De volta ao mundo, a jovem vítima de um ataque a facadas na madrugada de 20 de maio, na Zona Noroeste, em Santos, falou sobre o recomeço de sua vida.





"Graças a Deus, não tenho sequelas. Minha família e minha esposa são minha base e quem mais me fortalece. Os meus amigos têm me dado o maior apoio", disse em entrevista ao Santa Portal.





Naquela noite, a jovem conta que ao voltar pra casa, ouviu um assovio. Ao olhar, um homem, que estava acompanhado de outro, jogou areia em seus olhos. Logo depois, ela largou tudo o que tinha em mãos. Posteriormente, eles colocaram um pano úmido sobre sua boca, e ela ficou inconsciente.





Tempos depois, a mulher acordou com um dos homens a enforcando, enquanto o outro filmava a ação. "Eu não acredito que você fez isso com ela. Você é um doente, eu não vou segurar esse B.O.", disse o que filmava. Segundo a jovem, o outro teria respondido: "Deixa de ser covarde. Se não vai me ajudar a esconder o corpo dela, então deixe minhas drogas aqui e suma".





A mulher conhecia um dos homens. Ela havia o ajudado a se alimentar, mas diz ver que a droga "já havia corroído toda a sua capacidade de ter empatia". De acordo com ela, o criminoso planejou tudo. O outro, ela conhecia de vista, tendo o visto se alimentando com delivery. Diz que não parecia ser morador de rua.









Crime bárbaro com facadas









Ao todo, foram 18 facadas no pescoço. De acordo com a vítima, os ferimentos chegaram até a língua. No entanto, ela não notou os ferimentos na hora. Acordou uma terceira vez, debaixo de um caminhão, sem saber que a tinham drogado, e notou a presença de grande quantidade de sangue.





"Mas eu só queria o meu short, pois nele tinha a chave da minha casa e naquele momento achei que tinham ido atrás da minha esposa para fazer mal a ela", conta a vítima. Ela encontrou o short e as chaves, e conseguiu chegar a uma esquina.









"Uma voz em minha mente só me falava: 'sobreviva'. Eu mesma gritei por socorro pois até então não sabia que tinham me degolado"

Vítima








Foram cinco dias na UTI, além de mais uma semana no quarto, na Santa Casa de Santos. A jovem afirma que as campanhas de doação de sangue nas redes sociais foram fundamentais.





Tais doações garantiram uma cirurgia bem sucedida. A mulher saiu do hospital bebendo, falando, comendo e andando. Ela comenta que, por conta da quantidade de facadas e pela região na qual foi atingida, ninguém esperava uma melhora tão rápida. Atualmente, ela faz tratamento pós-traumático.





O caso foi registrado como estupro e tentativa de homicídio qualificado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Santos. Aliás, a ocorrência é investigada por meio de inquérito policial instaurado pela 3ª Delegacia de Homicídios, da Deic de Santos. No entanto, por se tratar de um crime sexual, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirmou que não pode passar mais detalhes do caso.