Operação investiga infiltração de membros do PCC em prefeituras e cumpre mandados em Santos
Por Santa Portal em 27/04/2026 às 15:00
A Operação Contaminatio, deflagrada pela Polícia Civil nesta segunda-feira (27), teve Santos como um dos alvos. A ação investiga a infiltração de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) em administrações municipais para lavagem de dinheiro obtido principalmente com o tráfico de drogas.
Ao todo, seis pessoas foram presas durante a operação que também cumpriu 22 mandados de busca e apreensão. A Justiça determinou ainda o bloqueio de mais de R$ 513 milhões em bens e ativos ligados aos investigados.
As diligências foram conduzidas pela Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes e ocorreram simultaneamente em São Paulo, Guarulhos, Santo André, Mairinque, Campinas e Ribeirão Preto, além de Santos, Goiânia e Aparecida de Goiânia (GO), Brasília (DF) e Londrina (PR).
Segundo as investigações, o grupo criminoso teria estruturado um esquema financeiro para movimentação de recursos ilícitos, identificado a partir da análise de dispositivos eletrônicos apreendidos durante a Operação Decurio, realizada em agosto de 2024. O material revelou um sistema considerado complexo de movimentação financeira irregular.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), a apuração apontou ainda que a organização teria avançado na criação de um chamado “núcleo político” com o objetivo de acessar recursos públicos e ampliar sua atuação. Entre as estratégias investigadas, está a tentativa de influenciar eleições por meio do apoio ou financiamento de candidaturas alinhadas aos interesses do grupo.
Também foi identificado o envolvimento de pessoas ligadas a administrações municipais, incluindo ao menos uma servidora comissionada que mantinha relação com um integrante de alto escalão da organização criminosa. Ao todo, foram identificadas ao menos seis pessoas, algumas ocupando cargos em administrações municipais em regiões como a Baixada Santista, ABC Paulista, Campinas e Ribeirão Preto. Segundo a polícia, nenhum dos alvos possui foro por prerrogativa de função ou exerce mandato eletivo.
Outro ponto investigado foi a tentativa de inserção de uma fintech criada por integrantes do grupo para operar serviços financeiros de prefeituras, como emissão de boletos e gestão de receitas municipais. De acordo com a SSP, a estrutura permitiria a utilização do fluxo financeiro público para dar aparência de legalidade a recursos provenientes de atividades criminosas.
“O que se apurou foi uma estrutura sofisticada, que buscava não apenas lucrar com atividades ilícitas, mas também se infiltrar em esferas do poder público para potencializar esses ganhos e dar aparência de legalidade aos recursos”, afirmou o delegado Fabrício Intelizano, responsável pela investigação.
Confira a nota da Prefeitura de Santos na íntegra:
“A Prefeitura de Santos esclarece que não é alvo da Operação Contaminatio e não possui qualquer relação, contrato ou parceria com a fintech investigada.
A Administração Municipal informa ainda que foi comunicada pelo advogado Gabriel Micelli, assessor da Secretaria de Meio Ambiente, que seu nome foi envolvido na citada operação, fato que ocorreu devido ao contato com um dos investigados após a participação em um curso de formação política. Ele também informou que já constituiu defesa jurídica e que prestará todos os esclarecimentos necessários às autoridades competentes assim que tiver acesso aos autos, de modo que possa conhecer as acusações e exercer o seu direito de defesa.
A Administração Municipal reitera seu compromisso inegociável com a ética e a transparência na gestão pública, além de estar à disposição da Justiça para colaborar com o que for necessário durante as investigações”.