privados da região para encontrar padrões e semelhanças em serviços, viabilizando seu compartilhamento para racionalizar investimentos e acelerar o processo de inovação em busca de maior eficiência operacional.
“Essa parceria é um marco importante, pois mostra que juntos podemos fazer mais e melhor para colocar o Porto de Santos em um novo patamar de desempenho e inovação tecnológica”, afirmou Biral.
A interação com a Wilson Sons e a DockTech é a primeira iniciativa regrada pela norma da SPA que estabelece diretrizes de parcerias para o desenvolvimento de inovações tecnológicas no Porto.
“Os primeiros testes com a tecnologia no Brasil ocorreram no Porto de Santos e, agora, com o acordo de cooperação técnica, a parceria será ampliada. Hoje os rebocadores da Wilson Sons percorrem diariamente todo o canal de acesso do Porto de Santos. Quando ele percorre essa distância, duas informações são fundamentais nessa navegação: a profundidade do canal de acesso que ele está passando naquele exato momento e a posição geográfica em que estamos coletando a informação da profundidade. Com essas informações reunidas, antes eram usadas só pelo comandante, mas agora estamos coletando, armazenando todos os pontos lidos durante a navegação na nuvem. Depois disso, ela é processada e criada um gênio digital – representação digital do Porto de Santos. Conseguimos identificar quais são os pontos em que a leitura feita pelos rebocadores difere da leitura da última batimetria oficial do Porto. A SPA é alertada com essas informações e uma intervenção mais rápida pode ser feita”, explicou o diretor executivo da Divisão de Rebocadores da Wilson Sons, Márcio Castro.
O co-fundador da DockTech, Uri Yoselevich, destaca que essa tecnologia, ao analisar esses dados com algoritmos baseados em inteligência artificial é possível identificar a ocorrência de assoreamento, antecipar as necessidades de dragagem e garantir maior segurança à navegação. “A infraestrutura portuária mundial ainda não possui instrumentos capazes de monitorar em tempo real a profundidade dos canais de navegação e acesso aos berços de atracação. A solução da DockTech possibilita fazer essa medição de forma dinâmica e, assim, evitar restrições de calado operacional, aumentar a segurança da navegação e prevenir o desperdício de recursos com dragagem”, comentou.
As campanhas para levantamentos hidrográficos, categoria A,ordem especial, que são utilizados para monitoramento das profundidades do canal de acesso do Porto de Santos e para acompanhamento e medição dos serviços de dragagem, custam em torno de R$ 2 milhões por ano. Biral explica que a nova tecnologia possibilitará à SPA aprimorar seu planejamento e investir de forma mais assertiva e eficiente na manutenção da profundidade do canal de navegação do Porto.
Além da redução dos custos, outro benefício apontado pelo executivo da Wilson Sons é a possibilidade de antecipar cenários e entender como condições meteoceanográficas afetam o assoreamento do canal. “A ferramenta nos alimenta com dados 24 horas por dia. Isso permite uma visualização dinâmica do que ocorre no porto. É como substituir uma foto por um filme em tempo real”, detalhou Castro.
Segundo Biral, a Autoridade Portuária irá cooperar na análise técnica e aperfeiçoamento da ferramenta, sugerindo adequações que atendam às necessidades da SPA, além de propor novas aplicabilidades e possíveis ganhos viabilizados pelo uso da solução.
“Essas parcerias exigem da Autoridade Portuária informações, expertise, uma dedicação dos nossos recursos, mas não há comprometimento de recursos financeiros e o mais importante: nós podemos fazer parceria com qualquer empresa que desejar, que tenha uma ideia inovadora ou que queira desenvolver uma parceria com a SPA. Nós estamos abertos a fazer esses acordos. A nossa ideia é firmar essas parcerias com o intuito de trazer o ganho para a Autoridade Portuária que, por consequência, é um ganho para o país”, conclui o presidente da SPA.
Norma para parcerias
A norma que estabelece as diretrizes para parcerias no Porto de Santos, publicada em setembro, abre um leque de possibilidades para o ecossistema de inovação que visa a intensificar a cooperação entre a SPA, os terminais portuários, instituições científicas e tecnológicas, institutos de pesquisa e startups em busca de soluções compartilhadas para as atividades do Porto de Santos.
Esse regramento integra a agenda de inovação que a SPA deflagrou em 2019 com a digitalização de serviços e desburocratização de normas com vistas a avançar para o modelo de Porto 4.0. A Autoridade Portuária também criou um Comitê de Inovação que concentrará as iniciativas de soluções tecnológicas.
Outro aspecto importante desse processo é a relação Porto-Cidade, visto que estabelece um envolvimento maior com as universidades, por meio de uma interlocução sobre o novo perfil do trabalhador portuário, de forma que as universidades possam preparar os graduandos para ocupar os novos postos de trabalho gerados pelos terminais.