A rodoferrovia, que ligará São Paulo ao Porto de Santos, poderá ter seu edital lançado até o meio do ano, conforme informou o assessor especial da Secretaria Estadual de Logística e Transportes (SLT), Luiz Alberto Fioravante. Ao ser implantado, o modelo poderá impactar diretamente no fretamento de carga até o maior porto da América Latina. 





O anúncio ocorreu na manhã desta segunda-feira (9), durante o painel Linha Verde, no 1º Seminário Brasil-França - O Transporte de Carga em 2050 - Descarbonização e Veículos Autônomos, que discute as principais tendências e desafios do transporte e mobilidade, e sustentabilidade. O evento acontece no Auditório principal da Universidade Santa Cecília, em Santos.





“O Conselho Gestor está empenhado em, até o meio do ano, colocar essa nova estrada em licitação”, afirmou Fioravante ao apresentar o projeto Linha Verde, que prevê a construção de uma rodovia e ferrovia integradas, visando desafogar o Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI), uma das principais vias de acesso ao Porto de Santos. 





“A estrada que temos hoje, de 1934, está totalmente superada. As carretas trazem 60 toneladas, e eles não têm condições de descer para Santos, porque não conseguem fazer as curvas da Anchieta”, afirma Fioravante. 





Além da ampliação de recebimento de carga aos terminais portuários, o projeto também traz tecnologia e sustentabilidade para o usuário. No chamamento público para o projeto entraram as empresas internacionais Benvenuto, Modera e Logit, conforme explica o assessor. “Agora estamos analisando a modelagem econômica para o projeto e a viabilidade, e na localização das rotas”, explica. 





Foto: Vanessa Ortiz




A rodovia é de classe zero, e terá pistas de descidas com duas faixas e de subida com três faixas. O canteiro central terá 21 metros para veículos leves de 100 km/h, e veículos pesados a 80km/h. “Teremos esse compromisso ambiental, dentro da agenda, prevendo a baixa emissão de dióxido de carbono”, afirma. Além disso, a via terá wi-fi integrado e sistema de monitoramento por câmeras. 





Projeto





A rodoferrovia terá no mínimo 38,2 km e no máximo 44 km. A conexão será feita no trecho leste do Rodoanel Mario Covas, sentido Santos, e seguirá até a margem esquerda do porto. Haverá uma interseção na Rodovia Índio Tibiriça, sentido São Paulo, e também na região do ABC, onde há grandes indústrias. 





O objetivo da obra é desafogar o Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI), construindo oito pistas e duas linhas ferroviárias. Viadutos, túneis e pontes estão entre as estruturas previstas no projeto, o que possibilitará o tráfego e 45 mil veículos e o transporte de 68 mil toneladas por ano. 





“Hoje esse projeto tem começo, meio e fim, e está pensado no contexto geral,tanto no planalto quanto para a Baixada Santista”, afirma Fioravante. 





VLT





Ainda durante o encontro, o assessor afirmou que um dos projetos da secretaria é o Plano de Ação Macrometrópoles, para integrar regiões por meio de políticas públicas de médio e longo prazo. Ele falou sobre implantar o rodoanel ferroviário, e posteriormente, integrar o compartilhamento rodoviário entre cargas e passageiros. 





“Já estamos falando com a prefeitura Raquel [Chini], de Praia Grande, e presidente do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb), e já estamos trabalhando com o [projeto] do VLT vindo de Peruíbe até Praia Grande, conectando com o VLT de Santos. É um marco importante. São ligações que podem ser feitas com São Paulo, e possibilitam fazer a ligação desse sistema de transporte com o futuro trem moderno e seguro de Santos até São Paulo”, finaliza. 





Abertura





A abertura do seminário ocorreu por volta das 9h, no auditório da Universidade Santa Cecília, e contou com a presença de diversas autoridades como Mathieu Rivallain, cônsul geral da França em São Paulo, José Manoel de Aguirre Neto, da Secretaria de Logística e Transporte, Luiz Ricardo Santoro, secretário executivo da Secretaria Estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente, e Marcelo Teixeira, presidente do Conselho de Administração da Unisanta. 





Na ocasião, Teixeira falou sobre a importância da discussão sobre a temática dentro e fora do meio acadêmico. “Temos um orgulho especial. Logo no início, quando conversamos com os professores, eles destacam algo que foi muito importante. Eles gostaram que todas as ideias fossem discutidas, não só pelas autoridades, mas também pela academia”, disse.





Na abertura também estavam presentes a Dra. Silvia Teixeira Penteado, reitora da Unisanta, Dra. Lucia Teixeira, presidente da Unisanta, Dr. Marcelo Teixeira, o diretor do Sistema de Comunicação Santa Cecília, Marcelo Teixeira Filho, a engenheira  Lígia Mackey, presidente em exercício do CREA-SP, Ronald Marangon, diretor superintendente da Ecovias, e Jean-Philippe LAGRANGE, diretor científico do Instituto Mines-Télécom, Paris, por vídeo. 





Foto: Vanessa Ortiz