Idosa agredida com a filha relata ameaça após esconder arma do marido: “Falou que ia me matar”

Por Santa Portal em 10/03/2026 às 05:00

Divulgação/PM e Reprodução/Canal 5 Web TV
Divulgação/PM e Reprodução/Canal 5 Web TV

Uma idosa de 61 anos relatou momentos de terror vividos dentro da própria casa enquanto sofria ameaças e era agredida pelo marido, de 60 anos, com quem mantém um relacionamento de 42 anos. O caso ocorreu no bairro Humaitá, na Área Continental de São Vicente, no litoral de São Paulo. Segundo a vítima, o homem, usuário de cocaína e álcool, passou a ameaçá-la de morte após descobrir que a arma que mantinha escondida na residência havia sido retirada do local.

Carlos Roberto Samora também agrediu uma das filhas do casal, de 27 anos, e chegou a exibir a arma na porta da casa da outra filha, de 26, que mora no mesmo terreno e tem um filho de oito anos. “Ele falou que, se eu não devolvesse a arma, ia comprar outra e ia me matar. Disse também que mataria meus irmãos se eles viessem aqui”, contou a idosa, que terá a identidade preservada, em entrevista à Santa Cecília TV.

O agressor foi preso em flagrante pela Polícia Militar nesta segunda-feira (9), após a filha que foi agredida acionar a corporação, temendo que o pai concretizasse as ameaças. Ela mora em uma casa separada, mas no mesmo terreno do pai, sem qualquer divisão física entre os imóveis. O caso foi registrado na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São Vicente.

Segundo o relato da vítima, o episódio mais recente começou na quinta-feira (5), quando o marido voltou para casa após dois dias fora. Ele entrou no quarto portando um revólver e apresentava comportamento paranoico. “Ele estava alucinado, dizendo que tinha alguém atrás do guarda-roupa”, relembrou.

Minutos depois, a mulher e a filha ouviram dois estampidos que, posteriormente, acreditaram ser disparos de arma de fogo. Com medo, as duas deixaram a residência e passaram o restante do dia fora. Quando retornaram, o homem havia saído novamente.

Arma escondida para evitar tragédia

Dias depois, já sob efeito de álcool e drogas, o suspeito voltou a exigir dinheiro para comprar entorpecentes. Em um momento em que ele saiu de casa, a vítima decidiu procurar o revólver e encontrou a arma escondida no quarto.

Temendo um possível ataque, ela retirou o armamento da casa e pediu para que fosse escondido em outro local. A decisão provocou a reação violenta do agressor. “Quando ele voltou e não encontrou a arma, começou a ficar alterado. Disse que tinha dinheiro e que compraria outra para me matar”, contou.

A partir daí, as ameaças se intensificaram. Segundo a vítima, ele chegou a afirmar que mataria qualquer pessoa que tentasse defendê-la.

Agressões contra mãe e filha

Na noite de domingo (8), o homem passou a noite consumindo whisky e cocaína e continuou fazendo ameaças, inclusive afirmando que mataria quem tentasse entrar na residência e que incendiaria o imóvel caso não recuperasse sua arma. Assustada, uma das filhas enviou mensagens para outra irmã pedindo ajuda. Foi ela quem acionou a Polícia Militar.

Antes da chegada da viatura, o agressor ainda atacou as duas. Ao perceber que a filha usava o celular para pedir socorro, ele a empurrou e deu um tapa no rosto. A mãe tentou intervir e também foi agredida.

De acordo com o delegado Lucas Santana dos Santos, titular da DDM de São Vicente, o suspeito estava extremamente agressivo quando os policiais chegaram. “Ele não queria deixar os policiais entrarem na casa e tentou impedir a ação. Foi necessário o uso de força moderada para contê-lo”, explicou. Uma arma taser foi usada na ação.

Durante a abordagem, os policiais apreenderam um revólver calibre .38 com numeração suprimida, além de munições. O homem foi autuado por lesão corporal no âmbito da violência doméstica contra a companheira e a filha e posse de arma de fogo com numeração suprimida. Somadas, as penas podem chegar a 11 anos de prisão. Ele permaneceu em silêncio durante o interrogatório.

Violência que durava anos

Apesar de nunca ter registrado ocorrência anteriormente, a vítima relatou à polícia que vinha sofrendo diferentes formas de violência há cerca de dez anos. Segundo o delegado, as agressões incluíam violência física, psicológica, moral e patrimonial, agravadas pelo consumo frequente de álcool e drogas. “Ele tinha essa coisa de homem ciumento. Fala que me mataria se eu o traísse e se ele largasse de mim e eu arrumasse outro, ele me mataria junto com a outra pessoa. Ele falou isso ontem para mim”.

De acordo com a idosa o consumo começou há cerca de oito anos, no serviço do ex-funcionário público estadual, que trabalhava à noite. No entanto, a família só descobriu após a aposentadoria. “Qualquer coisinha ele se alterava. Muito nervosismo, daí percemos. Ele saía para comprar alguma coisa e usava droga na rua eu acho. Mais recentemente começou a usar dentro de casa mesmo, sem respeito algum”.

A vítima afirmou que teme pela própria vida e pela segurança dos filhos. “Hoje eu tenho medo de ele sair e cumprir o que falou. A gente vê todo dia mulheres sendo mortas”, disse. Abalada, ela também relatou a dor de perceber como o relacionamento terminou. “É uma tristeza muito grande. Só eu sei o que estou sentindo. Nunca imaginei passar por isso”.

Justiça decidirá se suspeito continua preso

A Polícia Civil pediu a conversão da prisão em flagrante em preventiva, além da concessão de medidas protetivas para as vítimas. O suspeito passará por audiência de custódia nesta terça-feira (9), quando a Justiça decidirá se ele continuará preso enquanto o caso é investigado.

Santa Portal não localizou a defesa de Samora até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto.

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