Estudo Santos 10+ alerta para saturação dos acessos ao Porto de Santos e necessidade de obras estruturantes até 2035

Por Santa Portal em 24/06/2026 às 11:29

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O Porto de Santos deverá movimentar quase 300 milhões de toneladas de cargas em 2035, mas corre o risco de enfrentar gargalos semelhantes aos atuais caso os investimentos em acessos rodoviários e aquaviários não acompanhem o ritmo de crescimento da atividade portuária. O alerta faz parte do projeto Santos 10+, estudo apresentado ontem (23), pelo Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp), durante coletiva de imprensa realizada em Santos.

Desenvolvido ao longo de oito meses por um consórcio formado pelas consultorias Tylin, Paragon e 4Infra, o levantamento avaliou a capacidade operacional do complexo santista, seus acessos terrestres e aquaviários e os impactos esperados para os próximos dez anos. O objetivo foi entender se a infraestrutura atualmente prevista será suficiente para suportar a expansão da movimentação portuária.

Os números indicam um crescimento expressivo da demanda. A movimentação total de cargas deverá passar de cerca de 190 milhões de toneladas para 253,6 milhões de toneladas em 2030 e atingir 291,1 milhões de toneladas em 2035. Embora a capacidade operacional projetada também cresça, chegando a 309,1 milhões de toneladas ao final do período, o estudo conclui que os principais desafios não estarão dentro dos terminais, mas nos acessos ao complexo portuário.
Segundo o diretor-executivo do Sopesp, Ricardo Molitzas, o trabalho não teve como finalidade apresentar soluções definitivas, mas construir um diagnóstico técnico capaz de antecipar discussões fundamentais para o futuro do porto.

“O objetivo não foi dar solução. Fizemos um diagnóstico do Porto, apontando como ele está hoje e considerando a demanda prevista para os próximos dez anos, avaliando ainda o que acontece com a infraestrutura diante desse crescimento. Queremos chamar a atenção para o maior porto do país, por onde passa uma parcela significativa da produção brasileira, e estimular a discussão sobre o que precisaremos fazer para continuar crescendo”, afirmou.

As simulações realizadas apontam que a expansão do fluxo de caminhões poderá ser muito superior às projeções tradicionalmente utilizadas no planejamento logístico. Enquanto alguns estudos indicam crescimento de cerca de 20% até 2035, o Santos 10+ identificou cenários com aumento de até 136% na circulação de veículos ligados ao porto.

Na região Valongo-Saboó, por exemplo, onde atualmente circulam cerca de 730 caminhões por hora, o acréscimo poderá chegar a 1.431 veículos por hora até 2035. Também foram identificados pontos de pressão logística na Alemoa, em Santos, e na região da Rua do Adubo, em Guarujá.

Conforme o dirigente do Sindicado, os resultados reforçam a necessidade de acelerar projetos estruturantes como a terceira pista da Anchieta e o túnel Santos-Guarujá. As simulações indicam que ambas as obras melhoram significativamente o desempenho do sistema logístico, embora não eliminem completamente os gargalos futuros.

Canal de navegação também exige planejamento

O estudo também dedicou atenção especial ao acesso aquaviário. As projeções apontam que o número de navios que utilizam o Porto de Santos poderá crescer de 1.608 embarcações registradas em 2025 para até 2.270 em 2035, uma expansão superior a 41%.

Nesse cenário, o aprofundamento do canal de navegação aparece como uma medida estratégica para permitir a operação de embarcações maiores e ampliar a capacidade logística do complexo portuário. “O acesso rodoviário já apresenta sinais claros de saturação, mas precisamos olhar também para o acesso aquaviário. O aprofundamento do canal é fundamental para garantir a competitividade do Porto de Santos diante da evolução da navegação mundial e do aumento do porte dos navios”, destacou.

De acordo com o levantamento, o canal de navegação já se aproxima dos parâmetros internacionais que indicam a necessidade de planejamento para ampliação de capacidade. O alerta ganha relevância diante dos longos prazos exigidos para licenciamento ambiental, contratação de obras e execução de dragagens.

Outro ponto destacado pelo presidente do Sopesp, Régis Prunzel, é que os ganhos de eficiência obtidos pelos terminais têm limite quando não são acompanhados por melhorias na infraestrutura de acesso. “Chega um momento em que os investimentos feitos dentro dos terminais deixam de produzir resultados se não houver evolução dos acessos. Não adianta o porto ser mais eficiente internamente se a infraestrutura externa não acompanhar esse crescimento. Sem a implementação coordenada de melhorias nos acessos terrestres e aquaviários, o Porto poderá chegar a 2035 movimentando volumes recordes, mas convivendo com problemas muito semelhantes aos observados atualmente”, previu.

Por fim, Molitzas disse que o Santos 10+ foi concebido como uma ferramenta permanente de monitoramento do setor. “Este estudo não é para ficar parado. Trata-se de uma projeção que precisa ser revisitada periodicamente. A cada 12 meses, devemos comparar o que aconteceu com aquilo que foi estimado, verificar se os números estão se confirmando e atualizar as análises. O planejamento portuário precisa ser um processo contínuo”.

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