Operárias, executivas e empresárias portuárias debatem efeitos da pandemia no Porto

Por #Santaportal em 09/03/2021 às 20:35

A Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (ABTRA) e suas empresas associadas promoveram, nesta terça-feira (9), uma mesa-redonda virtual em comemoração à Semana Internacional da Mulher. A iniciativa foi realizada pela plataforma Zoom e transmitida no canal do YouTube da entidade, levantando o tema “Mulheres Portuárias Unidas no Combate à Pandemia”.

A roda de conversa foi composta pelas médicas infectologistas Elisabeth Dotti Consolo e Andréa Maria de Assis Cabral, pela médica do trabalho na VLI Logística, Maria Lúcia Pozzobon Indolfo, e pela conselheira de administração da ABTRA, Patricia Dutra Lascosque, com mediação de Milena Castro, gerente de comunicação e relações institucionais da entidade.

Em uma hora de debate, as convidadas falaram sobre como a pandemia do coronavírus afetou mulheres trabalhadoras do setor, além de discutirem a crescente desigualdade de gêneros no mercado de trabalho, acentuada em razão da covid-19.

“Todas nós fomos desafiadas nesta pandemia, seja na área pessoal ou profissional. Todas nós que somos mulheres, esposas, mães e filhas, fomos afetadas. Isso acabou influenciando nosso trabalho. As escolas mudaram suas dinâmicas e os cuidados extras com grupos de risco. Tudo isso montou a rotina da mulher”, explica Maria Lúcia Pozzobon Indolfo, médica do trabalho na VLI Logística em Santos.

Uma pesquisa da McKinsey & Company, no último ano, apontou que uma em cada quatro mulheres pensavam em deixar o trabalho ou mesmo mudar de carreira, afetando não somente o profissional, mas a saúde das trabalhadoras.

Outro estudo que orientou a roda de conversa foi uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) no ano passado, mostrando que 37% das entrevistadas já apresentavam sinal de stress aparente, 34% ansiedade e 40,5% depressão.

“Está na hora de nos recolocarmos nessa pandemia. Estamos trabalhando muito, mas estamos sem voz. Precisamos cobrar e exigir, pois nós estamos carregando o peso da família, do trabalho e da pandemia”, disse a infectologista da Prefeitura de Santos e Bertioga, Elisabeth Dotti Consolo.

Além da conversa sobre o mercado de trabalho, as convidadas também abriram o que sentem em relação à pandemia e aos efeitos que o coronavírus trouxe para a vida de todas as envolvidas no porto de Santos. A analista de sistemas da ABTRA, Cissa Santos, sabe bem o que é lidar com o receio da doença.

“Começou com uma faringite e febre, até chegar a um comprometimento de 40% do meu pulmão. Eu pensava na preocupação que estava causando aos meus pais, mas consegui vencer essa doença. O que ficou de aprendizado é estarmos mais atentos, não subestimar e pensar no próximo. Temos que ser pacientes e nos cuidarmos mais”, revelou.

O bate-papo salientou que, apesar da vacinação, ainda é preciso cuidados enquanto o vírus ainda estiver em circulação, principalmente para as trabalhadoras do porto.

“Os profissionais do Porto foram incluídos como prioritários, no máximo até maio serão vacinados. Enquanto isso devemos ter resiliência e pensar sempre nos procedimentos portuários. Pensem em suas famílias e nas pessoas que estamos contaminando”, alertou a infectologista na Fundação São Francisco Xavier, Dra. Andréa Maria de Assis Cabral.

A diretora de Jornalismo do Sistema Santa Cecília de Comunicação, Natalie Nanini, também participou da conversa e frisou que os cuidados precisam ser mantidos e que cada um deve fazer sua parte.

“É um problema de responsabilidade dividida, do cidadão comum, onde a ciência determina o que acontece. Não afeta só a sua casa. É a casa do vizinho, do seu amigo… Hoje temos 265 mil vidas a menos, o que impacta duramente a economia. Enquanto não entendermos que a saúde é a prioridade, seguiremos assim”, finalizou.

A mesa-redonda virtual ainda pode ser acessada no canal do Youtube da ABTRA e do SantaPortal .

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