A Polícia Civil estourou no sábado (30) à noite um cassino clandestino que funcionava no sobrado da Avenida Pinheiro Machado, 570, no Marapé, em Santos. No local havia 63 máquinas caça-níqueis ligadas e foram surpreendidos 18 jogadores, entre homens e mulheres, a maioria idosos. Um deles, porém, se distinguiu dos demais por ter 103 anos de idade.





Com uniformes pretos, armas de grosso calibre e equipamentos táticos, como aríete (cilindro metálico dotado de alça para ser usado no rompimento de obstáculos), policiais do Grupo de Operações Especiais (GOE) estavam preparados para o combate, mas não enfrentaram qualquer reação. No entanto, diante da porta metálica do imóvel que estava fechada e não foi aberta espontaneamente, eles tiveram que arrombá-la.





A pressa dos agentes em entrar tem explicação. Câmeras na parte externa do cassino mostravam toda a movimentação para quem estava dentro. Eventual demora dos policiais no ingresso possibilitaria que as máquinas de videobingo fossem desligadas, sendo desconectados os seus programas de jogatina ilícita. Também favoreceria a destruição de outras provas materiais da contravenção penal de jogo de azar.





No entanto, como os próprios policiais relataram na Central de Polícia Judiciária (CPJ), eles realizaram uma “entrada tática”, flagrando o cassino em pleno funcionamento. Uma mulher de 31 anos foi detida no local, sendo identificada como a atendente da casa de jogos. No sobrado foram apreendidos R$ 3.150,00, que seriam provenientes das apostas realizadas por 18 jogadores, relacionados na ocorrência como “testemunhas”.





A suposta funcionária do cassino disse que apenas se manifestará em juízo. Entre as testemunhas, um idoso de 103 anos e duas senhoras, de 72 e 82 anos, se destacaram entre as demais, devido às idades avançadas. Todas as pessoas surpreendidas no local foram liberadas após o registro da ocorrência. As investigações prosseguem para identificar o dono da jogatina e saber se ele contava com a complacência de autoridades.





De acordo com a equipe do GOE, ela estava de plantão no sábado à noite quando recebeu da diretoria do Departamento de Polícia Judiciária do Interior-6 (Deinter-6) a incumbência de checar “denúncia anônima” de que naquele momento várias pessoas realizavam apostas em caça-níqueis no imóvel do Canal 1. O sobrado fica próximo do Curvão do Marapé. (EF)