Petrobras arremata terminal no Porto de Santos por R$ 558,2 milhões
Por Folha Press e Santa Portal em 19/11/2021 às 13:13
Sem concorrência, a Petrobras venceu licitação nesta sexta-feira (19) para a concessão de área que em que já opera um terminal de recebimento e armazenamento de combustíveis no porto de Santos. A estatal pagará ao governo R$ 558,2 milhões para ocupar o espaço por mais 25 anos.
No mesmo leilão e também sem disputa, o governo concedeu à Fertilizantes Santa Catarina um outro terminal de armazenamento de combustíveis no porto de Imbituba, no litoral catarinense. A empresa se comprometeu a pagar R$ 200 mil pela concessão.
O leilão era celebrado pelo Ministério da Infraestrutura como “o maior leilão portuário da história”. O plano inicial era conceder três áreas, mas uma delas, também em Santos, não teve propostas. Com as duas áreas concedidas, o governo espera investimentos de R$ 1 bilhão.
“Deu deserto no 08, que é um terminal menor adjacente a 08A, que era então a principal operação da Petrobras. A modelagem que o governo federal propôs era que o arrendatário teria acesso ao duto da Petrobras, então você tem uma tancagem no terminal que giraria 30 vezes no ano, sendo que a média fora da Petrobras é de oito ao ano. Ou seja, entendendo que qualquer outro player que fosse assumir o 08, a Petrobras iria tirar toda a carga e poderia colocar no 08 A. Além disso, o mercado não está em amplo crescimento para apostar em uma movimentação incremental em paralelo ao mercado, tendo em vista toda carteira de investimentos que estava prevista no leilão. O edital tinha uma demanda alta por investimentos, mas o risco da Petrobras tirar todo o movimento do terminal é alto, tanto que só entrou no 08 A. As exigências técnicas de operação de 100% da carga é algo que o setor privado não tem acesso, esse era o risco do projeto. Então o próximo passo é rever os parâmetros e fazer uma nova licitação olhando para o despacho rodoviário e não mais dutoviário”, disse o diretor de Assuntos Portuários do Sistema Santa Cecília de Comunicação, Casemiro Tércio.
Nos dois casos, o valor mínimo de oferta era R$ 1. A representante da Petrobras no leilão disse que a vitória da estatal “encerra capítulo muito complexo” na logística da companhia ao garantir um contrato de 25 anos para as instalações, que vinham operando de forma precária.
“A Petrobras tem quatro refinarias conectadas a esse terminal, que é muito importante para nossa logística”, afirmou. “Agora temos 25 anos de estabilidade jurídica para continuar atendendo nossos clientes.”
Segundo o diretor-presidente da SPA (Santos Port Authority), Fernando Biral, a nova concessão vai resolver gargalos no sistema de movimentação de combustíveis do porto. “O processo resolveu problemas que temos há mais de uma década”, disse.
Entre os R$ 678 milhões em investimentos previstos no terminal, estão a construção de dois novos berços de atracação de navios, ampliando a capacidade de movimentação de combustíveis. A outorga paga pela estatal será destinada à autoridade portuário para investimentos.
Em 2021, o governo já concedeu 12 terminais portuários, com investimentos previstos em R$ 1,7 bilhão. Desde 2019, diz o secretário nacional de Portos, Diogo Piloni, foram 33 terminais arrendados. “Isso mostra que é uma agenda de Estado”, afirmou.
Em discurso após o leilão, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas disse que o valor das outorgas não é importante nesses leilões, mas sim os investimentos na modernização da infraestrutura logística.
“Aquela ideia que se tinha de um setor portuário ineficiente, de gargalos, de um nó na nossa infraestrutura está ficando para trás”, afirmou.
Segundo ele, o aumento de caixa na SPA ajuda a preparar a companhia para a privatização, que o governo espera fazer no primeiro trimestre de 2022. O processo está hoje sendo analisado pelo TCU (Tribunal de Contas da União).
A privatização do Porto de Santos, diz o ministro, abrirá caminho para outras privatizações de portos, como São Sebastião (SP) e Itajaí (SC). “Vai acontecer no setor portuário a mesma coisa que aconteceu no setor aéreo anos atrás”, comentou Tarcísio, citando a concessão dos aeroportos antes operados pela Infraero.